Calor, umidade e água acumulada nos ouvidos criam o cenário ideal para infecções em cães durante a estação mais quente do ano
Com a chegada do verão, os passeios à praia, os mergulhos na piscina e os banhos mais frequentes entram de vez na rotina dos cães. O que muitos tutores não imaginam é que esse combo típico da estação também impulsiona um problema comum nos consultórios veterinários: a otite canina, inflamação nas orelhas que pode causar dor intensa e comprometer o bem-estar dos pets quando não diagnosticada e tratada corretamente.
O aumento dos casos nesta época do
ano está diretamente ligado à combinação de calor e umidade. A presença
constante de água no conduto auditivo — seja do mar, da piscina ou até do banho
em casa — favorece a proliferação de fungos e bactérias, principalmente quando
os ouvidos não estão devidamente secos após o contato com a água. “As altas
temperaturas e a umidade são ambientes propícios para a proliferação de
bactérias e fungos” explica Dra. Sibele Konno, diretora médica do Grupo Pet
Care
Algumas raças
exigem atenção redobrada:
Alguns cães apresentam maior
predisposição ao desenvolvimento da otite. Raças com orelhas longas e caídas,
como cocker spaniel, basset hound e golden retriever, têm menor ventilação na
região, o que facilita a retenção de umidade. Já cães com orelhas muito peludas
ou conduto auditivo estreito, como poodle, shih-tzu e lhasa apso, também
costumam demandar cuidados extras ao longo do verão.
Animais que já possuem histórico de
alergias, dermatites ou produção excessiva de cera entram no grupo de maior
risco e devem ser acompanhados de perto durante a estação.
Fique atento aos
sinais:
Os sintomas da otite nem sempre são percebidos logo no início e, muitas vezes, os tutores procuram ajuda quando o quadro já está mais avançado. Entre os principais sinais de alerta estão:
● Coceira
frequente nas orelhas
● Balançar
excessivo da cabeça
● Mau
cheiro na região
● Vermelhidão,
inchaço ou sensibilidade ao toque
● Presença de secreção escura ou amarelada
Em casos mais graves, o cão pode
apresentar perda de equilíbrio, apatia e até redução da capacidade auditiva.
Prevenção faz
toda a diferença:
A boa notícia é que a otite pode ser evitada com cuidados simples no dia a dia. Secar bem os ouvidos após banhos, piscina ou praia é essencial, assim como utilizar apenas produtos indicados por médicos-veterinários. A limpeza excessiva ou o uso de hastes flexíveis deve ser evitado, já que pode empurrar a sujeira para dentro do ouvido e agravar o problema.
Ao primeiro sinal de desconforto, a
recomendação é buscar orientação profissional, a automedicação pode mascarar os
sintomas e tornar o tratamento mais longo e complexo. “Observe se seu cão ou
gato apresenta prurido (coceira) nas orelhas ou está chacoalhando demais a
cabeça. O excesso de cerúmen, mudança na coloração e odor também são indícios
da doença. Utilizar algodão parafinado ou hidrofóbico durante os banhos e
atividades aquáticas ajudam a prevenir a entrada de água nas orelhas. A
avaliação do médico veterinário é essencial para tratar da maneira mais
eficiente e evitar que haja mais complicações como infecções/inflamações
crônicas e as otites internas” finaliza Dra. Sibele.
Cuidar da saúde auditiva dos cães é
um passo fundamental para que o verão seja lembrado apenas pelos momentos de
diversão, e não por dor ou complicações evitáveis.

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