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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Rejuvenescimento íntimo devolve a autoestima, melhora da saúde sexual e ajuda em problemas como secura vaginal e incontinência urinária

 

Aos 40 anos a mulher já perdeu cerca de 50% de colágeno na região íntima, revela especialista

 

O rejuvenescimento íntimo consiste em uma série de procedimentos médicos e estéticos que visam melhorar a aparência e a função das regiões genitais internas e externas de uma pessoa. Geralmente, esses procedimentos são direcionados às mulheres, embora também possam ser aplicados em homens, em certos casos.

As razões para buscar esses procedimentos podem variar e incluem preocupações com a aparência estética, desconforto físico, melhoria da autoestima e problemas relacionados à função sexual. Segundo o Dr. Vinícius Carruego, ginecologista, “a mulher começa a perder colágeno na região íntima a partir dos 30 anos. Aos 40, ela já perdeu cerca de 50%”. Nestes casos, são indicados a reposição de colágeno.

O médico ainda revela que o objetivo do tratamento é manter a aparência jovem da região íntima, a funcionalidade, evitar escurecimento, flacidez, perda de volume na região íntima. Os benefícios estão relacionados à autoestima e a parte funcional, tanto estética quanto sexual.

Geralmente, mulheres na fase da menopausa costumam buscar o tratamento, pois a diminuição dos níveis hormonais pode levar a sintomas como secura vaginal, rugosidade, surgimento de celulite, entre outros. Entre as mulheres mais jovens, o tratamento é indicado em casos de anormalidades congênitas, hipertrofia de pequenos e grandes lábios, flacidez vaginal, eventuais traumas na região e incontinência urinária.

Alguns dos procedimentos comuns associados ao rejuvenescimento íntimo incluem:

Rejuvenescimento vaginal a laser: utiliza-se lasers para estimular a produção de colágeno nas paredes vaginais, melhorando a firmeza e elasticidade. Também pode ser útil para tratar secura vaginal e a incontinência urinária.

Clareamento vaginal: procedimento para clarear a região genital, reduzindo a pigmentação escura da pele.

Incontinência urinária: alguns procedimentos com o uso de laser podem ajudar a fortalecer os músculos do assoalho pélvico, melhorando a incontinência urinária.

Tratamento para disfunção sexual: visam melhorar a lubrificação vaginal, aumentar a sensibilidade ou tratar a dor durante a relação sexual.

Preenchimento vaginal: a aplicação de preenchedores pode ser utilizada para restaurar o volume e melhorar a aparência dos tecidos vulvares e vaginais. 

É importante ressaltar que a decisão de passar por qualquer tipo de procedimento médico ou estético dever ser tomada após uma consulta, sob orientação médica e com um profissional de saúde de sua confiança.

 

Dr. Vinícius Carruego – CRM -SP 172.911. Diretor médico da Clínica Elsimar Coutinho em São Paulo. Médico Ginecologista formado pelaUniversidade Federal da Bahia (UFBA). Pós-Graduação em Ciências da Obesidade e Sarcopenia. Possui especialização em Endoscopia Ginecológica. Baseou seus estudos em hormônios, implantes hormonais e temas relacionados à saúde integral da mulher.

 

Cardiopatias congênitas: a importância do diagnóstico precoce na gestação e nas primeiras horas de vida


 

Crédito: Camila Hampf 
Pequeno Príncipe alerta para casos como os das filhas de Juliano Cazarré e Thaila Ayala, que trouxeram visibilidade a uma condição comum e grave

 

Nos últimos anos, histórias como a da pequena Maria Guilhermina, filha do ator Juliano Cazarré, e de Tereza, filha da atriz Thaila Ayala com o ator Renato Góes, chamaram atenção para uma condição grave e relativamente comum: a cardiopatia congênita. Ambas as crianças foram diagnosticadas ainda bebês com diferentes tipos de malformações cardíacas. Casos como esses ajudam a conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce, que pode salvar vidas. 

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30 mil crianças nascem com algum tipo de cardiopatia congênita todos os anos no Brasil. Essas alterações na estrutura ou função do coração podem variar em gravidade e, muitas vezes, exigem intervenção nas primeiras horas de vida. 

Por isso, o Hospital Pequeno Príncipe — maior e mais completo hospital pediátrico do país e referência nacional em cardiologia pediátrica — reforça a importância da detecção precoce, que pode ser feita ainda durante a gestação ou logo após o nascimento, na véspera do Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita, celebrado em 12 de junho. 

Segundo a cardiologista pediátrica Cristiane Binotto, responsável pelo Serviço de Cardiologia da instituição, o ecocardiograma fetal é uma das principais ferramentas para identificar essas alterações no coração do bebê antes mesmo do nascimento. Já no período neonatal, o teste do coraçãozinho, realizado entre 24 e 48 horas após o parto, também é um importante aliado para detectar cardiopatias cianóticas. “A identificação precoce pode salvar vidas, permitindo intervenções imediatas ou acompanhamento especializado desde o início”, afirma a médica.

 

Descoberta ao nascer

A importância do diagnóstico precoce é reforçada por histórias como a da pequena Cecília, de apenas 1 ano, que nasceu com três buracos no coração. “Durante toda a gestação, os exames não mostraram nada. Só descobrimos quando ela nasceu, porque começou a apresentar batimentos cardíacos alterados”, conta a mãe, Patrícia, moradora de Carapó (MS). 

Além das cardiopatias congênitas, Cecília também recebeu o diagnóstico de síndrome de Down. Dois dos buracos no coração se fecharam espontaneamente, mas o terceiro exigiu cirurgia. Após ser encaminhada ao Pequeno Príncipe, a menina passou por um procedimento corretivo e se recupera bem. “Hoje, ela está se desenvolvendo a cada dia. Só tenho gratidão. O diagnóstico precoce e o atendimento que recebemos fizeram toda a diferença”, destaca Patrícia.

 

Sinais de alerta

O acompanhamento médico desde a gestação é essencial, mas alguns sinais clínicos podem indicar a presença de uma cardiopatia. Ficar atento a esses sintomas pode ajudar a garantir o diagnóstico e o tratamento em tempo hábil.

 

Em bebês:

* pontas dos dedos e/ou língua roxas;

* transpiração e cansaço excessivos durante as mamadas;

* respiração acelerada mesmo em repouso;

* dificuldade para ganhar peso;

* irritação frequente e choro sem consolo.

 

Em crianças:

* cansaço durante atividades físicas e dificuldade de acompanhar outras crianças;

* ganho de peso e crescimento abaixo do esperado;

* infecções pulmonares frequentes;

* lábios roxos e palidez ao brincar;

* batimentos cardíacos acelerados;

* desmaios.

 

Estrutura de referência

Com uma equipe dedicada, tecnologia de ponta e acolhimento humanizado, o Hospital Pequeno Príncipe reafirma seu compromisso com o diagnóstico precoce e o tratamento integral das cardiopatias congênitas, ajudando a garantir mais saúde e qualidade de vida para crianças de todo o país. 

A instituição é um dos mais importantes centros brasileiros de cardiologia pediátrica, com estrutura única para atender pacientes com cardiopatias congênitas desde os primeiros dias de vida. O Serviço de Cardiologia realiza consultas ambulatoriais, exames diagnósticos e tratamentos, incluindo cirurgias cardíacas complexas e transplantes. 

O Serviço de Cirurgia Cardiovascular da instituição é referência nacional em cirurgias cardíacas pediátricas, especialmente em bebês com até 30 dias de vida. Em 2024, foram realizadas 560 cirurgias cardíacas — sendo 92 em recém-nascidos com menos de 1 mês de idade —, nove transplantes de coração e 46 transplantes de válvulas cardíacas. O Hospital também foi responsável, há 20 anos, pelo primeiro transplante cardíaco pediátrico de sucesso no Paraná. 

Entre os destaques do atendimento do Pequeno Príncipe está o Serviço de Eletrofisiologia, pioneiro no país; o Serviço de Hemodinâmica, referência para diagnosticar e tratar disfunções em um procedimento seguro e minimamente invasivo; e o Serviço de Ecocardiograma, exame indolor, mais detalhado e que não expõe o paciente à radiação. Além disso, a instituição conta com a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Cardiologia e equipe multiprofissional altamente capacitada para atender a população infantojuvenil.


Sintomas comuns do dia a dia que podem indicar o início de um AVC

Segundo o Ministério da Saúde¹, mais de 100 mil pessoas morrem por complicações da doença por ano no Brasil, mas a atenção aos sinais favorece o diagnóstico precoce

 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das condições mais preocupantes em todo o mundo, sendo responsável por mais de 6 milhões de mortes anuais, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS)². Isso significa que, a cada seis segundos, uma pessoa falece por complicações relacionadas a ele em algum país. Apesar de ter sintomas característicos, certas manifestações da doença podem passar despercebidas no dia a dia, o que atrasa o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. 

“O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo em uma parte do cérebro é interrompido, levando à morte de células cerebrais. Isso pode causar déficit funcional que, muitas vezes, é permanente em alguns pacientes que sobrevivem”, explica o dr. Marco Py, neurologista do Hospital São Lucas Copacabana, que faz parte da Rede Américas. “Para combater essa condição, é fundamental reconhecer os sinais precoces que, muitas vezes, são confundidos com sintomas menos graves.” 

Um exemplo é a fraqueza súbita ou sensação de formigamento em um dos lados do corpo, que pode ser interpretada como cansaço ou estresse pela rotina, principalmente depois de um longo dia de trabalho. Outro sinal comum do AVC é dor de cabeça intensa, que tende a ocorrer sem motivo aparente e, muitas vezes, é ignorada e vista como uma enxaqueca ou cefaleia tensional.  

“Um sintoma clássico do AVC que pode passar despercebido é a confusão mental, acompanhada, principalmente, por dificuldade de encontrar palavras que se deseja falar, mas que não vêm à memória com facilidade. Em muitos casos, sobretudo em pacientes com mais idade, esse sinal é visto como um simples esquecimento e não é investigado”, detalha o dr. Marco. 

Outras manifestações importantes que devem ser percebidas são gagueira, problemas para andar ou se equilibrar e incapacidade de compreender o que está sendo dito por outras pessoas. Segundo o neurologista, na presença de um ou mais desses sintomas, é essencial que o paciente seja encaminhado para atendimento emergencial. 

“Em um episódio de AVC, milhares de células cerebrais são destruídas em um curto espaço de tempo, o que pode levar à incapacitação do paciente ou até mesmo à morte. Por isso, nesse tipo de caso, a agilidade para identificar os sintomas e buscar um atendimento especializado pode fazer diferença. Tempo é vida”, define o dr. Marco. 

 


¹ https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/avc

² https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-10/organizacao-mundial-do-avc-alerta-que-90-dos-derrames-sao-preveniveis


Ginástica laboral previne as doenças ocupacional

 

Trabalhar sentado por longos períodos
pode causar dores nas costas
 Freepik

Milhares de pessoas são afastadas do emprego devido a doenças relacionadas ao trabalho. Dor nas costas e hérnia de disco são os males que mais causam licença dos trabalhadores no Brasil

 

Todos os anos, milhares de brasileiros estão expostos a condições de trabalho que põem em risco a própria saúde. Em função da atividade profissional exercida, muitos trabalhadores adquirem distúrbios físicos e psicológicos conhecidos como doenças ocupacionais. Em 2024, a dor na coluna e a hérnia de disco foram as maiores responsáveis pelo afastamento de trabalhadores. Neurocirurgião especialista em coluna, Túlio Rocha destaca a importância da ginástica laboral para a prevenção.

 

“A ginástica laboral é crucial na prevenção das doenças ocupacionais, especialmente as dores nas costas e a hérnia de disco, que são as principais causas de afastamentos por mais de 15 dias. Ela reduz o risco de lesões musculoesqueléticas, melhora a postura e a mobilidade e contribui para um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo”, informa o neurocirurgião.

 

A ginástica laboral é uma prática de exercícios físicos de curta duração realizados durante o expediente de trabalho, com o objetivo de prevenir lesões, melhorar a saúde e o bem-estar dos colaboradores. Ela geralmente consiste em exercícios de alongamento e relaxamento, além de movimentos que aliviam o estresse muscular e mental. 

 

Doenças laborais, também conhecidas como doenças ocupacionais ou doenças do trabalho, são condições de saúde que surgem ou são agravadas pelo ambiente de trabalho. Elas podem ser causadas por agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais, e podem afetar a saúde física e mental dos trabalhadores. 

 

Em 2024, mais de 3,5 milhões de afastamentos de trabalhadores foram liberados pelo Ministério da Previdência Social. As doenças relacionadas a dores na coluna lideraram o ranking, com 205,1 mil benefícios; seguida da hérnia de disco, com 172,4 mil afastamentos de pessoas por mais de 15 dias do trabalho. Doenças associadas ao trabalho, contudo, obrigam a se afastarem dos cargos e provocam redução da produtividade em diversos setores econômicos. 

 

Em geral, costuma-se associar as doenças laborais a profissões de risco evidente, como no caso dos operários que extraem ou moem amianto e ficam expostos à asbestose – doença incurável que provoca inflamação e fibrose nos pulmões, que perdem a elasticidade e por isso surgem sintomas como falta de ar, cansaço e dores nas costas – ou a cânceres relacionados a esse material. 

 

Dores nas costas e hérnia de disco

 

A lombalgia, ou dor nas costas, pode surgir ao permanecermos sentados durante períodos prolongados. O problema se torna ainda mais frequente com o uso contínuo de uma cadeira inadequada, sem suporte para os braços e apoio extra para a lombar, que preserva a curvatura correta das costas. 

 

Estudos demonstram que 84% da população adulta sofre pelo menos um episódio de dor lombar na vida. Atualmente, a lombalgia é considerada um problema de saúde pública por figurar entre as principais causas de incapacidade laboral do mundo.

 

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 5,4 milhões de brasileiros sofrem com hérnia de disco. De acordo com uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), oito em cada dez pessoas sofrem de hérnia de disco em todo o mundo. 

 

O termo hérnia é utilizado pelos médicos para descrever qualquer tecido ou órgão que se desloca do seu local de origem para outro lugar por uma abertura anormal. Entre as vértebras estão os discos intervertebrais, estruturas em forma de anel, constituídas por tecido cartilaginoso e elástico cuja função é evitar o atrito entre uma vértebra e outra, além de amortecer o impacto.

 

A hérnia de disco leva a pessoa sentir fortes dores nas costas, que podem impedir a realização de até mesmo atividades simples e que exijam o mínimo de esforço. Por isso, a doença é a segunda maior causadora dos afastamentos por mais de 15 dias do trabalho.

 

“O trabalhador que tem mais probabilidade de ser afetado por dores nas costas e hérnia de disco por conta da atividade profissional é aquele que realiza atividades que envolvem esforço físico intenso, movimentos repetitivos, postura inadequada e levantamento de peso, ou que trabalha em ambientes que exigem permanência em posições forçadas por longos períodos”, explica Túlio Rocha.

 

Os principais grupos de trabalhadores que correm mais risco de sofrerem com dores nas costas e hérnia de disco são os profissionais da saúde, trabalhadores da construção civil e operadores de máquinas, motoristas profissionais, trabalhadores de escritório e profissionais que trabalham em ambientes que exigem posições forçadas – cabeleireiros, dentistas, esteticistas, manicures e outros que passam muito tempo com a cabeça e os braços em posições específicas. 

 

Relevância e impacto da ginástica laboral

 

Túlio Rocha destaca que a ginástica laboral traz inúmeros benefícios para a vida do trabalhador. Entre eles, a prevenção de doenças ocupacionais e o alívio dos sintomas de condições como distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), lesões por esforço repetitivo (LER) e lombalgia. Outro benefício é a melhora da postura, pois a ginástica laboral auxilia na correção da postura, especialmente em trabalhadores que permanecem sentados por longos períodos, reduzindo o risco de lesões na coluna. 

 

“A ginástica laboral pode diminuir a intensidade e frequência da dor nas costas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, além de fortalecer os músculos da coluna, o que ajuda a prevenir a hérnia de disco e outras lesões. A prática regular de exercícios pode ainda reduzir os níveis de estresse dos trabalhadores, contribuindo para um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo”, explica o neurocirurgião.

 

Ao prevenir e tratar as principais causas de afastamentos, a ginástica laboral contribui para a redução do absenteísmo e o aumento da produtividade. A ginástica laboral melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzindo a fadiga e aumentando o bem-estar. “A prática de exercícios durante o trabalho pode incentivar os empregados a adotarem um estilo de vida mais ativo também fora do trabalho. 

 

Custos para as empresas

 

Empresas de todos os portes estão sujeitas à ocorrência de doença do trabalho e de doença profissional. De acordo com dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, o Brasil registrou 4,5 milhões de ocorrências e 16,4 mil mortes de trabalhadores entre 2012 e 2018, incluindo acidentes e afastamentos causados por doenças.

 

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, o equivalente a US$2,8 trilhões, são perdidos por ano em custos diretos e indiretos devido a acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Ainda segundo a OIT, de 2012 a 2020, o gasto previdenciário com doenças e acidentes no trabalho ultrapassa os R$100 bilhões somente com despesas acidentárias.

  

Médico Túlio Rocha – neurocirurgião especialista em coluna


Disparo excessivo de currículos: como o RH pode lidar com esse desafio sem perder eficiência?

Especialista explica como otimizar a triagem e elevar a qualidade dos processos seletivos diante do alto volume de candidaturas.


Para quem vive o dia a dia do recrutamento ou atua orientando profissionais em busca de recolocação, o fenômeno do “disparo excessivo de currículos” é mais do que um sinal de ansiedade: escancara fragilidades tanto no processo de orientação quanto nas práticas adotadas pelos times de atração. 

Quando um mesmo candidato se inscreve para vagas tão diferentes quanto motorista, recepcionista e analista de dados, o RH precisa lidar com o desalinhamento de perfil de forma ágil. Em um cenário de alta competitividade e urgência por recolocação, esse tipo de comportamento é comum — mas reforça a importância de processos seletivos bem estruturados, que filtrem com eficiência os candidatos mais aderentes a cada vaga. 

Para Thomas Costa, porta-voz do Pandapé, software de recrutamento e seleção mais usado na América Latina, o envio indiscriminado de currículos reflete não só a urgência de quem busca uma vaga, mas também pode gerar ruídos no processo e afetar a imagem da empresa no mercado. “Quando há excesso de candidaturas desalinhadas, o RH perde tempo na triagem e os candidatos acabam frustrados, o que pode gerar uma percepção negativa sobre a empresa. Esse cenário é um sintoma de processos pouco estruturados — e precisa ser tratado na origem, com o apoio de tecnologias que ranqueiem os perfis mais aderentes com base em critérios objetivos, facilitando o dia a dia do recrutador e elevando a eficiência da seleção”, afirma.

 

Quatro caminhos para reduzir o ruído e aumentar a efetividade

A primeira frente está na definição de critérios de triagem claros e objetivos dentro do ATS. Estabelecer requisitos mínimos de experiência, certificações obrigatórias e competências essenciais — com priorização bem definida — permite automatizar parte do processo e filtrar candidaturas com mais precisão. 

Em seguida, vale incorporar perguntas de autoavaliação nos formulários de candidatura. São campos simples, mas eficazes, que desafiam o candidato a refletir sobre sua real aderência antes de seguir com a inscrição.

Outro ponto-chave é a segmentação de pipelines. Criar fluxos separados por áreas ou perfis correlatos (como atendimento, vendas ou backoffice) facilita a redistribuição de talentos bem avaliados, mesmo que não se encaixem perfeitamente na vaga original. 

Por fim, investir em uma comunicação clara e contínua faz toda a diferença. “Mensagens personalizadas de feedback, descrições de vagas detalhadas e conteúdo educativo no site de carreiras ajudam o candidato a se posicionar melhor, e isso eleva o nível do processo como um todo”, destaca Thomas.
 

Tecnologia como aliada estratégica

Na prática, soluções como o Pandapé oferecem recursos para colocar essas ações em movimento. O software conta com dashboards que indicam o nível de aderência do candidato em tempo real (100%, 70%, etc.) e workflows personalizáveis que permitem mover talentos entre pipelines de forma simples e rastreável. Tudo isso permite aos recrutadores ganharem escala sem perder o controle da qualidade. 

Além de melhorar a experiência do candidato, essas estratégias ajudam a impactar KPIs decisivos como o tempo médio de contratação, a satisfação dos gestores e candidatos e até o NPS do recrutamento. “Monitorar a taxa de conversão entre convites para entrevista e inscrições, por exemplo, é uma forma prática de entender o quanto seu processo está aderente — ou não — ao perfil ideal”, complementa o executivo. 

O futuro do recrutamento e da orientação de carreira passa por uma integração mais madura entre pessoas e tecnologia. Cabe ao RH e aos profissionais que apoiam candidatos a missão de fortalecer essa cultura de dados, sem perder a escuta ativa. 

“Quando a gente orienta bem quem busca uma vaga e estrutura bem quem recruta, todo o ecossistema ganha. É isso que transforma gargalos em oportunidades e posiciona a empresa como marca empregadora de referência”, conclui Thomas.


Comércio paulista fecha 1º trimestre em queda; Serviços geram 114 mil vagas, mas ritmo perde força

Inadimplência, juros elevados e quedas no consumo e na confiança explicam recuo do emprego formal no Estado, avalia FecomercioSP 

 

O mercado de trabalho apontou uma deterioração preocupante no primeiro trimestre deste ano, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Após uma perda de 17.394 vagas em janeiro, o saldo do emprego celetista no Comércio paulista apresentou recuperação em fevereiro, com a criação de 15.331 postos de trabalho, mas voltou a cair em março, registrando um déficit de 3.313 vagas, puxado, principalmente, pelo varejo.  

Na avaliação da Federação, a queda no consumo, os juros elevados, o aumento na inadimplência e a menor confiança em relação à economia foram os principais fatores que influenciaram esse resultado.

 

[Gráfico 1]

Saldo do Emprego Celetista no Comércio do Estado de São Paulo 

Série histórica (13 meses)

Fonte: novo Caged

Elaboração: FecomercioSP

 

No acumulado entre janeiro e março, o varejo registrou a perda de 13.443 vagas, enquanto o atacado e o segmento de veículos apresentaram saldos positivos de 5.552 e 2.630 postos de trabalho, respectivamente — embora ambos também tenham desacelerado as contratações. Com isso, o saldo total do período foi negativo em 5.261 vagas. O resultado geral foi comprometido pelo comércio varejista, apesar de os demais segmentos ainda terem gerado empregos.

 

[Tabela 1]

Movimentação do Emprego Celetista no Comércio do Estado de São Paulo 

1º Trimestre de 2025

Fonte: novo Caged

Elaboração: FecomercioSP

 

Março apresentou o pior desempenho do trimestre, com um saldo negativo de 3.313 vagas, resultado de 149.357 demissões e 146.044 admissões. Mais uma vez, o comércio varejista foi o principal responsável, com a perda de 3.901 vagas — volume superior ao saldo negativo total, já que os outros segmentos compensaram parcialmente com saldos positivos. O atacado criou 471 novas vagas e o comércio e reparação de veículos, 117 postos de trabalho. 

Só em março, o comércio varejista concentrou mais de 40% das perdas de vagas no trimestre, indicando uma mudança brusca na demanda interna, crédito mais restrito e/ou ajustes pós-sazonais mais prolongados que o normal. Nos segmentos de atacado e veículos, a desaceleração pode estar relacionada a cautela dos empresários na reposição de estoques e ajustes na estrutura operacional, diante das incertezas do ambiente macroeconômico. 

 

[Tabela 2]

Movimentação do Emprego Celetista no Comércio do Estado de São Paulo 

Março 2025

 Fonte: novo Caged
Elaboração: FecomercioSP


Segundo a FecomercioSP, ainda que os dados do Produto Interno Bruto (PIB) e das vendas não reflitam esse movimento, o mercado de trabalho pode estar antecipando um problema. Caso os próximos meses confirmem a tendência negativa observada até aqui, os impactos poderão se estender ao emprego, à renda e à atuação do Comércio e dos Serviços como um todo.

 

Mercado de trabalho na capital paulista

Na capital paulista, o cenário também é parecido. Embora o saldo acumulado no primeiro trimestre tenha sido positivo (4 vagas, após 125.831 admissões e 125.827 desligamentos), o mês de março, que terminou com saldo negativo de 305 postos de trabalho, reverteu quase todos os ganhos anteriores, revelando uma piora nas condições do mercado de trabalho local.  

Além do comércio varejista (que perdeu 2.477 postos no ano), contribuíram para esse contexto a desaceleração nos setores de atacado (1.695 novos postos de trabalho) e veículos (criação de 786 vagas), sinalizando maior cautela empresarial e que o setor ainda depende de uma recuperação mais consistente da demanda para sustentar contratações. Com esses resultados, o estoque de empregos formais nos primeiros três meses do ano soma 599.636 postos. 

 

Serviços geram mais de 114 mil vagas no 1º trimestre, mas desaceleram em março 

O setor de Serviços terminou o primeiro trimestre com mais de 114 mil postos de trabalho criados. O resultado foi influenciado, principalmente, pelas atividades administrativas e os serviços complementares, que gerou 23.999 novas oportunidades de trabalho. Educação (27.362); transporte, armazenagem e correio (15.841); saúde humana e serviços sociais (13.826); e atividades profissionais, científicas e técnicas (10.057), também contribuíram. 

 

[Tabela 3]

Movimentação do Emprego Celetista nos Serviços do Estado de São Paulo 

1º Trimestre de 2025

Fonte: novo Caged

Elaboração: FecomercioSP

 

Contudo, o último mês do período foi marcado por uma moderação no ritmo de crescimento, com a geração de 20.301 novos postos de trabalho. O resultado ficou abaixo da média mensal observada em janeiro e fevereiro (46.928). 

Os segmentos que mais influenciaram esses números foram os de educação (2.529); atividades administrativas e serviços complementares (-946); e alojamento e alimentação (-1.855), que sofreram perda de dinamismo — ou até mesmo saldos negativos em março — após boas performances nos meses anteriores.

 

[Tabela 4]

Movimentação do Emprego Celetista nos Serviços do Estado de São Paulo 

Março 2025
Fonte: novo Caged
Elaboração: FecomercioSP

 

De acordo com a FecomercioSP, a reversão nas atividades administrativas, tradicionalmente sensíveis ao ciclo econômico, pode indicar ajustes de custo ou precauções diante das dúvidas macroeconômicas. Por outro lado, setores como saúde, informação e comunicação e, especialmente, transporte, armazenagem e correio ganharam tração em março, indicando a continuidade das tendências estruturais (como demanda logística, digitalização e serviços essenciais) e ajudando a compensar a perda de fôlego em áreas mais cíclicas.

 

[Gráfico 2]

Saldo do Emprego Celetista nos Serviços do Estado de São Paulo 

Série histórica (13 meses)

Fonte: novo Caged

Elaboração: FecomercioSP


 

No caso dos Serviços, a FecomercioSP também avalia que, para os próximos meses, será importante acompanhar se a desaceleração observada em março é um ponto fora da curva — influenciada por sazonalidades —, ou o início de um movimento mais estrutural de acomodação e desaceleração do mercado de trabalho formal.

 

Serviços em São Paulo

Na capital, o mercado de trabalho terminou os três primeiros meses do ano com 32.204 vagas, resultado de 506.815 admissões e 474.611 desligamentos. Apesar disso, houve forte desaceleração em março, quando o setor gerou apenas 3.024 novos postos. A FecomercioSP aponta que setores que vinham puxando o crescimento, como educação e serviços administrativos, apresentaram saldos negativos, indicando possível reversão ou ajuste de contratações após o início do ano.  

Por outro lado, saúde, transporte e serviços profissionais mantiveram expansão, mesmo que em menor intensidade, sendo os principais responsáveis por evitar um saldo ainda menor. Segmentos como artes e cultura também apresentaram dinamismo, sugerindo continuidade da retomada presencial de eventos. A capital paulista mostra um perfil de retração mais acentuada do que o Estado, reforçando a necessidade de atenção com os setores mais sensíveis a oscilações de demanda e custos operacionais. 

 

Nota metodológica

A Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP) passou por reformulação em sua metodologia e, agora, analisa o nível de emprego celetista do comércio e serviços do Estado de São Paulo a partir de dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho – passando a se chamar PESP de Comércio e Serviços. 

 

FecomercioSP
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