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quarta-feira, 11 de junho de 2025

Contrato de Namoro digital é nova arma para blindar o patrimônio de casais no Brasil

Documento que visa a proteção patrimonial dos envolvidos pode estabelecer regras de convivência, definições quanto à pertences – incluindo bebês reborns – e até questões relacionadas à guarda de animais

 

Com a chegada do Dia dos Namorados, casais de todo Brasil têm buscado alternativas para garantir não apenas o amor, mas também a segurança e a tranquilidade de seus relacionamentos. Em uma realidade onde as relações amorosas se confundem cada vez mais com questões patrimoniais – como pensão, herança e divisão de bens –, garantir que um romance é exclusivamente um namoro pode ser determinante para evitar dores de cabeça no futuro. Ainda pouco conhecido no país, o Contrato de Namoro é um dos atos que pode ser feito de forma online em qualquer um dos Cartórios de Notas do Brasil que, desde 2020, já realizaram mais de 5,7 milhões de serviços eletrônicos. 

Ao contrário dos demais serviços notariais já consolidados em meio digital – como escrituras de compra e venda de imóveis, divórcios, inventários, testamentos, procurações, entre outros serviços cotidianos da população – que já representam quase metade do total de atos realizados no estado, os Contratos de Namoro ainda não são de conhecimento popular. Entre 2016, ano da criação deste instrumento jurídico, e 2024 foram realizados 860 Contratos de Namoro em Cartórios do Brasil. 

Ato jurídico cada vez mais aceito pelo Poder Judiciário nas ações que visam provar a inexistência de uma união estável – caracterizada como uma convivência pública, contínua e duradoura com o objetivo de constituir família –, o Contrato de Namoro pode ser feito entre duas pessoas que querem deixar claro que a relação é apenas um namoro, afastando a possibilidade de que, em caso de término, gere efeitos patrimoniais, como pensão, herança, divisão de bens ou demandas judiciais, principalmente quando os envolvidos possuem patrimônio já estabelecido ou herdeiros de outras relações. 

“O Contrato de Namoro tem sido uma opção para relacionamentos amorosos onde as pessoas querem deixar claro que não possuem intenção de compartilhar patrimônio”, afirma a presidente do CNB/CF, Giselle Oliveira de Barro. “Podendo agora ser realizado de forma online, pela plataforma nacional e-Notariado, a tendência é que a busca por esta proteção aumente, na medida em que o procedimento ficou mais rápido e digital”, completa a tabeliã. 

A procura pelo Contrato de Namoro ganhou ainda mais visibilidade após casos envolvendo celebridades como o jogador Endrick e a influenciadora Gabriely Miranda, que viralizaram ao incluir cláusulas inusitadas, como presentes obrigatórios em caso de desobediência. O documento também pode ser utilizado para estabelecer regras para a relação, definindo comportamentos esperados e inadequados dos envolvidos, bem como trazer atribuições mais claras quanto aos pertences do casal, presentes dados durante o relacionamento, uso de plataformas de streaming, e até a guarda de animais de estimação. 

Ao mesmo tempo é um importante instrumento jurídico para solteiros e divorciados que já contam com algum patrimônio conquistado e, ao entrarem em um relacionamento amoroso, querem garantir que não serão expostos, nem seus herdeiros, a eventuais disputas judiciais caso a relação chegue ao fim. Nesse sentido, o ato feito em Cartório de Notas passa a ser um instrumento excelente para esclarecer a natureza da relação e, assim, salvaguardar os direitos de cada um dos envolvidos.
 

Como fazer

Para realizar o Contrato de Namoro – e também os demais serviços dos Cartórios de Notas de forma online, o usuário deverá emitir um certificado digital notarizado – que pode ser feito gratuitamente e online pela plataforma www.e-notariado.org.br –, procedimento no qual o tabelião fará a identificação do cidadão e o vinculará àquele certificado para assinar seus documentos online, e que terá validade de três anos. A partir daí ele pode solicitar qualquer ato eletrônico, agendando uma videoconferência com o tabelião de notas de sua preferência e assinando eletronicamente seus documentos, inclusive por meio de seu aparelho celular.

 

Atos Digitais

Levantamento inédito realizado pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), entidade que reúne os mais de 8 mil Tabelionatos de Notas brasileiros, mostra que o percentual de atos online vem praticamente dobrando ano a ano no país, passando de 5,7% no segundo ano de vigência da norma para 15,7% no terceiro ano, saltando para 26,7% no quarto ano, até representar, neste quinto ano, 47% do total de atos praticados. 

Em números absolutos, entre maio de 2020 e maio de 2021 foram realizados 84.479 atos digitais no país. No período seguinte, o número passou para 387.550, um aumento de 359%. Já no terceiro intervalo de anos, o total saltou para 976.151 atos digitais, um crescimento de 152%. O quarto intervalo anual trouxe novo crescimento, desta vez para 1.7 milhão atos eletrônicos, atingindo, neste último período, a marca de 2.5 milhões de serviços online, um aumento de mais de 2.880% em relação ao primeiro ano.

 

Colégio Notarial do Brasil


ACSP: 43,7% dos brasileiros querem gastar mais do que em 2024 no Dia dos Namorados

Em relação ao ano passado, aumentou tanto a proporção dos que manifestaram intenção de compra quanto a dos que estão dispostos a gastar mais


A pesquisa nacional de intenção de compras da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizada pela PiniOn, com uma amostra de 1.671 entrevistados, apontou que 36,5% pretendem comprar presentes no Dia dos Namorados, enquanto 46,1% não tem intenção de fazê-lo e 17,4% ainda não sabem. Em comparação ao ano passado, aumentou tanto a proporção dos que manifestaram intenção de compra quanto a dos que não pretendem adquirir presentes. 

Do grupo de entrevistados que manifestaram intenção de compra, 43,7% planejam gastar mais do que em 2024, enquanto 28,6% pretendem gastar menos. Em relação ao ano passado, houve uma diminuição na proporção do primeiro grupo e um aumento na porcentagem relativa do segundo. Quanto ao valor das compras, a grande maioria (75,8%) pretende gastar entre R$ 50 e R$ 450, o que representa um aumento no ticket médio de compra em relação a 2024. 

Assim como nos dois últimos dois anos, a pesquisa apontou que a maioria das compras deve ocorrer de forma presencial, em lojas físicas (53,5%). Contudo, diferentemente das pesquisas anteriores, a maior parte dos entrevistados (38,6%) manifestou intenção de comprar em grandes redes do varejo, e não em pequenos estabelecimentos.

A tabela abaixo registra as principais categorias de bens e serviços incluídas na intenção de compra dos entrevistados em nível nacional, bem como a forma de pagamento – à vista (em dinheiro, cartão ou PIX) ou parcelado. É importante lembrar que cada entrevistado pôde escolher mais de uma opção de presente.

 

 

Assim como no ano passado, nas intenções de compra prevalecem presentes de uso pessoal e de menor valor, pagos à vista, o que é típico para a data, ao contrário do Dia das Mães, que também inclui produtos para o lar, como móveis e eletrodomésticos.

 

A intenção de compra de roupas e calçado (30,7%) diminuiu em relação a 2024, ficando ainda mais abaixo do registrado no período pré-pandemia (60/70%).

 

Presentes de uso pessoal na área de beleza, além de joias e bijuterias, continuam sendo lembrados para os namorados, somando cerca de 61,3% das preferências. Chocolates e bombons, que aparecem isoladamente com 21,3% das intenções, seguem figurando na lista de presentes mesmo após a Páscoa.

 

Por outro lado, continuam aparecendo itens que não eram mencionados antes da pandemia, tais como cestas de café da manhã e delivery de refeições.

 

Em síntese, as intenções de compra no Dia dos Namorados não mostraram diferenças muito significativas em relação ao ano passado.

 

Para o economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP (IEGV/ACSP), Ulisses Ruiz de Gamboa, a maioria dos que manifestaram intenção de adquirir presentes para a data está disposta a gastar mais e prefere realizar as compras em grandes redes do varejo e de forma presencial.

 

“A perspectiva é de um leve aumento das vendas para a data em relação ao ano passado. Apesar dos aumentos de renda, do emprego e das medidas de estímulo ao consumo realizadas pelo Governo, que tenderiam a impulsionar positivamente as vendas, poderão se contrapor a elevada inflação de produtos básicos e o alto grau de endividamento das famílias. Nesse sentido, ao menos parte do aumento do ticket médio de compra provavelmente está associada ao aumento dos preços”, conclui Ruiz de Gamboa.

 

Namoro no trabalho: como o RH deve agir com ética e equilíbrio

Especialista afirma que o problema não está nos relacionamentos, mas na forma como a empresa lida com eles

 

Com a chegada do Dia dos Namorados, muitos departamentos de Recursos Humanos se deparam com uma questão delicada: como lidar com casais que se formam dentro da própria empresa? Embora os relacionamentos afetivos entre colegas de trabalho não sejam novidade, a forma como as organizações lidam com esse tema ainda é motivo de dúvidas e, em alguns casos, de conflitos silenciosos que comprometem o clima organizacional.

Para Alexandre Slivnik, especialista em excelência de serviços e vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), o ponto central da discussão não é proibir ou incentivar o namoro no trabalho, mas garantir que as relações não afetem a ética, a transparência e os resultados da equipe. “Relacionamentos entre colegas são naturais, especialmente em ambientes onde as pessoas compartilham metas, desafios e tempo. Mas é papel do RH e da liderança criar diretrizes claras para que isso não gere favorecimentos, conflitos de interesse ou desequilíbrios na dinâmica da equipe”, afirma.

Slivnik lembra que, de acordo com uma pesquisa da Society for Human Resource Management (SHRM), 27% dos profissionais americanos já se envolveram romanticamente com alguém do trabalho. No Brasil, os números são ainda maiores. Um estudo do InfoJobs revelou que 42% dos profissionais já tiveram ou têm um relacionamento com alguém do ambiente corporativo. O dado, segundo o especialista, mostra que é um tema que não pode ser ignorado. “Fingir que o assunto não existe é um erro. O ideal é tratar com naturalidade e respeito, mas com regras claras”, diz.

Segundo o especialista, empresas que mantêm uma cultura de confiança e comunicação aberta conseguem lidar com o tema com mais leveza e maturidade. O papel do RH, nesse cenário, é mediar o diálogo e garantir que a relação não interfira em avaliações de desempenho, promoções ou decisões estratégicas. “O problema não é o namoro, mas o que se faz com ele. O risco surge quando há desequilíbrio hierárquico, falta de transparência ou conflitos de interesses mal resolvidos”, alerta.

No Dia dos Namorados, é comum que empresas promovam ações simbólicas, como cafés da manhã temáticos ou troca de mensagens entre colaboradores. Para Slivnik, essas iniciativas são válidas, desde que respeitem a diversidade e não exponham quem prefere manter sua vida pessoal fora do ambiente profissional. “O papel da empresa não é promover o amor, mas permitir que ele exista sem interferir na produtividade e no bem-estar coletivo. Celebrar o dia com leveza e empatia é possível, mas o foco deve ser sempre o respeito.”

O especialista afirma ainda que um ambiente saudável é aquele que entende que os colaboradores não deixam sua vida pessoal na porta da empresa. “Quando as relações humanas são tratadas com respeito e maturidade, o engajamento aumenta. E isso vale para qualquer tipo de vínculo: amizade, admiração, parceria — e, sim, também para o afeto”, conclui.



Alexandre Slivnik - único brasileiro a dar a volta ao mundo em um avião privado da Disney para conhecer os bastidores de todos os parques da empresa no mundo, juntamente com seus maiores executivos. É reconhecido oficialmente pelo governo norte americano como um profissional com habilidades extraordinárias na área de palestras e treinamentos (EB1). Autor de diversos livros, entre eles do best-seller O Poder da Atitude. Diretor executivo do IBEX – Institute for Business Excellence, sediado em Orlando / FL (EUA). Vice-Presidente da ABTD - Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento. Professor convidado do MBA de Gestão Empresarial da FIA / USP. Palestrante com mais de 20 anos de experiência na área de RH e Treinamento. Atualmente um dos maiores especialistas em Encantamento de Clientes no Brasil. Palestrante Internacional com palestras feitas nos EUA, EUROPA, ÁFRICA e ÁSIA, tendo feito especialização na Universidade de Harvard (Graduate School of Education - Boston / EUA).
www.alexandreslivnik.com.br


Inscrições para nova turma de apadrinhamento afetivo estão disponíveis no Grande AB

ONG Ficar de Bem celebra aumento de 40% na procura e reforça importância do afeto como ferramenta de transformação social

 

A ONG Ficar de Bem abre as inscrições para a nova turma do Projeto Fênix, iniciativa de apadrinhamento afetivo que tem mudado a vida de crianças e adolescentes acolhidos em São Bernardo do Campo. O serviço, que promove vínculos afetivos entre adultos voluntários e jovens sob tutela do Estado, registrou um aumento de 40% na procura neste primeiro semestre em comparação ao ano anterior.

Desde 2016, o Projeto Fênix vem construindo histórias de afeto e presença. Administrado pela instituição, referência regional no cuidado e fortalecimento de vínculos com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, o serviço conecta voluntários a crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos que vivem em acolhimento institucional, oferecendo a eles experiências afetivas fora dos abrigos.

“O apadrinhamento afetivo é uma chance de oferecer mais do que cuidado, é sobre ser referência, companhia e apoio. Vemos esse crescimento na procura como um reflexo da consciência coletiva de que toda criança e jovem precisa de afeto para se desenvolver plenamente”, afirma Ariane Bravin, psicóloga e coordenadora de projetos da ONG. A organização reforça o convite para que mais pessoas conheçam e se envolvam com a causa. Hoje, são 20 crianças e adolescentes que aguardam por um padrinho ou madrinha afetiva na cidade do Grande ABC.

A ONG Ficar de Bem conta com o apoio da organização alemã KNH (Kindernothilfe) e atua em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê, no artigo 19-B, o direito à convivência comunitária e ao fortalecimento de laços afetivos como parte essencial do desenvolvimento humano.

Para ser padrinho ou madrinha, é preciso ter mais de 25 anos, morar em São Bernardo do Campo, não estar na fila de adoção, ter estabilidade emocional e familiar e uma diferença de pelo menos 14 anos em relação ao afilhado. O processo de formação inclui entrevistas, visitas domiciliares, oficinas sobre desenvolvimento infantojuvenil, e uma palestra com uma defensora pública sobre direitos e deveres. Já as crianças passam por oficinas que explicam, com linguagem acolhedora, o que é o apadrinhamento, sempre reforçando que não se trata de adoção, mas de uma relação afetiva constante.

“Os encontros com os padrinhos começam de forma mensal, podendo se tornar mais frequentes com o tempo. O processo completo, desde a inscrição até a primeira noite da criança na casa do padrinho, leva cerca de seis meses. Apesar da burocracia, cada etapa é pensada para garantir a segurança emocional e física tanto da criança quanto da família”, reforça Ariane.

Os primeiros encontros são mensais, podendo se intensificar com o tempo, conforme o vínculo se fortalece. Todo o processo, da inscrição ao início da convivência, leva cerca de seis meses. A nova turma começa a ser formada em junho e os interessados podem participar de reuniões informativas antes da inscrição oficial. Mais informações estão disponíveis pelo site ficardebem.org.br, pelo WhatsApp (11) 99862-4355 ou pelo e-mail projetofenix@ficardebem.org.br

 

 

Sobre Ficar de Bem
A ONG Ficar de Bem é uma organização não governamental, sem fins lucrativos e sem vínculos políticos ou religiosos, que há 36 anos defende os direitos e oferece apoio integral a crianças, adolescentes e suas famílias, além de idosos, mulheres e pessoas em situação de rua, vítimas de violência física, psicológica, sexual e negligência. Fundada em 1988 como CRAMI – Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância do ABCD – pelo pediatra Emílio Jaldin Calderon, a instituição atualmente é presidida pelo empresário Evenson Robles Dotto e conta com núcleos de atuação em Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema. Com 18 serviços voltados para prevenção, acolhimento e suporte social, além de coordenar o Bom Prato na região do ABC, a ONG mantém parcerias com o poder público - Prefeitura de Santo André, de São Bernardo e Diadema - que possibilitam a ampliação e sistematização do atendimento, rompendo ciclos de violência e promovendo relações de cuidado e respeito. Reconhecida por sua transparência e eficiência, a Ficar de Bem possui certificações e prêmios e é declarada Utilidade Pública em níveis municipal, estadual e federal, atuando conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), reafirmando seu compromisso com uma sociedade justa e igualitária. Além disso, a instituição está pelo terceiro ano consecutivo na lista das 100 melhores ONGs do Brasil.

 

Inovação: como o Brasil pode colaborar em tempos de incerteza global?


Em um cenário em que as relações internacionais se tornam mais complexas e menos previsíveis, o Brasil tem condições de avançar em diferentes mercados. E como as organizações podem fortalecer conexões além-fronteiras? Nesses tempos, a resposta continua na inovação e na capacidade de simplificar processos para ganhar performance. Não faltam exemplos de que isso é possível.  

A indústria de mineração, há anos no topo do PIB nacional, prevê direcionar mais de US$ 10 bilhões a projetos de sustentabilidade no período entre 2024 e 2028, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O volume é 62% maior que o previsto para aplicação no intervalo de 2023 a 2027. Nesse segmento, o país se destaca na corrida de pelo menos 11 matérias-primas estratégicas para a transição energética – inclusive o lítio necessário para as baterias de carros elétricos.  

Por mais que as questões geopolíticas tenham ganhado espaço, as empresas brasileiras jamais podem abandonar o que está em suas mãos resolver, como a eficiência operacional. Ainda que haja inúmeros gargalos de processo a solucionar, no início de 2025, o agronegócio já previa crescimento no ano, impulsionado pela expansão das áreas de cultivo, da produção de grãos e da atividade de insumos agropecuários.  

Na safra 2023-2024, o Brasil, líder na produção de milho e soja, ultrapassou os EUA como maior fornecedor de algodão e espera se tornar o maior vendedor de café e carnes do mundo. De acordo com o estudo Radar Agtech 2024, da Embrapa, o número de incubadoras de startups do setor cresceu 224%, comparado ao ano anterior.  

Na indústria aeronáutica, que envolve altíssima tecnologia, a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, é líder em encomendas de Veículos Aéreos de Decolagem e Aterrissagem Vertical (eVTOLs), ou “carros voadores”. Entre 2021 e 2023, a participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia brasileira passou de 45% para 49%, consolidando o potencial do país para encabeçar a transição energética. A média mundial é de 14%. 

Na indústria criativa, vamos além do Oscar no cinema. O Brasil é o quinto maior mercado de games em número de jogadores e representa cerca de metade das receitas na América Latina. Tornou-se o primeiro país, em 2025, a garantir em Cannes o prêmio “Creative Country of the Year”, em reconhecimento à sua tradição e influência.  

Na área financeira, com mais de 160 milhões de usuários, o Pix se tornou referência internacional em agilidade e segurança das transações. Segundo levantamento da A&S Partners, o número de fintechs no Brasil aumentou quase 80% nos últimos cinco anos.  

O setor de logística reflete o gigantismo de um território de dimensões continentais e está na base de muitos desses mercados. De modo direto, como no frete de commodities; ou indireto, como em etapas da infraestrutura para operação de meios de pagamento ou telecomunicações. As cerca de 300 logtechs do país têm promovido uma revolução digital diversificada no transporte das cargas, que passa por gestão de entregas, frotas, IA, automação, B2B, B2C, segurança, democratização do acesso, sustentabilidade, last-mile, aumento de margens e tantas outras áreas. 

O tamanho do país, de sua economia e de seu mercado, aliado às alternativas que precisamos criar, abre espaço para experimentar soluções de maneira única. Na base não apenas da tentativa e do erro. Beneficiados também pela intensidade, escala e diversidade que o Brasil oferece como diferencial no mundo.  

Em períodos de incerteza, há ainda menos tempo para agir. É urgente pensar em como nossas maiores habilidades podem ajudar a resolver os problemas locais e os de outros países. Respostas não faltam. 

 


Thomas Gautier - tem duas décadas de experiência em grupos internacionais e assumiu como CEO do Freto em 2021. Reconhecido Empreendedor do Ano na 26ª edição do prêmio promovido pela EY, foi CFO e diretor-geral da Repom no Brasil e Head de Logística do Grupo Edenred.

 

Dia dos Namorados: crime de fake amor contra idosos é levado à Câmara

 

Alta de golpes virtuais tem despertado alerta para a população e legislativo brasileiro


Com a proximidade do Dia dos Namorados, é importante falarmos do estelionato emocional, um dos principais crimes que tem acometido a população brasileira. O comumente conhecido por “fake amor” impacta homens e mulheres, tanto jovens quanto idosos, que possuem maior vulnerabilidade emocional.
 

O assunto é pauta na Câmara dos Deputados, mediante ao Projeto de Lei 69/25. O PL qualifica o estelionato sentimental como crime por falsear um relacionamento amoroso para obtenção de vantagem econômica ou material. A pena prevista é reclusão de três a oito anos e multa. Já contra pessoa idosa, a lei prevê uma reclusão maior, de quatro a dez anos. O projeto de lei, que segue em análise, pretende alterar o Código Penal tratando o crime de estelionato separadamente ao de estelionato sentimental. Mediante esta alteração, esse crime passa a fazer parte da Lei Maria da Penha e do Estatuto da Pessoa Idosa, uma vez que, é configurado como crime de violência emocional e patrimonial.

Para proteger a população longeva desta situação, o gerontólogo Antonio Leitão, do Instituto de Longevidade MAG, traz insights de como eles podem se proteger contra esse tipo de golpe.
 

  1. Fique atento a movimentações financeiras inesperadas: mudanças inexplicáveis nas finanças do idoso, como transferências bancárias fora do comum, ou solicitações de alterações em documentos patrimoniais sem explicação clara.
  2. Guarde comprovações: documente o máximo de conteúdos possíveis, desde conversas despretensiosas até solicitações de transações bancárias. Arquive os registros dessas movimentações e qualquer outro material que possa defender a vítima em caso de uma investigação.
  3. Procure orientação profissional: a qualquer tipo de desconfiança, consulte advogados especializados em golpes financeiros. Além disso, caso seja necessário, é recomendável a ajuda de terapeutas que possam fornecer apoio ao idoso nesse momento difícil.
  4. Disque 100: utilize o canal responsável por receber denúncias e combater o crime contra a população brasileira de longevos para denunciar casos de estelionato emocional contra idosos e acompanhe as autoridades competentes para as devidas providências.



Instituto de Longevidade MAG


Banalização das ações por erro médico e a indústria dos danos morais

A crescente judicialização da saúde no Brasil tem trazido preocupações legítimas não apenas aos pacientes, mas também à classe médica, no pleno exercício da profissão, e à sociedade como um todo. Dados do próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) impressionam: em um único ano, o número de processos judiciais envolvendo alegadas falhas médicas saltou 506%. Em 2023, eram 12.268 ações registradas; apenas um ano depois, este número alcançou a marca de 74.358. Isso equivale a mais de 200 novos processos por dia. 

O fenômeno merece reflexão urgente. Se por um lado a via judicial é fundamental para a garantia de direitos e reparação de danos legítimos, por outro, o crescimento exponencial dessas ações revela um padrão preocupante de banalização do chamado “erro médico” e, consequentemente, do instituto dos danos morais. 

Não se pode negar a existência de casos em que o paciente efetivamente sofre prejuízo relevante por falha profissional, devendo ser indenizado nos exatos termos da lei. A responsabilidade médica existe e é um freio importante, norteando a medicina ética e a excelência com a qual se espera o atendimento quando se está em jogo a saúde. Contudo, o que se observa, na prática forense, é a proliferação de demandas que, em muitos casos, se baseiam apenas na frustração do resultado esperado pelo paciente, sem que haja verdadeiro erro técnico, imperícia, imprudência ou negligência, itens que implicam e comprovam erro médico. 

A chamada “indústria dos danos morais” tem transformado o Judiciário em palco para pleitos pouco criteriosos e até temerários, o que acaba por desestimular o exercício da medicina e gerar temor e insegurança jurídica na classe médica. Processos infundados não apenas sobrecarregam o sistema judicial, mas também podem arruinar injustamente reputações construídas ao longo de toda uma carreira. 

É fundamental destacar que, do lado do profissional acusado, há consequências profundas e nem sempre reparáveis. Uma acusação injusta pode significar não só perda financeira — pela necessidade de defesa técnica, afastamento temporário e até dificuldade de recolocação — mas também danos morais e reputacionais irreversíveis, chegando a configurar verdadeira difamação. 

Existem alguns fatores que contribuem para a insegurança jurídica enfrentada pela classe médica, para além da responsabilidade civil e criminal em ações por erro médico. Divergências na jurisprudência, legislação desatualizada, no sentido de não acompanhar os avanços tecnológicos e científicos, a regulamentação que acompanhe a evolução de procedimentos e, por vezes, até a precariedade de recursos do sistema de saúde podem impactar no pleno exercício da profissão, gerando medo de litígios, incertezas na tomada de decisão e até mesmo na relação médico-paciente. 

A fronteira entre a busca de justiça e o abuso do direito de ação é extremamente tênue. O devido processo legal e a presunção de inocência, princípios estruturais do nosso ordenamento, precisam ser rigorosamente observados para evitar condenações precipitadas. 

A judicialização excessiva e a banalização das ações de erro médico podem gerar graves distorções. O judiciário, nesse cenário, tem papel central ao filtrar adequadamente as demandas, distinguindo o dano real da mera insatisfação, e evitando que a “indústria do dano moral” desequilibre a relação médico-paciente e avilte o exercício da medicina. 

Igualmente importante é a conscientização da sociedade quanto aos desafios inerentes à atividade médica: nem todo insucesso terapêutico decorre de erro; muitas vezes, representa o próprio limite da ciência. 

O debate sobre as ações de erro médico e a indústria dos danos morais exige maturidade, bom senso e compromisso com a verdade dos fatos. Defender os direitos do paciente não significa transformar todo mau resultado em reparação automática; proteger o profissional de saúde não implica tolerar negligências. O equilíbrio é — e sempre será — a melhor receita para a boa justiça. Afinal, aos bons profissionais e aos verdadeiros pacientes, devemos o respeito à verdade e à Justiça.

 

Natália Soriani - advogada especialista em Direito Médico e de Saúde, sócia do escritório Natália Soriani Advocacia

 

5 coisas que você precisa saber antes de visitar os Lençóis Maranhenses

  


Os Lençóis Maranhenses são um dos tesouros naturais mais impressionantes do Brasil. Um céu intensamente azul cobre dunas de areia branca esculpidas pelo vento, intercaladas por lagoas cristalinas que transformam a paisagem em um cenário quase surreal — único no mundo. 

Mas para viver essa experiência em sua plenitude, é fundamental escolher a época certa. A alta temporada, quando as lagoas estão cheias e o clima é predominantemente ensolarado, vai de junho a agosto. 

Para quem pretende visitar o novo Patrimônio Natural da Humanidade reconhecido pela UNESCO em 2024, a Civitatis, plataforma líder em venda de passeios e experiências no mundo todo, reuniu cinco dicas essenciais para planejar essa viagem inesquecível:

 

1. Faça uma parada estratégica em São Luís
 



Para quem sai das regiões Sul e Sudeste, o trajeto até os Lençóis pode ser cansativo. Primeiro, é necessário um voo até São Luís, seguido por um transfer terrestre de cerca de 4 horas até uma das cidades-base do parque, como Barreirinhas ou Santo Amaro do Maranhão. A dica é pernoitar em São Luís na ida e/ou na volta para evitar o desgaste de combinar voo e estrada no mesmo dia. Além disso, vale a pena explorar a capital maranhense, especialmente durante as festas juninas, quando o Centro Histórico ganha ainda mais charme e cores.



2. Barreirinhas é a maior cidade, mas também a mais distante
 


O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses pode ser acessado a partir de três locais: Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e o vilarejo rústico de Atins. Barreirinhas é a maior cidade e oferece melhor infraestrutura de hospedagem, comércio e serviços, mas também é a mais distante das lagoas. Em média, o trajeto até o parque dura cerca de uma hora em veículos 4x4, por estradas de terra esburacadas, e você muito provavelmente estará sentado em um banco na traseira aberta. Já a partir de Santo Amaro, esse deslocamento é mais curto e tranquilo — cerca de 20 a 30 minutos. Vale considerar esses fatores ao escolher onde se hospedar.


 

3. Os Lençóis são incríveis, mas há muito mais a explorar
 


As dunas e lagoas são, sem dúvida, o ponto alto da viagem, e vale a pena fazer pelo menos 2 ou 3 passeios para conhecer diferentes áreas do parque. Afinal, as lagoas variam entre si e cada passeio revela paisagens únicas. Mas não se limite às lagoas, diversifique seu roteiro e faça outras opções de passeio, como a
flutuação no rio Formiga, o passeio noturno para observar o plâncton brilhante, ou a famosa lancha pelo rio Preguiças. Assim, você desfruta mais do que a natureza abundante da região tem a oferecer.


 

4. Escolha com atenção as empresas de passeio e transfer
 


Esta é uma viagem em que o viajante obrigatoriamente terá que contratar prestadores de serviço como transfers, trajetos de lancha (para ir de Barreirinhas para Atins, por exemplo), entre outros. O parque tem acesso controlado e todos os passeios e deslocamentos precisam ser feitos com empresas autorizadas. Não é possível visitar por conta própria. Para garantir uma boa experiência, é fundamental escolher muito bem as empresas contratadas. Muitos turistas relatam experiências negativas com empresas locais que pecam na pontualidade, qualidade ou organização. Com a
Civitatis, o viajante pode reservar com confiança: todos os prestadores passam por um processo rigoroso de seleção e qualidade, garantindo uma experiência segura e tranquila.


 

1.   Não vá embora sem provar os sorvetes regionais

Bacuri, fruta regional


Depois de um dia explorando as dunas, nada melhor do que se refrescar com os sorvetes artesanais típicos da região. Sabores como bacuri, buriti, murici, castanha e cajá são imperdíveis. As sorveterias são points das cidades-base e vale muito a pena a visita. Em Barreirinhas, experimente o sabor Atins na Bolinha Sorvetes. Em Atins, vá até a sorveteria do Restaurante Ça Va. E em Santo Amaro do Maranhão, conheça a Sorveteria Quero-Quero.



Civitatis



Contrato de namoro: advogada explica prós e contras de documento que ganhou popularidade entre casais

Documento pode determinar frequência afetiva do relacionamento e também, que não há possibilidade de divisão de bens entre partes envolvidas

 

Seja por questões afetivas ou para proteger o patrimônio, nos últimos anos, muitos casais aderiram a uma espécie de documento para determinar exatamente o que define e o que pode ser esperado da sua relação. De acordo com o Colégio Notarial do Brasil (CNB), em 2023, 126 contratos de namoro foram registrados como recorde no país; e em 2024, o documento ficou em alta após o jogador Endrick, da Seleção Brasileira, revelar termo que cumpria com a namorada. 

Cláusulas comuns versam sobre a data de início do relacionamento, obrigação de comemorar esta data e os respectivos aniversários, dizer ‘eu te amo’ todos os dias e a proibição de dormir sem conversar após uma briga. “Outras cláusulas mais específicas tratam de quantas vezes o casal deve ter relações sexuais por semana, quantas vezes por mês devem fazer algum programa especial a dois, ou ainda a possibilidade de indenização em caso de traição”, exemplifica a advogada Cintia de Fátima Silva, especialista em Direito de Família. 

Além da área afetiva, esse tipo de contrato ganhou visibilidade porque formaliza os termos de uma relação amorosa entre duas pessoas que não tem intenção de constituir família, e assim, dividir patrimônio. “O objetivo é afastar a possibilidade de reconhecimento de uma união estável e, consequentemente, seus efeitos jurídicos, como partilha de bens e efeitos hereditários”, explica Cintia. 

De acordo com a profissional, que é professora do curso de Direito da Estácio, a prática se popularizou na pandemia, que impôs uma convivência restrita e diária entre os casais, mas segue cada vez mais atual e comum – e aceito pelo Poder Judiciário. 

“Quando celebrado por pessoas capazes e mediante instrumento adequado, o contrato poderá ser válido por atender os requisitos legais, prevalecendo para os envolvidos enquanto perdurar as características do namoro. Porém, se na análise do caso houver provas da intenção de constituir família, o contrato é passível de revogação, passando a ser aplicadas as regras que envolvem a união estável”.
 

Quando o namoro acaba 

Visto com naturalidade por alguns casais, mas com estranhamento por outros, o documento pode ser bastante útil quando o relacionamento chega ao fim. “Quando o casal não define claramente o tipo de relação que vive, os atos de ambos, na prática, podem se confundir com o que se pensa da própria relação, ou seja: o casal pode agir como se fossem casados, numa aparente união estável, quando em verdade um deles, ou os dois, entende estar apenas num namoro”, alerta a jurista. 

“Em caso de término, a aparência da convivência vivida pode ser levada à Justiça, e preencher os requisitos da união estável, sendo possível que o juiz determine eventual partilha de bens, pensão alimentícia, entre outros direitos inerentes a esse tipo de relação”. 

Na união estável, de acordo com o Código Civil, valem as mesmas regras de um casamento com comunhão parcial de bens, quando os bens adquiridos durante a convivência são divididos em proporções iguais. Cintia explica que “quando essa intenção de formar uma família é caracterizada, têm-se os efeitos jurídicos inerentes ao Direito de Família. Assim, em caso de término, além da possibilidade de partilha de bens, pode haver pedido por pensão alimentícia, direitos sucessórios, etc. No contrato de namoro não há essas consequências jurídicas justamente porque as partes acordam que se trata de um simples namoro”, esclarece.
 

Como fazer um contrato de namoro 

Para os casais interessados em aderir à prática, a advogada Cintia de Fátima Silva orienta que a cláusula mais importante é a de “inexistência de intenção de constituir família”. Outro ponto importante é que “o documento deve refletir a vontade genuína do casal, sem pressões, de forma que as cláusulas sejam confortáveis e justas para os dois lados”. 

Pode-se também pensar em cláusulas específicas sobre os desejos e vontades de ambos, inclusive sobre as particularidades do casal que os dois sintam que seja importante definir. Entretanto, o contrato não pode ter cláusulas abusivas contra a dignidade humana, conforme esclarece a profissional. “Termos dessa natureza, além de serem nulos ou anuláveis, podem gerar obrigação de indenizar por danos morais, se ferir a honra, o corpo físico ou causar constrangimento excessivo às partes”, afirma. 

Quanto às questões fiscais e patrimoniais, o contrato pode especificar que cada parte manterá seus bens separados. Se for redigido pelo casal, o contrato deve ter descrito com clareza os termos do relacionamento. 

Feito isso, as partes podem inserir as cláusulas que desejarem – desde que respeitem a dignidade humana e os limites pessoais de cada um. “É importante dialogar e listar o que cada um deseja, e o que seria bom fica acordado entre os dois de forma a evitar dúvidas ou problemas futuros”, aponta a profissional. 

Apesar de não ser obrigatório, a especialista orienta o acompanhamento de um advogado para elaborar o documento. “Como se trata de um contrato particular, as partes podem exceder os limites da lei sem saber e, eventualmente, alguma cláusula pode ser invalidada, gerando dever de indenizar entre os envolvidos. Da mesma forma, não é obrigatório o registro do documento em cartório, embora desta forma o contrato de namoro seja a mais segura. O modo mais comum costuma ser um contrato feito entre as partes, onde cada um assina o documento e reconhece a firma dessa assinatura”, finaliza.




Estácio
estacio.br



8 em cada 10 brasileiros apontam atendimento de qualidade como fator decisivo na compra

78% preferem pagar mais por uma boa experiência, segundo CX Trends 2025

 

A lógica de que “quem tem o menor preço vence” está sendo substituída por uma nova realidade: o atendimento é o que fideliza. Segundo o relatório CX Trends 2025, realizado pela Octadesk em parceria com o Opinion Box, 78% dos consumidores brasileiros preferem comprar de marcas que oferecem uma boa experiência, mesmo que isso signifique pagar mais.

O estudo — que ouviu mais de 2 mil consumidores — reforça que o atendimento rápido, personalizado e eficiente se tornou um dos principais critérios de escolha na hora da compra online. E as empresas que ainda enxergam o atendimento como um custo, e não como ativo estratégico, podem estar comprometendo sua relevância de mercado.

“O atendimento deixou de ser um setor isolado e passou a ser um diferencial competitivo real. É ele quem constrói confiança, gera recompra e fortalece o valor da marca. Em um mercado cada vez mais digital, a experiência se tornou mais importante do que o preço”, afirma Rodrigo Ricco, diretor geral da Octadesk.


Atendimento virou fator de fidelização — e também de abandono

A pesquisa mostra que 54% dos consumidores destacam atendimento rápido e preciso como um dos principais fatores para voltar a comprar de uma marca, enquanto 41% afirmam que desistiriam de uma compra caso se deparassem com atendentes mal preparados. Já 69% esperam ser atendidos com base no seu histórico e preferências, mas apenas 13% consideram que as marcas entregam essa personalização com qualidade. Esses dados reforçam que a experiência no atendimento é hoje uma das poucas vantagens competitivas sustentáveis, principalmente em segmentos onde preço, prazo e produto já são muito similares entre concorrentes.

Essa transformação no comportamento do consumidor reforça a urgência das empresas em investir em soluções que unifiquem canais, automatizem processos de forma inteligente e mantenham o toque humano. Organizações que conseguirem entregar um atendimento integrado, ágil e empático estarão não apenas retendo clientes, mas também construindo relacionamentos duradouros, capazes de impulsionar crescimento e diferenciação no mercado cada vez mais competitivo.


O que as empresas precisam mudar

Para Rodrigo Ricco, o cenário exige uma mudança urgente na forma como as empresas encaram suas estratégias de relacionamento com o cliente. “Atender rápido é importante, mas atender com precisão é indispensável. O cliente quer agilidade, mas também espera respostas certas e com contexto. Além disso, ele não enxerga canais separados — para ele, é tudo uma coisa só. Por isso, WhatsApp, Instagram, chat e e-mail precisam funcionar de forma integrada, oferecendo uma experiência contínua. E, para isso acontecer em escala, o uso inteligente dos dados e da inteligência artificial é fundamental. A tecnologia precisa dar poder às equipes para conhecer o cliente, antecipar necessidades e personalizar cada interação, finaliza.

 


Octadesk


Você está conseguindo inovar na sua empresa?


Em um mundo movido por transformações tecnológicas cada vez mais aceleradas, inovar deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência para a sobrevivência e o crescimento das empresas, independentemente do porte e segmento. E engana-se quem pensa que inovação se resume a lançar novos produtos, pois está presente na reinvenção de processos, na criação de modelos de negócio eficientes e na adoção de novas formas de gestão. Quando bem aplicada, a inovação abre portas para ganhos expressivos de competitividade, agilidade e valor para o cliente. Os benefícios são inúmeros e estratégicos.

A inovação pode se manifestar de diferentes maneiras, dependendo do resultado que se pretende atingir. Segundo Peter Drucker, um dos maiores pensadores da administração moderna, a inovação é um dos dois principais pilares do empreendedorismo, juntamente com o marketing. Ou seja, se a sua empresa ainda não investe em inovação, é provável que esteja ficando para trás em relação às outras.

A verdade é que as empresas que inovam conseguem se adaptar mais rapidamente às mudanças do mercado, antecipar tendências e oferecer soluções mais adequadas às necessidades dos clientes. A inovação também possibilita o aumento da produtividade e redução de custos por meio da automação e otimização de processos e até mesmo um engajamento maior dos colaboradores.

Mais do que uma iniciativa pontual ou isolada, a inovação precisa ser incorporada à cultura organizacional. Isso implica conseguir criar um ambiente que estimule a criatividade, a experimentação e o aprendizado com erros. Empresas como Google, Amazon e Tesla são exemplos claros de organizações que integram a inovação em sua estratégia central, colhendo os frutos dessa postura a longo prazo.

Por outro lado, apesar dos benefícios, inovar também traz desafios e, em alguns casos, até mesmo riscos. Muitas lideranças podem encontrar resistência à mudança por parte de colaboradores, o que demonstra que o time não está preparado ou compreendendo de fato o que precisa ser feito para colocar em prática. Pode ser até que não possuam as ferramentas necessárias para tal e por isso, se sintam inseguros em dar determinado passo.

Uma gestão por OKRs - Objectives and Key Results (Objetivos e Resultados Chaves) -, pode facilitar processos inovadores, já que propõe que todos os integrantes da equipe trabalhem em conjunto em prol de atingir os resultados que são esperados, também garantindo que os colaboradores estejam cientes de suas funções e como estas geram impacto na empresa de maneira geral.

Além disso, os OKRs podem ajudar a mensurar os resultados das iniciativas inovadoras, já que promovem ajustes frequentes no plano de execução da estratégia, de geralmente três meses, o que vai permitir estar em contato constante com a proposta e com o que se espera atingir depois de determinado período, possibilitando perceber eventuais erros para não repeti-los e recalcular a rota quando fizer sentido.

O fato é que mesmo com desafios, a inovação é fundamental para que as empresas se mantenham relevantes e competitivas em um mundo em constante evolução. Mais do que uma vantagem, tornou-se uma necessidade estratégica. Ao adotar uma cultura inovadora e investir em novas ideias, as organizações não apenas aumentam sua performance e entregam melhores resultados, mas se preparam para um futuro dinâmico e sustentável.

 

Pedro Signorelli - um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/


Como reconstruir pensamentos e comportamento a partir das técnicas japonesas de restauro em cerâmica 'Kintsugi'

O que Kintsugi, uma arte japonesa de reparar objetos quebrados com ouro, pode ajudar você a se inspirar em sua vida quotidiana? É simples de entender. Assim como na vida, não somos isentos de rachaduras ou rupturas e o Kintsugi demonstra que as cicatrizes não só contam histórias, mas também podem unir beleza e força.

Do mesmo modo que na vida, não somos isentos de rachaduras. O Kintsugi (‘emenda de ouro’), também chamado de Kintsukuroi (‘reparo com ouro’), é uma técnica japonesa antiquíssima de consertar cerâmicas quebradas utilizando laca espanada ou uma mistura de pó de ouro, prata ou platina. Depois da cerâmica ser restaurada surgem veios dourados entremeados no design do objeto original dando uma nova vida e estética ao objeto original. No Kintsugi há uma técnica de decoração de objetos, a Maki-e, ‘imagem polvilhada’ em japonês, pela qual desenhos e padrões são criados polvilhando pó metálico (como ouro ou prata) sobre uma superfície de laca ainda úmida.

Por isso, a analogia seria tal como o Kintsugi dá nova vida a objetos quebrados como um pote japonês tradicional Hanki, geralmente feito de cerâmica, usado para armazenar arroz ou uma tigela Tchawan, usada para servir chá durante a cerimônia do chá, e também geralmente feita de cerâmica, nossas cicatrizes podem nos tornar mais fortes, mais sábios e até mais bonitos se soubermos tirar proveito da mudança.

O Kintsugi ensina materialmente sobretudo que as cicatrizes não só contam histórias, registram experiências, marcam situações, mas também podem agregar beleza e força. É fundamental num mundo que pede resultados, lembrar que o autoconhecimento é a base de toda realização. Eu aproveito para destacar aqui um paralelo entre o Kintsugi e a força que surge das experiências difíceis, porque é preciso ter coragem de ser imperfeito. A arte japonesa tem me ajudado a entender e a honrar minhas cicatrizes. É preciso, portanto, aceitar e abraçar nossas imperfeições como parte fundamental do nosso crescimento.

Reconhecida como uma das maiores pesquisadoras em temas de vulnerabilidade, coragem, resiliência, vergonha e empatia, a autora e pesquisadora da Universidade de Houston, Brené Brown, tem trabalhado e em seus estudos sobre emoções e conexões humanas. Ela afirma que a vulnerabilidade, muitas vezes percebida como fraqueza, pode ser na realidade, o segredo para a bravura, a inovação, a criatividade e a verdadeira conexão. Se permitir ser vulnerável, no entendimento dela, é essencial para viver plenamente e construir relações significativas.

René interpreta que seu conceito de ‘liderança corajosa’ é um pilar no mundo corporativo e educacional. A seu ver a coragem deve ser uma habilidade aprendida, o que implica encarar o medo, ter conversas difíceis e estar presente mesmo em situações de risco.

A cientista comportamental trabalha muito o tema ‘vergonha’ em suas pesquisas. Ela analisa principalmente a vergonha como uma dor intensa em acreditar que somos falíveis e, por consequência, indignos de amor e pertencimento. Seus ensinamentos são direcionados para como reconhecer, entender e trabalhar a vergonha, para que ela não paralise ou desumanize as pessoas.

"Pertencer a si mesmo requer coragem". Esse é um dos lemas preferidos dela, que costuma proferir em suas incontáveis palestras pelo mundo. Na visão dela, que é autora de seis best-sellers, também podemos cultivar um verdadeiro senso de pertencimento, começando por sermos fiéis a nós mesmos, em vez de nos moldarmos para agradar os outros.

Voltando ao universo do Kintsugi e das filosofias japonesas do bem viver, neste arcabouço existencial, a arte do restauro Kintsugi desperta a reflexão para o Ikigai, cujo propósito combina, paixão, missão, vocação e profissão. Trata-se de um conceito japonês que, de forma simples, significa ‘razão de ser’ ou ‘razão para acordar de manhã’. Seria a ideia de encontrar aquilo que dá sentido e propósito à sua vida.

Para estudiosos japoneses o ikigai não se restringe a trabalho ou aspirações profissionais, podendo ser aplicado a algo simples como cuidar de um jardim, preservar amizades ou acompanhar o desenvolvimento dos netos. A palavra vem da junção de ‘iki’ (vida) e ‘gai’ (valor, merecimento).

Na cultura japonesa, ele tem um caráter mais íntimo, relacionado ao bem-estar e à satisfação cotidiana, e não está associado diretamente a parte financeira ou mesmo reconhecimento. Para identificar seu ikigai as pessoas precisam se perguntar cotidianamente: O que faz você esquecer do tempo? Quais atividades energizam você? Que tipo de problema você gosta de resolver? Que valor você quer deixar para o mundo?

O conceito desse modo de pensar a partir da intersecção da paixão, missão, profissão e vocação é entender a satisfação, mas também o sentimento de inutilidade; a alegria e plenitude, mas sem prosperidade; o entusiasmo e complacência, mas também o senso de incerteza, o confortável, e o senso de vazio.

Nos inspirando num método semelhante à técnica maki-e podemos conduzir os seguintes procedimentos:

1. Identifique suas paixões, habilidades, o que o mundo precisa e o que você pode ser pago para fazer. Conecte os pontos e lembre-se que mudanças estruturais são gradativas, valorize os pequenos começos e celebre cada estágio avançado.

2. Reconheça suas falhas, não como fracassos, mas como partes essenciais do seu ser. Faça uma auto-observação não só como um ser completo, mas como uma pessoa em constante evolução e desenvolvendo seu progresso.

3. Ao aceitar a complexidade do autoconhecimento, não só descobrimos nosso propósito, mas também nos tornamos resistentes às inevitáveis rupturas da vida, afinal no ‘jogo jogado da vida’ encontramos desafios, que podem nos transformar numa versão melhor.

Para facilitar a gestão da mudança no processo de acelerações de carreira eu convido a todos a florescerem e reconhecer suas potencialidades. Entender que tipo de pessoa você poderia ser se acelerasse e progredisse seus talentos e eliminasse suas deficiências. Identificar também aqueles pontos limitantes que te paralisam. A melhoria contínua se faz caminhando.

Para finalizar deixaria três grandes reflexões: se você precisa ter para ser, você nunca teve; se você precisa fazer para ser, você nunca fez. Quando você começa a compreender o que você ama, fortalecer seus interesses, o seu ser floresce. Esse é um grande progresso.

 

Gabriel Ferraz Vidiri - profissional em gestão de pessoas, podcaster do ‘Papo de Progresso’ e especialista em liderança transformacional e em transição de carreira. É também mestrando (MPGC) pela FGV.


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