Especialistas
mapeiam os pilares que vão definir o mercado em 2026, destacando a transição
para sistemas independentes e o novo papel da liderança na supervisão de
algoritmos
Se os últimos anos foram marcados pelo
deslumbramento com as capacidades generativas, o cenário para 2026 aponta para
uma era de integração profunda. Segundo o Gartner, estima-se que mais de 80%
das empresas utilizarão APIs ou modelos de IA generativa em seus ambientes de
produção até o próximo ano, um salto gigantesco ante os 5% de 2023. Neste novo
cenário, a tecnologia deixa de ser uma aposta para se tornar o sistema nervoso
central das operações, impulsionando da hiperpersonalização à automação de
decisões complexas.
No entanto, a onipresença da IA em 2026 impõe um
paradoxo: quanto mais autônomos os sistemas se tornam, maior é o valor do
discernimento humano.Não se trata mais apenas do que a IA pode fazer, mas de
como a inteligência humana deve conduzi-la para gerar valor sustentável. O
mercado passa a exigir não só eficiência técnica, mas respostas claras sobre
ética, segurança e o papel das pessoas nesse novo ecossistema. Para desenhar
esse panorama, convidamos especialistas para compartilhar as tendências que
definirão o próximo ano.
Para Caroline
Capitani, VP de estratégia e inovação
da ilegra, 2026 marca a transição da Inteligência
Artificial de assistentes de chat para uma era de ação autônoma. “O diferencial
competitivo será dominar sistemas multi-agentes capazes não apenas de sugerir,
mas de negociar e executar tarefas complexas de forma independente. Essa
autonomia traz um novo imperativo estratégico: a confiança. A procedência
digital deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a ser um ativo central
de marca. Vencerão as empresas que garantirem a integridade e a rastreabilidade
de cada interação. Em um ecossistema de decisões automatizadas, a confiança não
é mais um subproduto, mas o alicerce central da relação entre marcas e
consumidores”, finaliza.
Já no setor de criação de conteúdo, Igor Coelho, CEO do Grupo
Flow, projeta que
o avanço da inteligência artificial não resultará em um abandono do que
conhecemos, mas sim em uma “adaptação para o real”. Para ele, o mercado vive um
ciclo de transformação onde a identidade humana não é substituída, mas sim
ressignificada como o ativo central de confiança. “A característica mais
valiosa para os criadores nos próximos anos será a autenticidade, impulsionada
pelo grande volume de materiais sintéticos. Plataformas como o Youtube, por
exemplo, já estabelecem regras criteriosas para restringir a monetização de
conteúdos feitos por IA. Em 2026, o diferencial competitivo de um criador ou de
uma marca será a profundidade da conexão humana que a IA, por definição, não
consegue replicar”, comenta.
Na avaliação de René Abe, CEO da Tensec
Brasil, em 2026, a inteligência artificial deixará de ser
apenas protagonista tecnológica para se tornar um espelho corporativo. “Em meio
à avalanche de ferramentas e promessas, muitas empresas se veem paralisadas
pela abundância de escolhas. A vantagem competitiva não estará em adotar tudo,
mas em decidir com clareza: definir um objetivo, escolher o que faz sentido e
usar a IA como meio, não como fim. O algoritmo pode decidir, mas é a empresa
que responde”, alerta.
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