Uso crescente de
medicamentos à base de GLP-1 acelera mudanças faciais e impõe nova lógica de
avaliação, planejamento e ética clínica na odontologia estética
A expansão do uso de medicamentos à base de GLP-1,
como Mounjaro e Wegovy, consolidou-se como um dos movimentos mais relevantes da
saúde global nos últimos anos. Dados de bases internacionais de monitoramento
de prescrições indicam crescimento expressivo do uso desses fármacos desde
2019, especialmente após a ampliação das indicações para controle do peso. No
Brasil, o aumento da demanda levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária a
reforçar regras de prescrição e dispensação ao longo de 2024 e 2025, sinalizando
a dimensão do fenômeno no país.
O impacto desse movimento começa a extrapolar o
campo metabólico e chega com força à estética facial. A perda acelerada de
peso, característica comum em pacientes em uso contínuo de GLP-1, provoca
redução significativa do tecido adiposo corporal e facial, alterando volumes,
contornos e a sustentação da pele. Na prática clínica, o efeito se traduz em
flacidez, aprofundamento de sulcos e mudanças estruturais no rosto, o que exige
revisão de condutas na odontologia estética.
Segundo Sabrina Balkanyi, formada pela USP em odontologia, empresária e mentora de
clínicas, a mudança é estrutural. “A tirzepatida mudou o rosto do paciente, e o
dentista precisa mudar o protocolo. O que funcionava há dois ou três anos já
não pode ser aplicado da mesma forma em quem está em uso de GLP-1”, afirma.
Estudos e revisões clínicas publicados entre 2023 e
2024 apontam que a perda rápida de peso está associada à redução de gordura facial
e a alterações no envelhecimento percebido, especialmente quando o
emagrecimento ocorre em curto espaço de tempo. Embora não exista um percentual
único ou universal para essa perda, a literatura médica reconhece que o rosto é
um dos compartimentos afetados durante o processo, o que reforça a necessidade
de cautela em intervenções estéticas.
Na rotina dos consultórios, a primeira adaptação
está na anamnese. Identificar o uso atual ou recente de medicamentos à base de
GLP-1 passa a ser etapa indispensável antes de qualquer planejamento. “O
histórico medicamentoso deixa de ser um detalhe e passa a orientar toda a estratégia
clínica. Ignorar isso aumenta o risco de resultados inconsistentes”, explica
Sabrina.
Outro ponto sensível envolve a escolha e a combinação
de bioestimuladores, preenchedores e técnicas de volumização. Em pacientes que
ainda estão em processo ativo de emagrecimento, procedimentos realizados sem
ajuste podem resultar em sobrecorreção ou perda precoce do efeito. “O rosto
está em transformação. Em muitos casos, o mais indicado é priorizar estímulo de
colágeno, melhora da qualidade da pele e acompanhar a estabilização do peso
antes de intervenções volumétricas mais definitivas”, diz.
Publicações científicas recentes também indicam que
as mudanças faciais associadas ao emagrecimento podem persistir por meses,
mesmo após a estabilização ponderal, o que reforça a importância de protocolos
personalizados e de acompanhamento ao longo do tempo. A pressa, nesse contexto,
deixa de ser aliada da estética.
Além da técnica, a comunicação com o paciente
torna-se central. Alinhar expectativas, explicar limites temporais e
contextualizar os resultados dentro do processo metabólico é parte da conduta
responsável. “O paciente precisa compreender que estética não é um ato isolado.
Ela precisa dialogar com a saúde geral e com o momento clínico de cada pessoa”,
afirma a especialista.
O avanço do uso de GLP-1 também reposiciona o
dentista dentro de um modelo mais integrado de cuidado. A troca de informações
com médicos prescritores e outros profissionais de saúde passa a ser
estratégica para decisões mais seguras. “A odontologia estética entra em uma
fase de maior integração com a medicina. Em 2026, atuar de forma isolada será
um risco”, avalia Sabrina.
Com a manutenção do crescimento do uso desses
medicamentos no Brasil e no mundo, o impacto sobre a estética facial tende a se
consolidar como tema central de atualização clínica no próximo ano. Para
especialistas, revisar protocolos não é tendência, é uma exigência técnica.
“Quem não se atualizar vai enfrentar frustração do
paciente, retrabalho e questionamentos éticos. O momento pede estudo, critério
e responsabilidade clínica”, conclui Sabrina Balkanyi.
Sabrina Balkanyi - dentista formada em odontologia pela USP-SP, empresária e mentora de dentistas e profissionais de saúde. Há mais de 20 anos dedica-se a construir uma odontologia humana, com foco em transformar vidas por meio de sorrisos. Seu propósito é formar profissionais que, além de excelentes clínicos, também sejam grandes empresários da própria trajetória. Hoje atua 100% na gestão de suas unidades odontológicas, liderando áreas como estratégia, finanças, vendas, captação de pacientes e marketing. Também desenvolve produtos digitais cursos, mentorias, imersões, voltado a dentistas e profissionais autônomos que desejam fortalecer a gestão de seus negócios.
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