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sábado, 7 de novembro de 2026

Infância sem tempo para brincar: por que recuperar o brincar livre é essencial para o desenvolvimento

Em meio a rotinas cada vez mais preenchidas por atividades dirigidas e pela presença de telas, garantir tempo, espaço e liberdade para brincar ganha importância no desenvolvimento infantil
 

A brincadeira é uma das principais linguagens da primeira infância e exerce papel central no desenvolvimento integral da criança. Longe de ser mero entretenimento ou passatempo, o brincar é uma atividade estruturante, na qual se cruzam dimensões cognitivas, motoras, emocionais e sociais. É brincando que a criança experimenta possibilidades, cria hipóteses, estabelece relações, enfrenta desafios e amplia a compreensão sobre si mesma e sobre o mundo.  

Ao mesmo tempo, as oportunidades para brincar livremente vêm disputando espaço com uma infância cada vez mais organizada pelos adultos. Rotinas preenchidas por compromissos e atividades dirigidas, o avanço do uso de telas e dispositivos e a redução das oportunidades de convivência e brincadeira em espaços externos transformam a relação das crianças com o tempo livre. 

Para Lilian Murad Bruner, mestre em Educação e diretora de Educação Infantil do Colégio Visconde de Porto Seguro, esse cenário exige atenção para que o brincar não seja tratado como secundário na rotina infantil. “Brincar não é um intervalo entre atividades consideradas mais importantes. É por meio da brincadeira que a criança investiga, cria, negocia, desenvolve autonomia e constrói diferentes aprendizagens. Por isso, garantir tempo, espaço e liberdade para brincar é parte essencial do desenvolvimento infantil”, afirma.
 

Quando brincar também é parte da proposta pedagógica

Na Educação Infantil, preservar o brincar livre significa criar condições para que a criança possa explorar, imaginar, construir, fazer escolhas e estabelecer relações com autonomia. Nesse contexto, cabe à escola planejar ambientes e experiências que favoreçam a curiosidade sem determinar previamente todos os caminhos da brincadeira. 

No Colégio Visconde de Porto Seguro, essa concepção faz parte da proposta pedagógica do Portinho. Materiais não estruturados, como elementos da natureza, caixas e tecidos, podem ampliar as possibilidades de criação justamente porque não determinam uma única maneira de brincar. O adulto, por sua vez, acompanha as experiências, observa as interações e aprendizagens que surgem e atua como mediador quando necessário. 

“O papel do adulto não é conduzir cada etapa da brincadeira, mas criar contextos que despertem curiosidade e permitam que a criança faça escolhas, teste possibilidades e atribua seus próprios significados à experiência”, explica Lilian.

O planejamento do ambiente também passa pela segurança. Em vez de funcionar como uma forma de restringir movimentos, um espaço estruturado de maneira estratégica pode ampliar a autonomia e reduzir a necessidade de proibições constantes. Aspectos como mobiliário adequado, ausência de quinas perigosas e escolha de superfícies apropriadas contribuem para que a criança possa se movimentar e explorar com maior liberdade. 

“A segurança deve criar condições para a exploração, e não impedir que ela aconteça. Quando o ambiente é pensado para acolher a curiosidade e o movimento da infância, conseguimos oferecer proteção sem retirar da criança a oportunidade de experimentar seus próprios limites”, afirma a educadora. 

Nesse processo, a presença atenta do adulto continua sendo fundamental. Diante de um perigo real, a intervenção é necessária. Já os pequenos desafios e frustrações que fazem parte da brincadeira podem se transformar em oportunidades para que a criança busque soluções, perceba limites e desenvolva confiança em suas próprias capacidades. 

Em uma infância marcada por agendas cada vez mais estruturadas e por novas formas de interação mediadas pela tecnologia, preservar momentos em que a criança tenha liberdade para imaginar, explorar, conviver e descobrir também é uma forma de cuidar de seu desenvolvimento. Garantir o brincar, dentro e fora da escola, é garantir espaço para que a própria infância aconteça.

 

Colégio Visconde de Porto Seguro


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