Pesquisar no Blog

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Odontopediatra contesta: “É importante usar fio dental sim!”




Recentemente, o manual que define políticas de saúde nos Estados Unidos (Dietary Guidelines for Americans) excluiu a recomendação do uso de fio dental – justificando não haver estudos que comprovem sua eficácia. Na opinião da odontopediatra Helenice Biancalana, diretora da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), colocar em xeque a eficácia do uso do fio dental da forma como foi amplamente divulgado traz mais um desserviço do que propriamente um esclarecimento à população.

“Há quase dez anos existe um consenso de que é o cirurgião-dentista, que é o profissional que conhece de perto da configuração bucal de cada pessoa, bem como suas necessidades em termos de higiene, quem deve definir caso a caso se o uso do fio ou fita dental contribuirá para que o paciente evite, por exemplo, doenças gengivais. Ainda que diversos estudos científicos não apontem a efetividade do uso diário de fio dental, bani-lo da rotina de higienização dos dentes pode comprometer a saúde bucal do brasileiro – que já é tão precária”, diz a especialista. 

Na opinião da odontopediatra, a conduta mais apropriada diante de um impasse dessa relevância seria empreender um estudo bastante minucioso e longo, com uma larga amostragem, sobre os efeitos de se usar ou não o fio dental. Entretanto, a viabilidade desse tipo de empreendimento parece ter poucas chances. “Nenhum comitê de ética sério autorizaria estudos para grupos sem uso de fio dental, sob risco de expor os pacientes ao desenvolvimento da doença gengival, sem mencionar custos e logísticas complexas necessários para esse tipo de pesquisa. Sendo assim, o padrão e protocolo de higiene bucal inclui o uso de fio dental, mesmo com baixo nível de evidência científica”.

De acordo com a diretora da APCD, o Brasil está alinhado com a recomendação da maioria das entidades nacionais e internacionais – incluindo a American Dental Association – e mantém a recomendação do uso de fio dental somado à escovação com creme dental fluoretado e visitas regulares ao dentista.




Prof. Dra. Helenice Biancalana - odontopediatra e diretora da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD)www.apcd.org.br



Três em cada quatro idosos têm alguma doença crônica



 
Ações preventivas e de recuperação que preservem a autonomia do idoso devem ser o foco dos cuidados com a saúde da terceira idade



Três em cada quatro idosos têm alguma doença crônica segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O detalhe é que boa parte dessas enfermidades são incuráveis, destaca o médico do Pronto-Socorro (PS) do Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, André Scariot. Ações preventivas e de recuperação que preservem a autonomia da pessoa idosa devem estar no foco dos cuidados com a saúde da população da terceira idade. O PS Delphina Aziz é uma unidade da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), uma organização social sem fins lucrativos.

As dez doenças que mais acometem o brasileiro segundo o último senso populacional são: infarto agudo do miocárdio (11,8%), acidente vascular cerebral (9,9%), diabetes melitus (5,9%), doenças pulmonares obstrutivas crônicas (5,6%), doenças demenciais (4,2%), perda de audição (3,3%), insuficiência cardíaca devido hipertensão (3,3%), pneumonia (2,7%), artroses (2,6%) e catarata (2,2%).


O médico destaca que as patologias que mais levam os idosos à morte podem ser divididas em cinco grandes grupos: doenças cardiovasculares (42,3%) - que compõem infarto, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e sequelas, todas com proporções parecidas -, seguidas das neoplásicas (17,2%); das respiratórias (15,4%), que são as pneumonias e doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOCs); das doenças do sistema nervoso (9,4%), como demências; e as causas externas (5,6%) - principalmente quedas e acidentes domésticos.

Prevenção
“A maioria das doenças mencionadas pode ser prevenida e/ou adiada com um estilo de vida saudável e tratamentos adequados, mas geralmente não é possível evitar completamente a doença. Uma vez que a pessoa tenha, ela vai acompanhá-lo até o fim da vida. Neste contexto, é importante privilegiar ações preventivas e de tratamento e recuperação que preservem a autonomia da pessoa idosa, ou seja, que permitam à pessoa continuar desempenhando suas atividades sem depender da ajuda dos outros”, destaca Scariot.

De maneira geral, todas as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão, diabetes mellitus e hiperlipidemias, estão relacionadas aos hábitos adquiridos ao longo da vida. Por isso, é preciso lembrar que mesmo na correria do dia a dia, devemos procurar comer de forma adequada, evitar alimentos industrializados, bem como o consumo de tabaco e bebidas alcoólicas em excesso. Além disso, o ideal é praticar regularmente exercícios físicos. O hábito aumenta os fatores que proporcionam melhor qualidade de vida e reduzem as chances do surgimento de doenças.

“A condição de nutrição é um aspecto importante na terceira idade, visto que os idosos apresentam condições peculiares que comprometem seu estado nutricional. Alguns desses condicionantes ocorrem devido às alterações fisiológicas do próprio envelhecimento, enquanto que outros são acarretados pelas enfermidades presentes e pelas práticas ao longo da vida, como o fumo, dieta inadequada e a inatividade física, além da situação socioeconômica”, ressalta o médico.

A manutenção de um estado nutricional adequado é muito importante, pois de um lado encontra-se o baixo-peso, que aumenta o risco de infecções e mortalidade, e do outro o sobrepeso, que aumenta o risco das DCNT.

Outras doenças que acometem os idosos, tais como as causas externas, dependem de que os idosos sejam acompanhados continuamente por seus cuidadores e da adequação dos ambientes para que aqueles com dificuldades de locomoção, equilíbrio, entre outros, a fim de que seja minimizado o risco de acidentes.

Tratamento
O processo de envelhecimento impacta no comportamento orgânico, demandando abordagens diferenciadas, assim como crianças e jovens apresentam especificidades que são tratadas pelo pediatra, para a terceira idade existe o médico especializado em idosos: são os geriatras.

Além de lidar com doenças como as demências, a hipertensão arterial, o diabetes e a osteoporose, o geriatra também trata problemas com múltiplas causas, como tonturas, incontinência urinária e tendência à quedas. Ele também fornece cuidados paliativos aos pacientes portadores de doenças sem possibilidade de cura.

Frequentemente atua em conjunto com uma equipe multidisciplinar, como na avaliação de tratamentos adequados e daqueles que trazem riscos e/ou interações indesejadas.
“Além disso, há um grande número de idosos, com capacidade cognitiva reduzida e capacidade de cuidar de si muito deteriorada, dependendo a maior parte do tempo de terceiros para todas as suas atividades, principalmente pela incapacidade decorrente de doenças prévias. Esse grupo requer um cuidador que remeta os mesmos cuidados de mães aos recém-nascidos, tendo em vista a impossibilidade destes em realizar sozinhos muitas ações do seu dia-a-dia, ou em alguns casos, todas as ações”, disse Scariot.

Esses pacientes requerem cuidados especiais e acompanhamento médico constante, principalmente devido à necessidade de suporte medicamentoso e nutricional adequado e/ou presença de muitos dispositivos invasivos que podem estar em uso, como por exemplo sondas para alimentação ou para urinar. Esses dispositivos têm tempo limitado para permanecer no corpo e caso utilizados de maneira incorreta trazem mais prejuízos do que benefícios.


Idosos: óculos multifocais podem resultar em queda durante adaptação




Tem gente que se adapta às lentes bifocais ou multifocais com a maior facilidade. Outros levam um tempo maior para se sentirem seguros e, por fim, há sempre aqueles que preferem ter vários óculos para diferentes necessidades. Certamente, tem menos trabalho quem se adapta logo às lentes que vão se ajustando às necessidades de a pessoa enxergar de perto, meio perto, e de longe. Mas o médico Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, alerta para o risco de quedas – principalmente em relação aos idosos. “No começo, a pessoa pode ser induzida a pisar em falso algumas vezes. Isso se deve à falta de foco – que pode durar alguns segundos. Com a visão levemente embaçada, é comum errar o passo e tropeçar ou cair. Daí a importância de redobrar os cuidados nessa fase, até estar plenamente adaptado à lente multifocal”.

O médico explica que essa percepção de imagem desfocada, borrada, é maior quando a pessoa está olhando para a frente de onde está pisando. Estudo realizado na Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, detectou aumento na quantidade de quedas em idosos que estão tentando se adaptar aos óculos com lentes bifocais. Dezenove pessoas com idade média de 72 anos e visão normal fizeram uma série de tarefas relacionadas às suas pisadas.  Depois, fizeram os mesmos testes usando óculos que provocavam visão manchada – similar à dos óculos multifocais. Os registros finais revelaram que os participantes cometeram muitos erros no posicionamento dos pés, ficando predispostos a quedas.

Neves afirma que é bastante normal passar por um período de adaptação dos óculos bifocais ou das lentes progressivas. “Mas é fundamental que o médico oftalmologista pergunte a seu paciente sobre as atividades que pratica, o trabalho que desempenha, se costuma dirigir, cozinhar, ler, costurar, ou praticar qualquer outro hobby. Enfim, conhecer os hábitos de visão do paciente é meio caminho andado para que ele se acostume mais rapidamente com as lentes que se adaptam às necessidades do momento. São necessárias medições de ajuste bastante precisas para que as lentes funcionem corretamente”.

De acordo com o oftalmologista, cérebro e olhos têm de aprender a se ajustar às lentes progressivas – tão necessárias para quem já passou dos 45 anos. “Os pacientes vão, aos poucos, se acostumando a mudar o posicionamento da cabeça para enxergar melhor e com mais confiança. Para olhar para a frente, por exemplo, devem usar apenas a parte de cima das lentes. Já para subir uma escada, devem usar a parte de baixo da lente. Pessoas que não se adaptam de jeito nenhum a esse tipo de lente podem optar pela cirurgia a laser para corrigir a presbiopia – que é justamente esse distúrbio da visão provocado pela perda de elasticidade do cristalino, a lente natural do olho. Principalmente hoje em dia, quando todos estão antenados às redes sociais via smartphone, ninguém deseja ficar no troca-troca de óculos – o que seria um retrocesso”.



Prof. Dr. Renato Augusto Neves - médico oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, e autor do livro “Seus Olhos” (Editora CLA).

Posts mais acessados