Fundadora do Grupo Líbertas analisa armadilhas frequentes no mercado digital e aponta caminhos para negócios mais sustentáveis
O mercado brasileiro de negócios digitais movimentou mais de R$ 14 bilhões em 2024, segundo a Associação Brasileira de Marketing Digital (ABMD). Apesar do potencial, a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) revela que cerca de metade dos novos negócios fecha antes de completar três anos — cenário que no ambiente online costuma ser ainda mais desafiador, marcado por alta concorrência, mudanças rápidas e pela falta de estratégia consistente. Para Bettina Rudolph, fundadora do Grupo Líbertas e especialista em formação de empreendedoras digitais, boa parte desses fracassos se repete por erros básicos de condução.
“Empreender online não é diferente de empreender no físico: exige estratégia, posicionamento e consistência. Muitas mulheres desistem porque começam de forma desordenada, sem um método claro e sem acreditar no valor do próprio conhecimento”, afirma Bettina. É justamente para evitar esse ciclo que o Grupo Líbertas desenvolveu o ZD (Do Zero ao Digital) — um programa que ensina mulheres a transformar suas habilidades e experiências em produtos digitais estruturados e lucrativos.
A metodologia do programa abrange desde o posicionamento e construção de autoridade até estratégias de venda e lançamento. O objetivo é levar as alunas a faturarem seus primeiros R$ 100 mil em até 12 meses, com muitos casos alcançando esse marco antes do previsto. Um dos exemplos mais marcantes é o da médica Juliane Stall, que, em apenas dois meses de curso, faturou R$ 150 mil — mais do que ganhava em um ano como médica generalista plantonista.
Segundo a executiva, três erros são recorrentes entre
iniciantes no digital:
- Acreditar que não há conhecimento para vender: muitas empreendedoras subestimam suas experiências
profissionais e de vida, deixando de enxergar que habilidades adquiridas —
seja na área médica, na confeitaria, na advocacia ou em qualquer outro
segmento — podem se transformar em produtos digitais de alto valor. Essa
insegurança leva à paralisia ou a projetos superficiais, que não comunicam
claramente o diferencial da empreendedora.
- Começar por produtos de baixo valor, como e-books baratos,
por medo de cobrar mais: ao optar por
preços muito baixos para “testar” o mercado, a empreendedora reduz seu
potencial de receita e atrai um público menos engajado. Além disso,
dificulta validar se o modelo de negócio será realmente sustentável, já
que os custos de produção, divulgação e suporte muitas vezes superam o
faturamento.
- Aplicar múltiplos métodos ao mesmo tempo: na busca por resultados rápidos, é comum que iniciantes
misturem diferentes estratégias, cursos e técnicas sem seguir um plano até
o fim. Isso fragmenta o foco, impede a análise real de resultados e atrasa
o crescimento do negócio. O ideal, segundo Bettina, é escolher um único
método, aplicar de forma consistente e ajustar apenas após avaliar os
resultados. “Quando você escolhe uma estratégia, se aprofunda e executa
até o fim, os resultados tendem a aparecer. O problema é que grande parte
desiste no meio do processo”, explica.
Para Bettina, transformar conhecimento em um negócio digital
lucrativo exige disciplina e foco. “Não existe fórmula mágica, mas existe
método e ele começa quando você decide parar de pular de estratégia em
estratégia”, reforça. Ela explica que, ao seguir um único caminho de forma
consistente e manter uma comunicação genuína com a audiência, o empreendedor
valida ideias com mais rapidez, evita desperdícios e constrói uma base sólida
de clientes fiéis, em vez de se perder em tentativas aleatórias que
dificilmente dão resultado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário