Demanda por serviços domiciliares
cresce e consolida o home care como alternativa humanizada
Envato
O Brasil atravessa uma transformação silenciosa, porém profunda, em seu perfil demográfico. O aumento da longevidade vem redesenhando dinâmicas familiares, sociais e econômicas, colocando a chamada economia do cuidado no centro do debate, especialmente quando o tema é o atendimento domiciliar de idosos.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), até 2030 o número de pessoas com 60 anos ou mais deverá
ultrapassar o de crianças de até 14 anos, marcando uma virada demográfica
inédita no país.
“O envelhecimento da população está acontecendo em ritmo acelerado, e muitas famílias ainda não estão preparadas para lidar com as demandas que surgem a partir desse processo. A economia do cuidado vem justamente para suprir essa lacuna, trazendo suporte qualificado e mais humanizado dentro da própria casa do paciente”, afirma Gregue Ranwey, enfermeiro e especialista em atenção domiciliar.
Esse novo cenário amplia a necessidade por serviços
especializados, contínuos e humanizados, e já tem refletido diretamente no
mercado de trabalho. Um levantamento do Instituto de Longevidade
Mongeral Aegon, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua (PNAD), aponta que o número de cuidadores remunerados cresceu 15%
entre 2019 e 2023, totalizando cerca de 840 mil profissionais. Em uma análise
de longo prazo, o crescimento chega a 547% em uma década, evidenciando a
expansão acelerada do setor.
Nesse contexto, empresas de atenção domiciliar e serviços de home care ganham protagonismo ao propor um modelo de cuidado mais próximo. A atuação reúne acompanhamento contínuo, atenção individualizada e integração com a rotina familiar, equilibrando demandas clínicas e cuidado humanizado.
Para quem deseja empreender, a economia do cuidado se apresenta como um setor em expansão e com diferentes possibilidades de atuação. Diferentemente de outros segmentos da saúde, o ingresso nesse mercado não está necessariamente ligado a uma formação superior, reunindo empreendedores de perfis diversos que identificam demandas reais e recorrentes.
A sustentabilidade do negócio está diretamente relacionada à capacitação técnica, gestão responsável e formação de equipes qualificadas. Cuidadores bem preparados contribuem para a autonomia dos pacientes, reduzem riscos e oferecem suporte emocional.
Gregue Ranwey Pereira Marçal - enfermeiro formado pelo
Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP-SP) e pós-graduado em Saúde
Coletiva, com foco na Estratégia Saúde da Família (ESF). Com mais de 12 anos de
experiência, atuou em Home Care, pronto atendimento hospitalar e Atenção
Básica, incluindo coordenação de equipes e gestão de serviços de saúde. Mais
recentemente, integrou a Associação Saúde da Família (ASF), onde liderou equipe
multiprofissional e atendeu cerca de 1.200 famílias, unindo experiência
clínica, gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções em
saúde.
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