Especialista em comportamento animal explica como preparar o pet para viajar e alerta para erros que podem comprometer o bem-estar do animal durante as férias
Com o feriadão de
7 de setembro, muitas famílias pretendem levar seus
pets para viagens. Dados do Ministério do Turismo mostram que as
buscas por hotéis pet friendly cresceram 238%, enquanto as pesquisas sobre
transporte de cães em aviões aumentaram 170%. Além disso, um levantamento da Hoteis.com revelou que 82%
dos brasileiros pretendem viajar com seus pets.
O cenário reflete
uma mudança de comportamento dos tutores, que passaram a incluir os animais em
programas antes reservados apenas à família. No entanto, segundo
Dan Batista, especialista em
comportamento animal e sócio-fundadora
da Comportpet, uma viagem bem-sucedida depende mais
do que escolher um destino que aceita cães.
"Muitas
pessoas organizam toda a logística da viagem, mas esquecem de avaliar como o
animal vai lidar com aquela experiência. Para o cão, uma viagem representa uma
sequência de mudanças: novos ambientes, cheiros desconhecidos, deslocamentos
longos e alterações na rotina. Quando não há preparo, aquilo que deveria ser um
momento agradável pode gerar medo, ansiedade e desconforto", explica. Com
a movimentação das férias de julho, a especialista reuniu orientações para quem
pretende viajar acompanhado do pet.
1. Nem todo cão gosta de viajar e tudo bem
Antes de incluir o
animal no roteiro, é importante analisar seu perfil comportamental e suas
condições físicas. Existe uma ideia de que o pet sempre ficará feliz por estar
junto da família, mas isso nem sempre acontece.
“Alguns cães se
adaptam muito bem a novos ambientes, enquanto outros apresentam insegurança
diante de mudanças. Filhotes muito novos, cães idosos, animais reativos ou que
sofrem com enjoos frequentes merecem uma atenção especial. Em alguns casos,
permanecer em um ambiente familiar ou em um hotel especializado pode ser uma
escolha mais confortável para o próprio animal. A decisão deve levar em conta o
bem-estar do cão e não apenas a vontade dos tutores de levá-lo", comenta.
2. A preparação começa muito antes de arrumar as malas
Um dos erros mais
comuns é acreditar que o pet se adaptará naturalmente à viagem no dia da
partida.
"O ideal é
apresentar gradualmente os elementos que farão parte da experiência. Se o
animal nunca entra em uma caixa de transporte ou raramente anda de carro, por
exemplo, ele pode interpretar aquela situação como algo ameaçador. Pequenas
exposições positivas ajudam a construir familiaridade e confiança",
explica.
A especialista
também recomenda manter próximos objetos que façam parte da rotina do animal.
"Brinquedos, mantas, caminhas e itens que carregam o cheiro da casa
funcionam como referências de segurança. São elementos que ajudam o cão a
entender que, mesmo em um lugar diferente, parte da sua rotina continua
presente", afirma.
3. O tutor é a principal referência emocional do pet durante a viagem
Mudanças de
ambiente costumam gerar um volume muito grande de estímulos para os cães Para
Dan, a manutenção de hábitos conhecidos também contribui para uma adaptação
mais tranquila. "Quando o animal se vê cercado por sons, pessoas e cheiros
desconhecidos, ele procura referências que transmitam segurança. E a principal
delas é o tutor. Por isso, manter uma postura tranquila e previsível faz toda a
diferença para que o cão se sinta confiante. Sempre que possível, vale
preservar horários de alimentação, passeios e descanso. A previsibilidade ajuda
o animal a entender que, apesar das novidades, ele continua em um ambiente
seguro", comenta Cleber.
4. Segurança no transporte não é apenas uma questão de regra, mas de proteção
Viajar com o cão
solto dentro do carro ainda é uma prática comum, mas apresenta riscos
importantes. A especialista recomenda o uso de equipamentos apropriados, como
caixas de transporte, cadeirinhas e cintos de segurança desenvolvidos
especificamente para pets.
"Em uma
frenagem brusca, o animal pode sofrer lesões graves ou até provocar acidentes.
O transporte adequado reduz esses riscos e oferece mais estabilidade física e
emocional durante o trajeto. Outro ponto importante é criar experiências
positivas relacionadas ao deslocamento. Quando o carro é associado apenas a
situações desagradáveis, como consultas veterinárias, é natural que o animal
demonstre resistência ou ansiedade", recomenda.
5. O comportamento sempre dá sinais quando algo não está bem
Nem sempre o estresse se manifesta de forma evidente. Ao identificar esses comportamentos, o ideal é diminuir os estímulos e permitir que o animal recupere o equilíbrio
"Muitas vezes
os tutores esperam sinais extremos para perceber que o animal está
desconfortável, mas os cães costumam se comunicar muito antes disso. Bocejos
repetitivos, respiração acelerada, inquietação, lambedura excessiva do focinho,
postura encolhida ou busca constante por proteção são alguns sinais que merecem
atenção. O comportamento é a principal forma de comunicação dos cães. Quando
aprendemos a observar esses sinais, conseguimos agir antes que o desconforto
evolua para uma situação mais intensa", explica a especialista.
6. A adaptação continua mesmo após a chegada ao destino
"Muitos
tutores querem apresentar imediatamente todos os espaços e atividades ao pet,
mas é importante respeitar o tempo de adaptação. Primeiro ele precisa observar,
explorar e entender aquele ambiente. Chegar ao local da viagem não significa
que o cão já esteja confortável com o novo ambiente", analisa.
Criar um espaço de referência ajuda
nesse processo.
Para Dan, o
segredo de uma viagem tranquila está no equilíbrio entre diversão e respeito às
necessidades emocionais do animal. No fim das contas, viajar com um animal não
significa apenas levá-lo junto, mas garantir que ele esteja emocionalmente
preparado para viver aquela experiência.
"Quando o
tutor entende que a experiência precisa ser confortável também para o pet, tudo
muda. O cão se sente mais seguro, aproveita melhor os momentos ao lado da
família e cria associações positivas com a viagem. Ter um local definido para a
caminha, os brinquedos, a água e a alimentação facilita a adaptação. O cão
passa a reconhecer aquele espaço como um ponto seguro dentro de um cenário
desconhecido", conclui Dan Batista.
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