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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Verão, piscina e mar: por que as otites aumentam e como evitá-las, segundo especialistas

Com a combinação de calor intenso, umidade e mais horas dentro d’água, cresce o número de atendimentos por otite externa, a chamada otite de verão. Especialistas explicam sintomas, riscos e o que fazer para prevenir o problema que afeta principalmente crianças.

 

Com a chegada das temperaturas mais altas, praias e piscinas passam a fazer parte da rotina de adultos e crianças. Mas, junto com o lazer, cresce também a procura por atendimento médico por conta da chamada otite de verão, inflamação no canal auditivo que se torna mais comum nesta época.

“A água entra no ouvido, não seca totalmente e deixa a pele úmida por muito tempo. Isso favorece pequenas fissuras no canal auditivo que facilitam a entrada de bactérias e fungos”, explica a otorrinolaringologista Dra. Maura Neves, médica da USP.

Segundo a otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla, membro da ABORL-CCF, a situação piora quando há trauma local provocado pela introdução de objetos.
“Muita gente coloca cotonete, palito ou até tampa de caneta para ‘coçar’. Isso machuca, remove a cera que é um mecanismo de proteção e aumenta muito o risco de infecção”, destaca.

Além disso, condições como eczema, alergias, psoríase e descamação do conduto auditivo também predispõem à otite externa.
 

Os sinais mais frequentes incluem:

  • Sensação de ouvido tampado
  • Redução da audição
  • Dor aguda
  • Zumbido
  • Tontura
  • Febre

“Em geral, a perda auditiva é temporária, mas, em quadros mais graves, pode ocorrer perfuração do tímpano, o que prolonga os sintomas”, alerta Dra. Maura.

O tratamento da otite externa deve ser feito sempre com um otorrinolaringologista, que prescreverá as medicações corretas. Em muitos casos, recomenda-se evitar mar e piscina por cerca de 10 dias.

Já a falta de tratamento adequado pode gerar complicações. “Pode ocorrer infecção mais profunda, comprometimento da cartilagem, dor intensa e até sequelas auditivas, como zumbido persistente”, afirma Dra. Roberta.

Segundo as especialistas, pequenas atitudes evitam a maioria dos casos:

  1. Seque suavemente a orelha com a ponta de uma toalha após nadar.
  2. Se sentir água presa, incline a cabeça para o lado e encoste a orelha na toalha.
  3. Se houver secreção escura ou amarelada, procure um otorrino imediatamente.
  4. Nunca use cotonete dentro do ouvido. Ele serve apenas para limpar a parte externa.
  5. Evite coçar o ouvido com objetos. Em crianças, redobre a atenção.
  6. Não use gotas caseiras. Apenas o médico pode indicar o tratamento correto.

 


Dra. Maura Neves – Otorrinolaringologista. Formação: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Residência médica em Otorrinolaringologia no Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF. Doutorado pelo Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP


Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022). 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF
. Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo).


Ano novo, proteção renovada: faça seu check-up vacinal para começar 2026 em di

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Com a baixa adesão às vacinas e o aumento previsto de casos de dengue, renovar a proteção se torna urgente; veja as recomendações do diretor médico da Saúde Livre Vacinas para começar o ano protegido

 

Todo começo de ano traz aquele impulso de “cuidar mais da saúde” — e atualizar a vacinação da família deveria entrar nessa lista. Isso porque a cobertura vacinal no Brasil segue em queda. O Anuário VacinaBR 2025, do Instituto Questão de Ciência (IQC) com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mostra que nenhuma vacina infantil atingiu as metas do PNI em todos os estados em 2023, apesar da leve recuperação iniciada em 2022.

“Manter a caderneta em dia é importante em qualquer idade. A imunidade muda, os vírus também e checar as vacinas é o primeiro passo para evitar contrair e transmitir doenças. Quem deseja um 2026 mais saudável deve aproveitar o verão para se imunizar, já que o calor e as chuvas intensas favorecem o aumento dos casos de dengue”, alerta o Dr. Fábio Argenta, sócio-fundador e diretor médico da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização.

E a preocupação é real: a dengue deve permanecer em patamar elevado em 2026. Uma projeção entregue ao Ministério da Saúde estima 1,8 milhão de casos na próxima temporada. Os números vêm do InfoDengue–Mosqlimate Challenge, iniciativa que reuniu 52 pesquisadores de 15 equipes ao redor do mundo para desenvolver modelos preditivos que ajudem o país a enfrentar a arbovirose.

Em todos os cenários, vacinar-se é mais do que um gesto individual, é um compromisso coletivo. Quando grande parte da população está imunizada, a circulação de vírus diminui, protegendo especialmente com bebês, idosos e pessoas imunocomprometidas. É também uma das estratégias mais eficazes para evitar surtos e epidemias de doenças que podem ser prevenidas.

Para um ano novo com mais saúde, Dr. Argenta organizou uma lista das vacinas que merecem sua atenção. Vamos conferir?

  • Qdenga - Indicado para pessoas de 4 a 60 anos, independentemente de terem tido dengue antes ou não. Ela protege contra os quatro sorotipos do vírus da doença e é aplicada em um esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
  • Gripe (Influenza) - Oferece proteção contra as cepas sazonais do vírus, reduzindo o risco de contrair a doença durante a viagem. É recomendada a partir de 6 meses de vida e sem limite máximo de idade. Para crianças entre 6 meses a 8 anos, 11 meses e 29 dias, na primeira vacinação, recomendam-se duas doses, com intervalo de 30 dias entre elas.
  • COVID-19 - As vacinas contra o coronavírus são indicadas para todas as pessoas a partir de 6 meses de idade, com esquemas vacinais recomendados de acordo com a idade e fase da vida, como a vacinação de rotina para crianças não vacinadas ou com esquema incompleto e doses de reforço. 
  • dTpa - Indicada como reforço contra difteria, tétano e coqueluche para crianças a partir de 4 anos, além de adolescentes e adultos. É especialmente recomendada para gestantes, garantindo proteção passiva ao recém-nascido, e para pessoas que convivem com bebês: familiares, cuidadores e todos que estão por perto dos pequenos.
  • Herpes Zoster - Recomendada para adultos a partir de 50 anos e para pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos. Também deve ser aplicada em quem já teve herpes zoster ou recebeu a vacina antiga (Zostavax). Para quem nunca teve catapora, é necessário primeiro receber a vacina contra a varicela.


Saúde Livre Vacinas


Diretriz da OMS sobre GLP-1 reacende debate: Uso crescente das “canetas emagrecedoras” exige cautela e abordagem integrada

Getty Images  
Endocrinologista do CEJAM reforça que medicamentos à base de GLP-1 não substituem mudança de hábitos e acompanhamento clínico contínuo 

 

A expansão do uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Mounjaro, tem ampliado o debate sobre medicalização, segurança e limites terapêuticos no tratamento da obesidade no Brasil. Impulsionada pela popularidade entre influenciadores e pelo apelo de resultados rápidos, a busca por esses fármacos cresce de forma acelerada, enquanto especialistas reforçam a necessidade de critérios e acompanhamento especializado.

Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) mostram que a prescrição dessas medicações mais que dobrou nos últimos dois anos. Para profissionais da área, esse movimento revela um descompasso entre o aumento do consumo e a adoção de práticas clínicas adequadas, considerando que a obesidade é uma condição multifatorial que demanda abordagem integrada e sustentada.

A endocrinologista Dra. Patrícia Zach, do Hospital Dia Campo Limpo, unidade gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, explica que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, atua simultaneamente nos receptores GIP e GLP-1, contribuindo para controle da glicemia, maior saciedade e melhora de parâmetros metabólicos. O medicamento também retarda o esvaziamento gástrico, favorecendo a redução da ingestão alimentar.

Embora eficazes dentro das indicações estabelecidas, esses fármacos podem provocar efeitos adversos importantes quando utilizados sem supervisão médica ou por pessoas que não se enquadram nos critérios clínicos previstos. Entre os eventos observados, estão náuseas, vômitos, constipação, diarreia, dor de cabeça, reações locais e risco aumentado de pancreatite. A médica também cita reações alérgicas graves, emagrecimento excessivo, queda de cabelo e o efeito sanfona, sobretudo na ausência de mudanças de hábitos.

Dra. Patrícia chama atenção para grupos com maior vulnerabilidade. “Pessoas com histórico de transtornos alimentares podem ter recaídas com o uso desregulado dessas substâncias. A principal preocupação nesses casos é a recidiva de quadros como anorexia”, afirma.

Para a especialista, o uso racional dessas terapias envolve um plano terapêutico contínuo, análise detalhada do histórico clínico e consideração de fatores emocionais e sociais do paciente. “Não existe tratamento milagroso. Cada caso é individual e exige compreensão da dinâmica de vida do paciente”, explica.

Com mais de 22% da população adulta vivendo com obesidade, a médica destaca que esses medicamentos podem ser aliados, mas não substituem estratégias centrais do tratamento, baseadas na mudança sustentável do estilo de vida. “As alternativas prioritárias continuam sendo as modificações de hábitos. Não há sucesso terapêutico sem esse componente, e a atuação de uma equipe multidisciplinar é essencial”, defende.

Ela reforça ainda a necessidade de políticas públicas mais robustas voltadas à prevenção. Para a endocrinologista, iniciativas estruturantes, como estímulo à alimentação saudável e desincentivo ao consumo de alimentos ultraprocessados, são fundamentais para enfrentar o avanço da obesidade no país. “​​Quando se fala em saúde coletiva, precisamos não só tratar a consequência, que é o aumento do peso, mas tratar a causa. Aqui entra a mudança de hábitos que levam à obesidade, bem como políticas de saúde pública que visem, por exemplo, a redução do preço dos alimentos saudáveis e o aumento do preço de alimentos processados e industrializados, como já acontece no México”, afirma.

Diante de um cenário marcado por desinformação e promessas de resultados imediatos, a orientação profissional permanece, segundo a médica, como o caminho mais seguro. “Obesidade não é falta de vontade. A abordagem deve ser individualizada, baseada em evidências e conduzida com empatia”, conclui. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial



04/12, Dia do Orientador Educacional: profissional prepara as novas gerações para o futuro


 Em escolas de educação básica e bilíngue, atuação tem como foco o desenvolvimento emocional, acadêmico e profissional dos alunos


Celebrado em 4 de dezembro, o Dia do Orientador Educacional homenageia um dos profissionais mais estratégicos da escola na atualidade. Em um mundo em que profissões surgem e desaparecem rapidamente, competências mudam com velocidade e as crianças e jovens crescem em meio a altos níveis de ansiedade, os orientadores educacionais tornam-se fundamentais para apoiar estudantes e famílias na construção de caminhos acadêmicos, socioemocionais e carreiras consistentes.
 

O que faz um orientador educacional? 

O orientador educacional é o profissional responsável por acompanhar a trajetória acadêmica, emocional e social dos estudantes, atuando como mediador entre alunos, famílias e escolas. Sua função envolve apoiar o desenvolvimento integral dos jovens, promover uma convivência harmônica, identificar necessidades individuais, orientar escolhas acadêmicas e profissionais e contribuir para a construção de projetos de vida. 

Para desempenhar bem esse papel, o orientador educacional precisa reunir competências como escuta ativa, empatia, comunicação clara, inteligência emocional, postura acolhedora, capacidade de mediação de conflitos, visão pedagógica, pensamento crítico e sensibilidade para compreender diferentes realidades, interesses e contextos familiares. 

Muito além da resolução de conflitos, esse profissional também acompanha o desenvolvimento integral dos estudantes, ajuda a interpretar emoções, orienta escolhas, media expectativas familiares e atua como ponte entre currículo, aprendizagem e projeto de vida. “É essa combinação de habilidades humanas e conhecimento técnico que permite ao orientador criar ambientes seguros, fortalecer vínculos e favorecer aprendizagens significativas”, explica Ana Júlia Nunes Gonzalez, orientadora educacional do colégio Progresso Bilíngue Taquaral, de Campinas/SP.
 

O profissional é ainda um agente de construção de identidade, propósito e autonomia. “O orientador educacional ajuda os estudantes a compreenderem suas emoções, interesses e responsabilidades. É um trabalho de formação humana, que incentiva o autoconhecimento, equilíbrio e capacidade de fazer escolhas conscientes. Quando o aluno se sente acolhido, ele aprende melhor, relaciona-se melhor e cresce com propósito”, afirma Ana Júlia. No Progresso, o trabalho de orientação inclui conversas individuais, feiras de profissões, contato com especialistas e reflexões sobre interesses e habilidades. O foco é que o estudante construa um projeto de vida sólido, seja voltado à universidade, ao mercado de trabalho ou ao empreendedorismo, com autonomia e propósito.
 

Apoio socioemocional
 

Para Carlos Augusto Lima, orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP, o papel do orientador educacional tornou-se essencial em um cenário em que crianças e adolescentes enfrentam sobrecarga de estímulos, comparações constantes, ansiedade e pressão por desempenho. Segundo ele, o trabalho começa pela escuta ativa e pela construção de vínculos genuínos, que permitem identificar sinais emocionais muitas vezes invisíveis à família ou ao próprio aluno.
 

“O orientador educacional é quem acolhe, observa e compreende o estudante para além do aspecto acadêmico. Atuamos na mediação de conflitos, na promoção da convivência ética e no desenvolvimento de habilidades como empatia, autorregulação e resiliência. É um trabalho diário de apoio emocional que ajuda o aluno a se conhecer, lidar com frustrações e construir segurança interna. Sem esse cuidado, a aprendizagem não se sustenta”, explica.
 

No BIS, esse acompanhamento socioemocional aparece em práticas como rodas de conversa, orientação individual, intervenções preventivas e projetos de autoconhecimento, que ajudam cada aluno a entender emoções, reconhecer forças e desenvolver equilíbrio em sua rotina escolar.
 

Personalização do ensino
 

Em um momento em que as escolas buscam adaptar o currículo às necessidades, interesses e planos de vida de cada estudante, o orientador educacional assume um papel estratégico para tornar a personalização do ensino realmente efetiva. É ele quem identifica o perfil de cada aluno, compreendendo suas habilidades, aspirações, ritmos de aprendizagem e áreas de desenvolvimento, para então articular com a equipe pedagógica as melhores oportunidades dentro do currículo flexível, seja em itinerários formativos, projetos interdisciplinares, disciplinas optativas ou atividades de aprofundamento.
 

Segundo Samuel Ferreira Gama Junior, orientador de carreiras da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), essa mediação cuidadosa é o que transforma possibilidades acadêmicas em escolhas conscientes e sustentáveis.
 

“Personalizar o ensino significa oferecer caminhos, mas também ajudar o aluno a entender quem ele é e como pode aproveitar essas oportunidades. O orientador faz essa ponte: escuta, analisa e orienta, para que cada estudante construa um percurso alinhado aos seus interesses, às competências que deseja desenvolver e aos seus projetos de vida. Quando escola, família e aluno caminham juntos, as escolhas deixam de ser aleatórias e passam a ser intencionais e significativas”, afirma.
 

Na Aubrick, esse trabalho inclui mentorias individuais, discussões sobre projeto de vida, acompanhamento contínuo de desempenho, preparação para exames internacionais, além de projetos interdisciplinares que estimulam investigação, criatividade e protagonismo. Com o apoio do orientador, esses elementos deixam de ser apenas recursos pedagógicos e se transformam em uma trilha personalizada que fortalece tanto o desenvolvimento acadêmico quanto o socioemocional de cada estudante.
 

Preparação para escolhas de futuro: universidade, carreira ou empreendedorismo
 

Em um cenário profissional marcado pela incerteza no futuro e pelo uso crescente da Inteligência Artificial, o papel do orientador educacional torna-se ainda mais decisivo. Na Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), esse trabalho começa pelo entendimento profundo do estudante, suas forças, talentos, valores, interesses e ritmos de aprendizagem, para que ele possa construir um caminho de futuro que faça sentido para quem ele é hoje e para quem deseja se tornar.
 

Segundo a psicóloga, pedagoga e gestora da EIA, Ana Claudia Favano, o desafio não é direcionar escolhas, mas ampliar perspectivas, oferecendo ao aluno ferramentas para avaliar possibilidades como ingresso em universidades no Brasil ou no exterior, construção de carreira em áreas tradicionais ou emergentes e até a opção por trilhas de empreendedorismo, sempre alinhadas ao seu projeto de vida.
 

“Nosso papel é ajudar cada estudante a reconhecer seu perfil e suas aspirações, para que tome decisões consistentes e conscientes. Alguns se identificam com carreiras acadêmicas, outros com áreas tecnológicas, criativas ou científicas, e muitos descobrem vocação para empreender. A orientação educacional organiza esse processo: amplia o repertório, conecta oportunidades e dá segurança para que o jovem escolha seu caminho com clareza e propósito”, explica.
 

Na EIA, essa preparação inclui programas de desenvolvimento individual, construção de portfólios pessoais, mentorias especializadas, simulações acadêmicas e experiências que aproximam o aluno de diferentes áreas profissionais. Combinado ao currículo internacional e ao trabalho socioemocional contínuo, o orientador garante que cada estudante tenha suporte para transformar seus objetivos em trajetórias concretas, seja na universidade, no mercado de trabalho ou na criação dos próprios projetos.
 


 

Ana Claudia Favano - fundadora e atual gestora da Escola Internacional de Alphaville. É psicóloga; pedagoga; educadora parental pela Positive Discipline Association/PDA, dos Estados Unidos; e certificada em Strength Coach pela Gallup. Especialista em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva, Convivência Ética e Dependência Digital. Dedicada à leitura e interessada por questões morais, éticas, políticas, e mobiliza grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.
 

Ana Julia Nunes Gonzalez - pedagoga formada pela PUC-Campinas e pós-graduada em Psicologia Escolar pela PUC-RS. Possui experiência docente em todos os segmentos da educação básica com ensino bilíngue. Atualmente atua como orientadora educacional do 9º ano e Ensino Médio, acompanhando o desenvolvimento acadêmico e socioemocional dos alunos e fortalecendo a parceria entre escola e família. Também lidera o pilar Future Pathways, que tem como propósito preparar os jovens para suas trajetórias acadêmicas e profissionais, desenvolvendo competências e promovendo, junto às famílias, escolhas conscientes sobre o futuro.

 

Carlos Augusto Lima - Doutor em Educação Matemática e mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP, pós-graduado em Psicopedagogia. Avaliador do PNLD, autor de livros, artigos, capítulos e organizador de livros. Atua desde 1989 na área da educação. Coordenador de curso desde 2011 em escolas da rede privada. É orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo, capital.
 

Samuel Gama - mestre em Educação (University of Chichester, UK), pós-graduado em Psicopedagogia (Instituto Singularidades); e bacharel em Língua e Literatura Portuguesa e Inglesa (Faculdades Metropolitanas Unidas) e Administração (The University of British Columbia, Canadá). Com mais de 15 anos de experiência, já ocupou cargos de gestão acadêmica, além de ter atuado como mentor de professores e formador em inovação pedagógica e examinador internacional do British Council. É conselheiro universitário de carreiras e orientador educacional do Ensino Médio na Escola Bilíngue Aubrick.


São Paulo conquista liderança nacional em Saúde e Educação no ranking de melhores cidades para negócios

Capital paulista venceu em duas categorias estratégicas no estudo "Melhores Cidades para Fazer Negócios 2025", da Urban Systems. Anúncio ocorreu durante fórum que debateu a explosão de PPPs sociais e investimentos de R$ 300 bilhões no país

 

A cidade de São Paulo foi eleita o melhor ambiente de negócios do Brasil nos setores de Saúde e Educação. A dupla conquista integra o ranking "Melhores Cidades para Fazer Negócios 2025", estudo elaborado pela consultoria Urban Systems e divulgado com exclusividade durante a edição deste ano do Fórum Exame Infraestrutura, realizada na capital paulista nesta terça-feira (2). 

O reconhecimento da metrópole como polo atrator nestes segmentos ocorre em um momento de transformação no modelo de investimentos públicos. Durante o evento, especialistas apontaram a infraestrutura social (que engloba a gestão de escolas e hospitais) como uma das grandes tendências para os próximos anos. Segundo dados da Radar PPP apresentados no fórum, o ano de 2025 deve registrar oito vezes mais leilões neste segmento do que o ano de 2021, com um pipeline estimado em R$ 120 bilhões em projetos. 

A liderança de São Paulo insere-se em um contexto de otimismo para o setor de infraestrutura nacional. O Fórum projetou que o Brasil deve ultrapassar a marca de R$ 300 bilhões em investimentos em 2026. Desse total, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) estima que R$ 250 bilhões virão da iniciativa privada, reforçando a importância de ambientes de negócios sólidos como o da capital paulista para atrair esse capital. 

O estudo da Urban Systems avaliou indicadores de diversas cidades, premiando também Camaçari (BA) na Indústria, Rio de Janeiro (RJ) no Comércio e Belo Horizonte (MG) na Construção Civil. 

O Fórum Exame Infraestrutura 2025, realizado no BTG Pactual Advisors, reuniu autoridades da ANTT, BNDES e executivos de grandes empresas para debater a segurança jurídica e a execução de contratos. O evento contou com patrocínio de Tim, Copasa, Governo de Minas Gerais e Marcopolo.


Imposto de Renda: quem ganha até R$ 5 mil realmente ficará isento? Quando isso deve acontecer? Especialista tira essa e outras dúvidas

 Nova regra entra em vigor em 2026 e promete aliviar a carga tributária da classe média, mas vem acompanhada de mudanças importantes na tributação de dividendos e de altas rendas.

 

A promessa do governo de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês tem gerado expectativa, mas também dúvidas entre trabalhadores, empresários e profissionais liberais. Afinal, quem realmente será beneficiado? Quando a regra começa a valer? E como ficam os dividendos e as altas rendas? 

Para esclarecer os principais pontos da reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física, ouvimos o contador tributarista e professor universitário André Charone, mestre em negócios internacionais e referência em planejamento tributário. 

“A grande armadilha é achar que a isenção vale imediatamente. Ela só passa a valer a partir de janeiro de 2026, com reflexos na declaração entregue em 2027”, explica Charone.

 

O que vale agora em 2025 

Atualmente, em 2025, a isenção do Imposto de Renda na folha de pagamento chega, na prática, a quem recebe até dois salários mínimos (R$ 3.036 por mês), graças à combinação da faixa isenta da tabela com o desconto simplificado mensal. 

“Muita gente já não paga imposto na fonte hoje, mas isso acontece por um mecanismo técnico da tabela. A isenção formal até R$ 5 mil ainda não está em vigor”, destaca Charone. 

A tabela progressiva continua com alíquotas de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%, aplicadas sobre quem ultrapassa esse limite.

 

O que muda a partir de 2026 

A grande virada vem a partir de janeiro de 2026, quando entra em vigor a nova regra aprovada pelo Congresso. Na prática: 

• Quem ganhar até R$ 5.000 por mês ficará isento de Imposto de Renda;

• Quem ganhar entre R$ 5.000 e R$ 7.350 terá um desconto parcial, pagando menos imposto;

• Acima desse valor, passa a valer a tabela cheia, como já existe hoje. 

“Não é que criaram uma nova tabela do zero. O governo criou um redutor que zera ou diminui o imposto para essas faixas. Na prática, o trabalhador sente o alívio no bolso”, explica Charone.

 

Isento de pagar não significa isento de declarar 

Um erro comum é confundir isenção de imposto com dispensa da declaração. Segundo André Charone, isso pode gerar problemas com a Receita Federal. 

“A pessoa pode não pagar imposto, mas ainda assim ser obrigada a declarar, seja por patrimônio, movimentações bancárias, investimentos ou outras regras da Receita. Isso não muda automaticamente com a nova isenção”, alerta.

 

Dividendos passam a pagar imposto em alguns casos 

A reforma também mexe em um dos pontos mais sensíveis do sistema tributário brasileiro: os dividendos.

A partir de 2026:

• Dividendos até R$ 50 mil por mês, por empresa, continuam isentos;

• Valores acima disso passam a sofrer retenção de 10% de Imposto de Renda;

• Para quem mora no exterior, a tributação de 10% passa a ser regra.

“O governo tentou compensar a isenção da classe média com uma tributação maior sobre rendas elevadas e dividendos muito altos. É uma mudança estrutural no modelo brasileiro”, analisa Charone.

 

Imposto mínimo para super-ricos 

Outro ponto relevante é a criação de um imposto mínimo para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano. A alíquota efetiva pode chegar a 10% sobre a renda total, considerando salários, lucros, aluguéis, dividendos e rendimentos financeiros.

“Na prática, a Receita passa a verificar se a pessoa muito rica não está pagando imposto demais ou de menos em relação à sua renda total. Se estiver abaixo do mínimo, ela complementa”, explica.

 

Quem realmente ganha com a mudança 

Na avaliação de André Charone, o maior ganho está na renda do trabalhador formal.

“Essa mudança beneficia diretamente quem vive de salário. Professores, técnicos, profissionais da saúde, servidores, trabalhadores da iniciativa privada. É um alívio importante para a classe média”, avalia.

Por outro lado, empresários e investidores precisarão rever estratégias.

“Quem recebe altos dividendos vai precisar se planejar melhor, porque a lógica da isenção irrestrita acabou”, afirma.

 

Quando o contribuinte sentirá o efeito no bolso

• Janeiro de 2026: começa a valer a nova regra na folha de pagamento;

• Em 2027: essas mudanças aparecem na declaração do Imposto de Renda referente a 2026.

Até lá, as regras atuais continuam valendo para salários, pró-labore, autônomos e pessoas físicas em geral.

 

Alívio ou risco fiscal? 

Para Charone, o desafio do governo será manter o equilíbrio das contas públicas.

“A isenção até R$ 5 mil é socialmente positiva, mas precisa ser acompanhada de responsabilidade fiscal. Caso contrário, o custo volta para o próprio cidadão via inflação, juros e endividamento”, conclui.  



André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/
e digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone


Férias de fim de ano: Nordeste é o destino mais procurado por brasileiros

 

Com a chegada das férias escolares e o clima de celebração de fim de ano, os viajantes brasileiros já definem seus destinos preferidos para dezembro e janeiro. Segundo levantamento realizado pela Booking.com, o Brasil é o país mais buscado globalmente por turistas que planejam viajar no período de 20 de dezembro de 2025 a 3 de janeiro de 2026. O resultado representa um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando a atratividade nacional para o turismo de lazer, especialmente durante as celebrações de Natal e Réveillon. 

No ranking nacional de buscas, Porto de Galinhas (PE) teve um crescimento de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior; Maceió (AL), com alta de 29%. A Pera Turismo, agência de viagens do Grupo Pereira, também observa que o Nordeste segue na liderança nas buscas e reservas nessas cidades, além de Fortaleza (CE). 

Além dos destinos praianos, cidades do Sul, como Gramado (RS) e Balneário Camboriú (SC), também aparecem entre as favoritas, especialmente para quem busca clima ameno, gastronomia e atrações temáticas de Natal. 

No cenário internacional, Buenos Aires e Santiago são os destinos mais procurados para viagens de curta duração. A proximidade, o câmbio mais favoráveis e a variedade de experiências culturais tornam as duas capitais escolhas estratégicas para famílias e casais durante o recesso. 

“Temos observado uma procura crescente por destinos que combinam bom custo-benefício, infraestrutura completa e atividades para todas as idades. O Nordeste se mantém no topo por oferecer praias espetaculares e excelente oferta de hotéis, enquanto Gramado e Balneário Camboriú seguem fortes por conta do calendário de eventos. No internacional, Buenos Aires e Santiago se destacam como opções acessíveis e com voos rápidos, ideais para as férias escolares”, afirma Mayra Pereira, gerente nacional da Pera Turismo, que conta com unidades no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, além de atendimento online para clientes de qualquer região.


Instruções x linhas de código: A revolução do desenvolvimento guiado por linguagem natural


Criar aplicações completas apenas com comandos em linguagem natural, sem depender da codificação tradicional. É o que promete a Salesforce com a nova feature do ecossistema Agentforce, o Vibes. Trata-se de um grande avanço para desenvolvedores e, para quem vive o dia a dia de arquiteturas de tecnologia, essa novidade representa um divisor de águas rumo a um futuro em que a barreira entre intenção e execução técnica fica cada vez mais tênue. Mais do que isso: essa inovação representa um salto significativo na democratização do desenvolvimento de software, tornando a criação de soluções tecnológicas acessível a um público muito mais amplo.

 

O Agentforce Vibes foi um dos destaques que vi no Dreamforce 2025, realizado no mês em San Francisco (EUA). Mas não foi o único: a feature é parte de uma expansão significativa do ecossistema de agentes de Inteligência Artificial (IA) dentro da plataforma Salesforce. Ficou claro que a empresa levou os agentes a um novo estágio, conectando-os de ponta a ponta em todas as nuvens – Sales, Service, Marketing, Industries, Data e até Mulesoft. Essa integração reforça a visão de um “Enterprise Agentic” (“Empresa Agêntica”): agentes capazes de atuar simultaneamente na análise de dados, automação de jornadas e execução operacional, sempre ancorados por camadas robustas de segurança e governança.

 

Ao observar essas novidades com o olhar de quem implementa soluções complexas para clientes, noto que o impacto imediato está na velocidade. O Vibes acelera a construção de fluxos, automações e aplicativos; já os agentes conectados ao Data Cloud (agora Data 360, sim, eles rebatizaram novamente) elevam a capacidade de recomendação e previsão. Isso significa que, a curto prazo, empresas podem acelerar entregas internas; a médio prazo, poderão redesenhar processos inteiros; e a longo prazo, caminham para experiências realmente preditivas, com decisões tomadas quase em tempo real.

 

No universo de CX e UX, as possibilidades são igualmente transformadoras. Agentes de IA conectados ao comportamento do usuário podem gerar insights instantâneos: recomendar ofertas com base no que o cliente está fazendo naquele exato momento no aplicativo, sugerir o melhor próximo passo para uma venda complexa ou antecipar problemas de atendimento antes que se tornem chamados. Tudo isso sem exigir que o usuário perceba a complexidade por trás da operação. O Agentforce atua como uma camada invisível que torna cada interação mais fluida, relevante e contextual.

 

Para os times de atendimento, especialmente em ambientes Salesforce Service Cloud, o salto também é expressivo. Agentes conseguem “ouvir” conversas em tempo real, identificar o contexto e oferecer sugestões precisas ao agente humano – desde informações sobre o cliente até respostas recomendadas e próximos passos baseados em dados históricos. É como trabalhar ao lado de um assistente incansável, sempre atento e alinhado às políticas da empresa graças ao Trust Layer, que garante guardrails rígidos para evitar alucinações e decisões indevidas.

 

Do ponto de vista da integração, o papel de Mulesoft ganha força. Agentes agora ajudam a orquestrar fluxos entre sistemas, sugerem correções quando detectam picos de erro em APIs e contribuem para uma governança mais inteligente. A Salesforce evoluiu sua proposta para um estado “near real time”, permitindo que dados capturados no app ou no site alimentem decisões dinâmicas – algo essencial para empresas de telecom, seguros, bancos ou qualquer setor onde a jornada digital é contínua.

 

Mas, talvez, o ponto mais estratégico para os próximos anos seja a democratização do desenvolvimento. O Vibes, por exemplo, permite que profissionais de negócio descrevam suas intenções e obtenham aplicações funcionais em minutos. Isso não elimina equipes técnicas, mas redefine seu papel. Consultorias e especialistas continuarão essenciais para conectar estratégia, requisitos e arquitetura. Porém, com um salto de produtividade comparável à passagem da programação em baixo nível para linguagens modernas como Python. É um momento de reorganização, não de substituição.

 

Olhando pela perspectiva do consumidor final, o impacto é direto e inevitável. A promessa é de produtos e serviços mais personalizados, atendimentos mais rápidos, experiências mais intuitivas e serviços digitais que aprendem com o comportamento de cada cliente, em um mundo onde a tecnologia finalmente cumpre a promessa de colocar verdadeiramente o cliente no centro das operações empresariais. Do banco ao varejo, passando por seguros e telecom, todos devem sentir nos próximos anos essa evolução gradual – primeiro com interação assistida, depois com jornadas automatizadas e, finalmente, com experiências verdadeiramente inteligentes e proativas.

 

Cabe aos executivos de tecnologia aceitarem o desafio atual, que envolve menos sobre capacidade tecnológica e mais sobre governança de dados, mudança cultural e redesenho de processos. É esta a fundação para a próxima década do CRM.

 

Marco Silva e Silva - diretor-executivo da GFT Tecnologies no Brasil


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).  

Alguns o acusavam, contudo, de empregar linguagem excessivamente erudita, não acessível pelo cidadão comum. O anedotário popular de sua época, captando a distância entre o falar de Rui e o do povo, criou um encontro imaginário entre ele e um ladrão, que havia pulado o muro de sua casa para roubar alguns de seus patos:

– Rui: “Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.”

E o ladrão, confuso, replica – "Dotô, eu levo ou deixo os pato?"

A administração pública em geral, e o Poder Judiciário em especial, fazem uso (em tese...) da língua culta, caracterizada pela precisão vocabular, clareza, correção gramatical e respeito às regras ortográficas e sintáticas. Esta, contudo, JAMAIS deve ser confundida com linguagem empolada, que muito mais confunde do que esclarece, como no referido exemplo jocoso.

O Brasil está em falta com o povo também no quesito comunicação. E é por isso que, em muito boa hora, a Lei n.º 15.263, de 14 de novembro de 2025, instituiu a Política Nacional de Linguagem Simples, que obriga a administração pública (no sentido mais amplo, nos Três Poderes), em todos os entes federativos, a se comunicar com a população de forma clara, direta e compreensível. O objetivo da lei é altamente louvável e deve ser celebrado. A sua implementação, todavia, enfrentará naturais desafios.

Isso porque o Estado brasileiro foi criado à imagem e semelhança da matriz bacharelesca e formalista portuguesa. A comunicação adotada pelos órgãos de estado, especialmente nos ambientes jurídicos e administrativos, tem sido pautada (em tese…) pela língua culta e por excessivo formalismo, acessível por uma pequena parcela da população.

Quando o povo não é capaz de entender e usar as informações publicadas pelos órgãos e entidades da administração pública, algo elementar se rompe. Ele desconhece seus direitos e obrigações, não participa das discussões públicas relevantes, não fiscaliza, não exerce a cidadania.

A nova lei impõe aos Poderes de cada ente federativo definir diretrizes complementares e formas de operacionalização para o seu cumprimento. Será um enorme desafio romper tradições seculares e velhos hábitos. Ainda assim, a lei estabelece um novo caminho. Os resultados virão, uns mais lentos do que outros – mas virão.

Não é algo trivial. Não é automático. Mas é fundamental, inclusivo e potencialmente revolucionário.

 

Leonardo de Campos Melo - advogado especialista em contencioso judicial e administrativo estratégico e em arbitragem, e Sócio-fundador do escritório LDCM Advogados - leonardo@ldcm.com.br


Seguro de vida está nas suas resoluções para 2026? 5 motivos pelos quais ele deveria estar

 Seguro pode ser usado para cobrir custos de moradia, períodos de afastamento do trabalho e até procedimentos médicos que o plano de saúde não cobre

 

As pessoas raramente pensam em seguro — até precisarem dele. Entre a rotina apertada, as contas do mês e a sensação de que “nada de ruim vai acontecer agora”, a proteção financeira costuma ficar em segundo plano. Mas a verdade é que 2026 chega com um cenário desafiador: eventos climáticos extremos mais frequentes, aumento do custo de vida, novas exigências regulatórias e famílias vulneráveis a imprevistos. 

“Vivemos um momento de riscos mais intensos, e o seguro de vida sempre foi uma ferramenta importante no planejamento familiar”, afirma Marina Motta, diretora de expansão do Grupo Caburé Seguros. “Apesar de ainda existir certo tabu, esse produto vai muito além das situações mais graves e pode ser acionado em vida para apoiar financeiramente em imprevistos”, completa. 

Segundo a executiva, há pelo menos cinco razões para incluir o seguro de vida no planejamento familiar de 2026. Confira:

 

1. Isenção de imposto de renda

O valor pago em seguro de vida pode ser declarado no Imposto de Renda, garantindo que a indenização recebida em caso de morte ou invalidez não seja tributada. Diferente de produtos de investimento, o seguro de vida deve ser considerado exclusivamente como proteção financeira, e não como aplicação financeira.

 

2. Indenização liberada em até 30 dias

Pelas regras da Superintendência de Seguros Privados (Susep), as seguradoras têm até 30 dias para efetuar o pagamento da indenização após receberem toda a documentação necessária. Na prática, isso significa que, diante de um imprevisto coberto pela apólice, a família tem acesso rápido ao valor contratado, evitando que o orçamento fique desorganizado no meio da crise.

 

3. Proteção durante afastamento prolongado do trabalho

Além de cobertura para invalidez temporária, alguns seguros incluem benefícios como a cobertura de Diária de Internação Hospitalar (DIH-AD) que oferece suporte financeiro em caso de internação por doença ou acidente pessoal, conforme o valor contratado na apólice. 

Válida tanto para internações em quarto normal quanto em UTI, essa proteção garante um recurso que o segurado pode usar livremente para despesas inesperadas, como transporte, alimentação ou cuidados domiciliares, permitindo que o foco permaneça na recuperação.

 

4. Cobertura para doenças graves fora do escopo do plano de saúde

A proteção para Doenças Graves libera uma indenização em vida ao segurado quando diagnosticado com enfermidades complexas, como câncer, infarto, AVC, insuficiência renal, ou quando há necessidade de cirurgia coronariana ou transplante de órgãos. O valor, definido na apólice, pode ser usado para custear tratamentos especializados, medicamentos ou como o segurado achar necessário.

 

5. Cobertura de despesas funerais

O seguro de vida pode incluir assistência funeral, que garante cobertura financeira e apoio logístico para a realização do sepultamento ou cremação. Isso significa que os custos do funeral podem ser pagos diretamente pela seguradora, dentro do limite contratado no plano. Além disso, o beneficiário recebe orientação sobre toda a documentação necessária, escolha do local, traslado e demais trâmites legais. Para acionar o serviço, basta que a família ou pessoa indicada no contrato entre em contato com a seguradora, que passa a coordenar o processo até a conclusão do funeral.




Marina Motta - diretora de Expansão do Grupo Caburé Seguros, onde atua há quase 10 anos em projetos de inovação e crescimento. É bacharel em Direito, com formações em negociação, contratos e Leadership & Business pela Universidade de Stanford, além de experiências acadêmicas na Università di Bologna e no Instituto Marangoni. Cofundadora do Dr. Anjo, participou do BRICS Young Innovator Prize e do Co-Criate Challenge da Expo 2025.


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