Economista Noé Santiago, da ANIDEA, explica como hábitos do orçamento doméstico podem influenciar a gestão e o endividamento das empresas
Antes de aparecer no caixa da empresa, o
descontrole financeiro pode dar sinais dentro de casa: compras sem
planejamento, gastos pequenos ignorados, uso recorrente do cartão e empréstimos
contratados sem comparação. A organização do orçamento familiar não se resume a
cortar despesas. Ela ensina a definir prioridades, comparar preços, formar
reservas e avaliar o custo de uma dívida, conhecimentos que também sustentam a
administração de um negócio.
Para o economista Noé Santiago, da curitibana ANIDEA, o empreendedor dificilmente deixa
seus hábitos financeiros pessoais do lado de fora quando abre a porta da
empresa. “Quem não sabe quanto custa manter a própria casa provavelmente também
terá dificuldade para identificar o custo real da empresa. A escala muda, os
valores ficam maiores, mas o comportamento costuma ser o mesmo”, afirma.
Estar endividado não significa obrigatoriamente
estar inadimplente. Financiamentos, compras parceladas e empréstimos
representam compromissos que podem fazer parte do planejamento financeiro. O
risco aparece quando as parcelas não cabem no orçamento ou quando o crédito é
utilizado repetidamente para cobrir gastos recorrentes. “Os pequenos gastos têm
um efeito silencioso. Isoladamente, parecem inofensivos, mas, quando se repetem,
comprometem a capacidade de poupar e obrigam a família a recorrer ao crédito.
Dentro de uma empresa, esse efeito pode ser ainda maior, porque entram folha de
pagamento, fornecedores, impostos, estoque e capital de giro”, explica
Santiago.
No ambiente empresarial, é comum que a atenção
fique concentrada nas vendas. No entanto, faturar mais não resolve
automaticamente problemas de margem, custos ou endividamento. Santiago compara
a gestão financeira ao cotidiano de um comerciante: não basta saber vender, é preciso
saber comprar. A mesma lógica se aplica ao crédito. “Crédito não deveria ser
contratado apenas porque foi aprovado ou porque o dinheiro pode ser liberado
rapidamente. É preciso saber para que ele será usado, quanto a empresa consegue
pagar e se o retorno esperado justifica a dívida. Pedir dinheiro emprestado
também exige planejamento”, observa.
O risco aumenta quando o empresário procura uma
instituição financeira somente depois que o caixa já entrou em situação
crítica. Com pouco tempo para negociar, ele pode aceitar a primeira proposta
disponível, sem comparar taxas, prazos, garantias e o Custo Efetivo Total.
“Assim como uma família precisa pesquisar antes de fazer uma compra importante,
a empresa deve comparar antes de contratar crédito. A solução mais fácil nem
sempre é a mais adequada, e uma taxa aparentemente menor pode esconder prazo
curto, parcela alta ou condições incompatíveis com o fluxo de caixa”, afirma
Santiago.
Entre os cuidados que podem começar em casa e
seguir para o negócio estão separar despesas essenciais das adiáveis, registrar
entradas e saídas, evitar comprometer toda a renda futura, criar uma reserva e
comparar alternativas antes de comprar ou tomar crédito. Na empresa, também é
fundamental manter as contas pessoais separadas das empresariais. “Economizar
não é simplesmente escolher sempre o produto mais barato. É saber comprar,
compreender o impacto daquela decisão no orçamento e preservar capacidade
financeira para o futuro. Essa disciplina começa no mercado, na conta de energia
e no cartão, mas depois aparece na forma como o empresário negocia com
fornecedores, forma preços e contrata empréstimos”, diz.
A ANIDEA atua como correspondente bancário e
realiza a intermediação de propostas junto a instituições financeiras
autorizadas. Entre as modalidades trabalhadas está o crédito com garantia de
imóvel, também conhecido como home equity. Nesse tipo de operação, o imóvel é
oferecido como garantia, o que pode permitir prazos mais longos e condições
diferentes das modalidades sem garantia. Em contrapartida, o patrimônio fica
vinculado ao contrato e pode ser perdido em caso de inadimplência. “Não existe
crédito bom ou ruim fora do contexto. Existe crédito adequado ou inadequado
para determinada situação. Usar um imóvel para garantir uma operação é uma
decisão relevante e precisa estar sustentada por planejamento, comparação e
capacidade real de pagamento”, ressalta.
Para o economista, cuidar do dinheiro significa
escolher melhor, inclusive quando é necessário pedir emprestado. A transparência
das informações e a compreensão dos compromissos assumidos são fundamentais
tanto no orçamento doméstico quanto na gestão empresarial. “Quando o assunto é
crédito, transparência não é detalhe. O cliente precisa compreender o que está
contratando, quanto vai pagar, quais são os riscos e quais alternativas possui.
A decisão só é consciente quando a informação está clara”, conclui.
ANIDEA
Noé Santiago - Economista
@anidea.br
noe.santiago@anidea.com.br
www.anidea.com.br
Mal. Deodoro, 51, Sala 205B, Centro, Curitiba/PR.

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