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sábado, 17 de janeiro de 2026

Exercícios no calor exigem atenção: especialista alerta para riscos do estresse térmico durante atividades ao ar livre

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Altas temperaturas aumentam o risco de desidratação, exaustão e insolação; hidratação e horário dos treinos são fundamentais para evitar complicações

 

Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, cresce também a preocupação com a prática de atividades físicas ao ar livre. A combinação entre calor intenso e esforço físico pode gerar sobrecarga térmica no organismo, comprometendo o desempenho e colocando a saúde em risco quando não há os cuidados adequados. 

Durante o exercício, o corpo naturalmente eleva sua temperatura interna. Isso ocorre porque a contração muscular demanda grande gasto liberação de energia, e parte dessa energia é liberada em forma de calor. Para evitar que a temperatura corporal atinja níveis perigosos, o organismo aciona mecanismos de resfriamento, principalmente por meio da evaporação suor. Em repouso, cerca de 20% da dissipação de calor ocorre pela evaporação; durante o exercício, essa proporção pode chegar a 80%, tornando o suor essencial para o equilíbrio térmico. 

De acordo com o Dr. Selênio Campos Filho, médico da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e coordenador da pós-graduação em Medicina do Esporte da Afya Educação Médica, o problema é que, no verão, o ambiente externo já está naturalmente quente, e dependendo da região, pode estar quente e úmido, o que agravaria o cenário. “Além do calor gerado pelo próprio exercício físico, o atleta ou praticante enfrenta a temperatura ambiente elevada, o que cria um duplo estresse térmico. Ainda mais quando o ar está quente e úmido, pois a evaporação do suor se torna menos eficiente e o corpo tenta produzir mais suor para se resfriar”, explica o médico. 

Quando o organismo não consegue eliminar o calor na velocidade necessária, a temperatura central pode subir, além da hiperprodutividade do suor causar uma desidratação e perda de minerais, e com isso podem surgir sintomas como tontura, fraqueza, queda de desempenho, câimbras e desidratação. Casos mais graves podem evoluir para exaustão pelo calor, caracterizada por mal-estar intenso, náuseas, vômitos, diarreia, cefaléia, ou até hipertermia e insolação(também conhecida como Heat Stroke), condições que exigem atendimento médico imediato. “A insolação ou intermação é o quadro mais preocupante, pois ocorre quando o corpo perde completamente a capacidade de controlar sua própria temperatura, fazendo com que a temperatura centra passe os 40°C, levando a alterações neurológicas importantes como desorientação ou perda da consciência”, alerta o especialista. 

Para prevenir esses quadros, o médico reforça que a hidratação é o principal fator de proteção. Beber água antes, durante e depois do exercício ajuda a manter o equilíbrio térmico e repor os líquidos perdidos pelo suor. “A melhor forma de se proteger é evitar que a temperatura corporal suba a níveis perigosos. Isso envolve reposição constante de líquidos gelados, que tenham também eletrólitos, escolha de horários mais frescos para o treino e respeito aos limites individuais de cada pessoa. Além de uma aclimatação adequada.”, orienta o Dr. Selênio. 

A recomendação é que as atividades sejam realizadas no início da manhã ou no fim da tarde, quando a temperatura e a radiação solar são mais amenas. Roupas leves que não dificultem a transpiração, protetor solar e bonés também ajudam a reduzir o impacto do calor. O especialista ressalta ainda que a alimentação tem papel importante na performance e na recuperação. “Evite treinar em jejum e prefira refeições leves e equilibradas. O consumo de frutas, vegetais e alimentos ricos em água contribui para manter o corpo nutrido e hidratado”, complementa. 

Com a intensificação do calor nas próximas semanas, a orientação é adotar hábitos preventivos e estar atento aos sinais do corpo. “Suor excessivo com presença de sal na roupa, fadiga, dor de cabeça e confusão mental são sintomas de alerta. Se o desconforto persistir, é fundamental interromper a atividade e procurar atendimento médico. A prevenção é sempre o melhor caminho para manter a segurança e o desempenho durante o verão”, conclui o Dr. Selênio Campos Filho. 



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