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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Na reta final do Enem, impacto da IA nas profissões ganha peso na escolha da graduação

Com 202 cursos superiores de IA e ciência de dados no Brasil, CEO da Tera explica por que vestibulandos precisam olhar também para o impacto da tecnologia nas profissões tradicionais 

 

Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para 8 e 15 de novembro, a escolha de uma graduação ganha uma questão adicional: como a inteligência artificial vai transformar as atividades da profissão que o estudante pretende exercer? Para Leandro Herrera, fundador e CEO da Tera, plataforma de educação em tecnologia e IA, o avanço da tecnologia exige olhar não apenas para as novas carreiras, mas também para as transformações daquelas que já existem. 

Um levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), a partir de dados do Ministério da Educação, identificou 202 cursos superiores de inteligência artificial e ciência de dados em funcionamento no Brasil, distribuídos por 153 instituições. Desse total, 76 são bacharelados e 126 são cursos tecnológicos. A expansão também se reflete no interesse dos estudantes. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o novo bacharelado em Inteligência Artificial e Ciência de Dados, previsto para começar em 2027, registrou 550 inscritos para 30 vagas oferecidas pelo vestibular.

Para Herrera, a criação de graduações específicas em IA representa uma resposta à demanda por especialistas capazes de desenvolver tecnologias, mas também evidencia uma transformação mais ampla, que alcança profissionais de diferentes setores da economia. 

“A expansão das graduações em IA faz sentido para quem pretende desenvolver modelos e sistemas, mas não significa que todos os estudantes precisem seguir esse caminho. Quem escolher administração, marketing, design ou outra área também vai entrar em um mercado transformado pela tecnologia. O desafio é aprender a aplicá-la aos problemas da própria profissão, sem abrir mão de uma base sólida de conhecimento”, afirma Herrera.


Formação ainda enfrenta distância entre teoria e prática 

Uma pesquisa divulgada em setembro de 2026 pela Pearson e pela Amazon Web Services (AWS) ajuda a dimensionar essa mudança. Entre 350 universitários brasileiros entrevistados, 74% consideram que os avanços da IA tornam o ensino superior ainda mais essencial. Ao mesmo tempo, apenas 17% acreditam que suas instituições acompanham a maioria ou todos os avanços da tecnologia. Entre os 50 empregadores ouvidos, 42% apontam a falta de experiência prática com ferramentas de IA no ambiente de trabalho como barreira à contratação de recém-formados. 

A pressão também aparece nas vagas. Segundo o Barômetro de Empregos de IA 2026, da PwC, a participação de anúncios de emprego no Brasil que exigem competências relacionadas à tecnologia passou de 1,1% em 2024 para 3,6% em 2025. Já o levantamento Habilidades em Alta 2026, do LinkedIn, identifica o uso de IA e a transformação de dados em decisões entre as competências em crescimento, com recortes de áreas como marketing, vendas, recursos humanos e saúde. 

Na própria Tera, o AI Adoption Benchmark Brasil 2025, realizado com 3.109 profissionais, encontrou uma pontuação média de 72,8 em conhecimento técnico de IA, em escala de 0 a 100, mas de 38,5 na autopercepção da capacidade de aplicá-la no trabalho. Apenas 5,4% dos participantes alcançaram o estágio avançado de adoção definido pelo estudo.


Inteligência artificial transforma as profissões e os requisitos de contratação 

A mudança já pode ser observada na própria nomenclatura das oportunidades de emprego. Anúncios de vagas no Brasil passaram a trazer funções como AI Product Manager e Creative AI Designer, que associam atividades tradicionais de gestão de produtos e design ao domínio de ferramentas e aplicações de inteligência artificial. 

Esse movimento também alcança áreas como marketing, vendas e liderança, nas quais o conhecimento técnico da profissão passa a ser combinado com novas competências digitais. Para o executivo, esse cenário não reduz a importância da graduação, mas reforça a necessidade de combinar o conhecimento específico de cada área com aprendizagem contínua e experiência prática. 

“O estudante que ingressar na faculdade em 2027 vai se formar em um mercado diferente do atual. Por isso, a preparação não pode depender apenas do currículo inicial. É importante construir uma base sólida na profissão escolhida e, ao longo dessa jornada, aprender a incorporar novas tecnologias, desenvolver pensamento crítico e resolver problemas concretos”, conclui.

Tera

 

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