Especialista da Rede Santa Catarina orienta sobre estratégias para
enfrentar o período com equilíbrio emocional
A proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) costuma
intensificar a ansiedade e a expectativa de milhares de estudantes que enxergam
na prova uma oportunidade de ingresso na universidade. Muito além de uma
avaliação de conhecimentos, o vestibular representa um momento de decisões
sobre o futuro, escolhas profissionais e expectativas familiares. Nesse
cenário, cuidar da saúde mental é tão importante quanto manter uma rotina de
estudos.
De acordo com Angélica do Carmo da Silva Chico, especialista em
orientação educacional da Rede Santa Catarina, é natural que os candidatos
sintam nervosismo, insegurança e preocupação diante de um desafio desta
dimensão. O sinal de alerta aparece quando essas reações deixam de estar
associadas apenas ao exame e passam a comprometer o bem-estar, os
relacionamentos e as atividades cotidianas. “Uma prova pode provocar ansiedade,
mas não devemos confundir esse sentimento com um sofrimento psicológico que
acompanha o estudante em diferentes momentos da sua vida”, explica a
orientadora.
Além do desconforto emocional, a pressão por bons resultados pode
interferir diretamente no desempenho. Quando o estudante passa a interpretar a
aprovação como uma medida de seu valor pessoal, o medo de fracassar acaba
ocupando parte dos recursos cognitivos necessários para a realização da prova.
A especialista destaca que níveis elevados de estresse prejudicam funções como
atenção, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva, favorecendo os
conhecidos “brancos” durante a avaliação. Por isso, pais, professores e
instituições de ensino devem incentivar a dedicação e a responsabilidade sem
associar o reconhecimento do jovem exclusivamente ao resultado alcançado. O
objetivo deve ser ajudá-lo a fazer o seu melhor, e não a buscar a perfeição.
A preparação emocional, no entanto, não começa na véspera do
exame. Ela é construída ao longo da rotina, com organização dos estudos, sono
adequado, alimentação equilibrada e momentos de descanso. Na reta final, a
orientação é priorizar revisões estratégicas, em vez de tentar aprender todo o
conteúdo ainda não dominado. “Dormir pouco para ampliar as horas de estudo pode
ter efeito contrário ao desejado, já que o sono participa da consolidação da
memória, da aprendizagem e da regulação emocional. Manter a hidratação, evitar
excessos de cafeína e reservar tempo para atividades prazerosas também
contribuem para reduzir a sobrecarga”, relata a especialista.
Durante a prova, uma estratégia importante é não permitir que uma
questão difícil comprometa toda a avaliação. A recomendação é sinalizar o
exercício, seguir adiante e retornar a ele posteriormente, conforme o tempo
disponível. Caso a ansiedade aumente, uma breve pausa, com os pés apoiados no
chão e uma respiração tranquila, pode ajudar a recuperar a concentração.
Realizar simulados e conhecer previamente os procedimentos do exame também
reduz a incerteza e favorece a segurança dos candidatos.
O apoio familiar é outro componente fundamental nesse processo.
Segundo Angelica, cobranças constantes, comparações e perguntas insistentes
sobre o desempenho podem aumentar a pressão enfrentada pelo adolescente. Em vez
de concentrar as conversas no número de horas estudadas ou na quantidade de
acertos, os responsáveis devem demonstrar disponibilidade para ouvir e
compreender as necessidades dos filhos. “A escuta afetiva é uma das atitudes
mais importantes”, ressalta a especialista. A atenção ao aspecto emocional deve
continuar mesmo depois da divulgação dos resultados. Não conseguir a vaga
desejada pode provocar tristeza, frustração e insegurança, sentimentos que
precisam ser acolhidos, e não minimizados. Além disso, para a especialista, não
alcançar a nota necessária em determinado processo seletivo não representa
incapacidade, mas apenas que o objetivo não foi atingido naquela tentativa e
diante daquelas condições.
O ingresso na universidade não precisa acontecer imediatamente
após a conclusão do Ensino Médio. Com o tempo, o estudante pode fortalecer
conhecimentos, amadurecer suas escolhas profissionais e reorganizar a
preparação. Para Angélica, esse momento também oferece uma oportunidade de
desenvolver habilidades importantes para a vida, como persistência,
planejamento e capacidade de rever estratégias. “Educar também é preparar para
atingir os resultados desejados e, principalmente, para lidar com aqueles que
não esperávamos”, conclui a especialista da Rede Santa Catarina.
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