Afastamentos por esgotamento cresceram 493% em três anos; RS Serviços defende nova agenda de cuidado emocional no trabalho
O número de afastamentos por burnout no Brasil aumentou 493% entre 2021 e 2024, passando de 823 para 4.880 licenças médicas, segundo dados do Ministério da Previdência Social. No mesmo período, o país concedeu 3,6 milhões de auxílios-doença, dos quais 472,3 mil por transtornos mentais, e os gastos com benefícios ligados ao adoecimento psicológico saltaram de R$ 16,9 bilhões para R$ 31,8 bilhões em apenas um ano. Em meio ao Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, os números colocam a saúde emocional no centro da agenda corporativa.
Para Edwiges Parra, Conselheira de Pessoas, Cultura e Cuidado com o Colaborador na RS Serviços e Professora de Educação Executiva da FGV-SP, o burnout não é uma falha individual, mas o resultado direto de ambientes de trabalho mal estruturados.
“A hiperconectividade, a pressão permanente e a ausência de limites criaram um estado de alerta contínuo. Corpo e mente não conseguem desligar. Isso impacta produtividade, segurança, engajamento e resultados”, afirma.
Segundo a especialista, empresas que desejam reduzir o risco de esgotamento precisam ir além de ações simbólicas e rever, de forma prática, a forma como organizam o trabalho. A partir de sua atuação em gestão de pessoas e educação executiva, Edwiges aponta cinco frentes essenciais de cuidado:
·
Treinar lideranças para
reconhecer sinais de burnout
Gestores precisam aprender a identificar queda de rendimento, irritabilidade, isolamento e exaustão antes que o problema vire afastamento. “O líder é a primeira linha de cuidado. Quem não sabe ler o estado emocional do time acaba adoecendo pessoas sem perceber”, diz.
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Criar limites claros de
jornada e disponibilidade
Políticas de desconexão, controle de horas extras e respeito aos horários de descanso são medidas simples e altamente protetivas. “Descanso não é luxo. É uma condição para que o cérebro funcione bem”, afirma.
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Ajustar metas e cargas
de trabalho à realidade
Metas inalcançáveis e escopos mal definidos são gatilhos diretos de ansiedade e esgotamento. “Clareza reduz estresse. Ambiguidade gera ansiedade. Performance saudável depende de expectativas realistas.”
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Estruturar canais de
escuta e apoio psicológico
Rodas de conversa, atendimentos especializados e canais de escuta reduzem o estigma e evitam que o sofrimento se torne invisível. “Pessoas que se sentem escutadas adoecem menos”, destaca.
Para Edwiges, o cuidado não pode ficar restrito a campanhas como o Janeiro Branco. “Saúde emocional precisa estar no modelo de gestão, no estilo de liderança e nas políticas do dia a dia. Caso contrário, vira só marketing.”
Nesse contexto, o RH assume um papel estratégico ao atuar como guardião da cultura e da sustentabilidade humana do negócio, conectando desempenho, bem-estar e retenção de talentos.
Para a especialista, o
Janeiro Branco deve ser encarado como um marco de transformação. “Burnout gera
colapso. Empresas que cuidam das pessoas são mais produtivas, mais inovadoras e
mais resilientes. Saúde mental não é custo, é estratégia.”
RS Serviços
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