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terça-feira, 10 de abril de 2018

Hiperidrose & Bromidrose


 Quantas vezes você se deparou com odores de pessoas nas ruas, nos ônibus, em festas. O famoso "desodorante vencido" muitas vezes não está ligado ao descuido com a higiene e sim com um problema de saúde. O mesmo exemplo vale para aqueles que apresentam suor excessivo nos pés e ao tirarem os sapatos afastam quem está por perto. O popular "chulé" também está ligado a produção de suor que ao ter contato com fungos e bactérias produz um cheiro forte.
O ser humano possui dois tipos de glândulas sudoríparas, as écrinas e as apócrinas. A primeira está espalhada por toda a derme e é responsável por manter a temperatura do nosso corpo em torno de 36,5. Essa glândula é responsável pela produção do suor composto por água e sais minerais, que é expelido pelos poros. Esse suor é inodoro, sem cheiro.
Já aquele suor que causa mau cheiro é produzido pelas glândulas apócrinas, que estão localizados em pontos específicos do corpo humano: axilas, mamilos, região genital, couro cabeludo e planta dos pés. "O suor produzido por essas glândulas possui mais que água e sais minerais. Na maioria das vezes, esse suor tem também restos celulares e quando estão em contato com fungos e bactérias (microorganismos) ocorre uma ação química e o inocente suor apresenta um odor fétido", relata o cirurgião plástico, Dr. Alexandre Kataoka (membro da SBCP e Perito do Instituto de Medicina Social e Criminologia do Estado de São Paulo (IMESC).
Sabe-se que quem tem diabetes, quem apresenta alterações hormonais, usam certos tipos de antibióticos e pessoas que fazem uso excessivo do álcool ou abusam de alimentos como pimenta, alho e cebola podem apresentar o quadro de bromidrose.
Mas como e quando iniciar o tratamento?
O primeiro passo é fazer corretamente o diagnóstico. Essa identificação deve ser feita por um médico que irá prescrever o tratamento correto.

Higiene

Quem apresenta o quadro de bromidrose não pode descuidar da higiene. Seja para evitar o mau cheiro nas axilas ou na planta dos pés, a higienização deve ser redobrada principalmente no verão. Utilizar produtos anticépticos e desodorantes antitranspirantes, trocar o sapato e roupas diariamente e secar bem as axilas e os pés são algumas dicas.

Toxina ou Cirurgia?

Dependendo do quadro e estágio da bromidrose dois tratamentos são indicados.
O uso da toxina botulínica após avaliação médica é uma importante arma no combate da bromidrose, tendo uma taxa de melhora em aproximadamente 60% dos pacientes.
A aplicação deve ser feita a cada 06 meses. O objetivo é paralisar as glândulas, com a finalidade de diminuir a sudorese e a produção de microorganismos locais.
"Em casos que a toxina não foi efetiva, a opção é o procedimento cirúrgico. Dentre as cirurgias, 2 podem ser realizadas, a lipoaspiração superficial da região afetada ou a retirada total da região, ou ainda a combinação da duas técnicas", diz o cirurgião. Como todo procedimento cirúrgico, algumas medidas têm que ser adotadas, com a finalidade de um procedimento seguro, como exames pré operatórios e realização do procedimento em local adequado. A recuperação é rápida, cerca de 15 dias (variando de caso a caso).







Dr. Alexandre Kataoka - cirurgião plástico: Médico perito concursado pelo Instituto de Medicina Social e Criminologia do Estado de São Paulo (IMESC), Membro Titular da sociedade brasileira de cirurgia plástica e Preceptor dos residentes do Serviço Prof. Dr. Oswaldo de Castro.

Câncer colorretal é cada vez mais frequente em jovens


Sangue nas fezes, alterações dos hábitos intestinais, desconformo abdominal, perda de apetite e diarreia. Esses são alguns dos sinais apresentados por um dos tipos de câncer mais preveníveis, curáveis e letais, o colorretal. A doença atinge mais de 36 mil pessoas no Brasil anualmente, de acordo com as estimativas do Inca para 2018 – é o segundo mais frequente em mulheres e o terceiro, em homens. Seu rastreamento é indicado a partir dos 50 anos (OMS), mas segundo estudo da Sociedade Americana de Câncer, dobrou o número de casos em jovens adultos.

Obesidade e sedentarismo são algumas das razões pelas quais 30% dos diagnósticos são em quem tem menos de 55 anos. Assim, o documento divulgado pela Sociedade Americana conclui que indivíduos nascidos em 1990 têm quatro vezes mais chance de desenvolver câncer de reto e o dobro de chance de ter o de intestino, se comparado com alguém nascido na década de 1950.

Os fatores de risco em jovens estão ligados justamente ao estilo de vida, como indica outro estudo, publicado no British Medical Journal. Segundo ele, a cada 5kg/m2 ganhos no índice de massa corporal (IMC), aumenta 9% o risco de desenvolver câncer colorretal em homens.

O Dr. Tomazo Franzini, diretor da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), esclarece que a obesidade está ligada a diversos tumores, especialmente aos que acometem o aparelho digestivo. “Contudo, ela não é a causa em si, mas a consequência de uma série de maus hábitos, de estilo de vida e alimentares”.

O especialista ressalta a necessidade de campanhas educacionais sobre a neoplasia. “Precisamos conscientizar a população - e os próprios médicos - a respeito desse aumento. Em jovens, o diagnóstico costuma ser tardio justamente por falta de informação: sem saber os sintomas e a possibilidade de desenvolver a patologia, tardam a procurar um especialista e, logo, a obterem o diagnóstico e iniciar o tratamento”, analisa.

Abrangendo tumores que agridem o cólon e o reto, segmentos do intestino grosso, o câncer colorretal é identificado pela colonoscopia, exame que permite a visualização direta do interior do reto, cólon e parte do íleo terminal. O procedimento é a principal ferramenta para rastrear a neoplasia, uma vez que pode identificar lesões pré-oncológicas, conhecidas como pólipos, e removê-las durante o próprio procedimento. Ou seja, é capaz de prevenir, diagnosticar e tratar o câncer.

“A colonoscopia é fundamental no enfrentamento do avanço dos casos da doença, por isso, precisamos desmitifica–lo e ampliar o acesso à informação sobre a doença e suas formas de prevenção. Os sinais são sutis e podem ser confundidos com outras doenças, por isso um especialista deve ser procurado sempre que houver quaisquer suspeitas de problemas no aparelho digestivo”, conclui.



Transplante de córnea volta a crescer no Brasil


Pesquisa inédita mostra que a falta de prevenção é a maior causa. Entenda.


Em 2017 o Brasil teve a maior demanda por transplantes de córnea desde 2010. No ano 24,5 mil brasileiros foram registrados no banco de dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgão). Desses, 15,2 mil passaram pelo transplante e 9,3 mil permaneciam na fila de espera até dezembro. 

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier o transplante de córnea voltou a crescer porque a maior parte dos brasileiros não tem a cultura da prevenção. Só faz exames oftalmológicos quando percebe que está enxergando mal. O problema é que o ceratocone, doença que atinge 110 mil brasileiros e responde por 7 em cada 10 transplantes  no país não apresenta sintomas logo no início. 

 O especialista explica que o ceratocone degenera, afina e incha a córnea, lente externa do olho que normalmente é esférica e passa a ter o formato de um cone. O resultado é a visão desfocada, miopia e astigmatismo”, afirma. Por isso, é comum ser confundido pela população com vício de refração.


Pesquisa

A prova da falta de prevenção apontada por Queiroz Neto para a saúde ocular  é o resultado de uma pesquisa que acaba de concluir com 1318 portadores de ceratocone  na faixa etária de 16 a 44 anos.  O médico conta que dos participantes só 30% ou 398 passaram pelo crosslinking, única terapia capaz de interromper a progressão da doença.
 
Outras evidências são:

·44,3% dos que não fizeram crosslinking tem ceratocone progressivo, principal indicação para a terapia.

·Um em cada 4 dos que têm ceratocone progressivo adiaram tanto o crosslinking que hoje a cirurgia é contraindicada porque desenvolveram glaucoma, a córnea já tem espessura menor que 400 micras ou cicatrizes.

·52% afirmam que não têm como pagar pelo procedimento.

·10% não fazem por ter medo de passar pela cirurgia.


Diagnóstico e sintomas

Queiroz Neto explica que o ceratocone geralmente aparece na adolescência, mas pode surgir na infância ou idade adulta, e provocar a deformação da face anterior ou posterior da córnea. Por isso,  o mais seguro é o diagnóstico pela  tomografia que faz uma análise tridimensional. “Já diagnostiquei ceratocone em estágio inicial e na face posterior da córnea de crianças que costumam ter a doença mais agressiva” pondera. 

Para o portador os principais sinais do ceratocone são: troca frequente do grau dos óculos,  grande sensibilidade à luz, queda da visão noturna  e cansaço visual.


Cirurgias

“O crosslinking é uma cirurgia ambulatorial em que cominamos a aplicação de radiação ultravioleta associada à riboflavina (vitamina B2) para aumentar a resistência da córnea em até 3 vezes” afirma.  A pesquisa feita pelo médico mostra que a cirurgia interrompeu a progressão em 87% dos participantes além de melhorar a performance no computador ou tablet de 37% e proporcionar um ganho de visão para 47% embora esta não seja a principal proposta da cirurgia. O procedimento passou a ter cobertura dos planos de saúde este ano. No levantamento feito pelo médico 69% ainda não sabiam disso. 

Queiroz Neto afirma que outra cirurgia indicada para que tem ceratocone escapar do transplante de córnea é o implante de anel intraestromal. O procedimento melhora  a tolerância ao uso de lentes em casos de ceratocone avançado porque aplana a córnea. No estudo  63% dos que fizeram o implante experimentaram melhora da visão. Este índice sobe para 80% quando o implante é associado ao crosslinking após um ano da cirurgia.




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