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sábado, 7 de novembro de 2026

Muito além de ENEM: como cuidar da saúde mental em meio à pressão por uma vaga na universidade

Especialista da Rede Santa Catarina orienta sobre estratégias para enfrentar o período com equilíbrio emocional
 

A proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) costuma intensificar a ansiedade e a expectativa de milhares de estudantes que enxergam na prova uma oportunidade de ingresso na universidade. Muito além de uma avaliação de conhecimentos, o vestibular representa um momento de decisões sobre o futuro, escolhas profissionais e expectativas familiares. Nesse cenário, cuidar da saúde mental é tão importante quanto manter uma rotina de estudos. 

De acordo com Angélica do Carmo da Silva Chico, especialista em orientação educacional da Rede Santa Catarina, é natural que os candidatos sintam nervosismo, insegurança e preocupação diante de um desafio desta dimensão. O sinal de alerta aparece quando essas reações deixam de estar associadas apenas ao exame e passam a comprometer o bem-estar, os relacionamentos e as atividades cotidianas. “Uma prova pode provocar ansiedade, mas não devemos confundir esse sentimento com um sofrimento psicológico que acompanha o estudante em diferentes momentos da sua vida”, explica a orientadora. 

Além do desconforto emocional, a pressão por bons resultados pode interferir diretamente no desempenho. Quando o estudante passa a interpretar a aprovação como uma medida de seu valor pessoal, o medo de fracassar acaba ocupando parte dos recursos cognitivos necessários para a realização da prova. A especialista destaca que níveis elevados de estresse prejudicam funções como atenção, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva, favorecendo os conhecidos “brancos” durante a avaliação. Por isso, pais, professores e instituições de ensino devem incentivar a dedicação e a responsabilidade sem associar o reconhecimento do jovem exclusivamente ao resultado alcançado. O objetivo deve ser ajudá-lo a fazer o seu melhor, e não a buscar a perfeição. 

A preparação emocional, no entanto, não começa na véspera do exame. Ela é construída ao longo da rotina, com organização dos estudos, sono adequado, alimentação equilibrada e momentos de descanso. Na reta final, a orientação é priorizar revisões estratégicas, em vez de tentar aprender todo o conteúdo ainda não dominado. “Dormir pouco para ampliar as horas de estudo pode ter efeito contrário ao desejado, já que o sono participa da consolidação da memória, da aprendizagem e da regulação emocional. Manter a hidratação, evitar excessos de cafeína e reservar tempo para atividades prazerosas também contribuem para reduzir a sobrecarga”, relata a especialista. 

Durante a prova, uma estratégia importante é não permitir que uma questão difícil comprometa toda a avaliação. A recomendação é sinalizar o exercício, seguir adiante e retornar a ele posteriormente, conforme o tempo disponível. Caso a ansiedade aumente, uma breve pausa, com os pés apoiados no chão e uma respiração tranquila, pode ajudar a recuperar a concentração. Realizar simulados e conhecer previamente os procedimentos do exame também reduz a incerteza e favorece a segurança dos candidatos. 

O apoio familiar é outro componente fundamental nesse processo. Segundo Angelica, cobranças constantes, comparações e perguntas insistentes sobre o desempenho podem aumentar a pressão enfrentada pelo adolescente. Em vez de concentrar as conversas no número de horas estudadas ou na quantidade de acertos, os responsáveis devem demonstrar disponibilidade para ouvir e compreender as necessidades dos filhos. “A escuta afetiva é uma das atitudes mais importantes”, ressalta a especialista. A atenção ao aspecto emocional deve continuar mesmo depois da divulgação dos resultados. Não conseguir a vaga desejada pode provocar tristeza, frustração e insegurança, sentimentos que precisam ser acolhidos, e não minimizados. Além disso, para a especialista, não alcançar a nota necessária em determinado processo seletivo não representa incapacidade, mas apenas que o objetivo não foi atingido naquela tentativa e diante daquelas condições.

O ingresso na universidade não precisa acontecer imediatamente após a conclusão do Ensino Médio. Com o tempo, o estudante pode fortalecer conhecimentos, amadurecer suas escolhas profissionais e reorganizar a preparação. Para Angélica, esse momento também oferece uma oportunidade de desenvolver habilidades importantes para a vida, como persistência, planejamento e capacidade de rever estratégias. “Educar também é preparar para atingir os resultados desejados e, principalmente, para lidar com aqueles que não esperávamos”, conclui a especialista da Rede Santa Catarina.


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