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Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil estima que o Dia
dos Pais movimente R$ 29,7 bilhões no comércio e nos serviços neste ano, com
104 milhões de consumidores e gasto médio de R$ 286. Sessenta e três por cento
pretendem presentear, o que significa que quase quatro em cada dez chegarão ao
domingo sem nada nas mãos. E fica uma pergunta que nenhuma dessas pesquisas
mede: por que tanto filho brasileiro tem vergonha de demonstrar afeto ao
próprio pai?
A resposta começa no jeito como os homens
aprenderam a receber. Existe um repertório masculino para desmontar carinho, e
ele é rápido. A piada, que transforma o momento em brincadeira antes que ele
fique sério demais. A minimização, aquele "não precisava, você gastou
dinheiro à toa". A correção, que repara na letra torta antes de reparar na
frase escrita. E a atenção dividida, o pai que recebe o abraço sem largar o
telefone. Nenhuma dessas reações é agressiva. Todas comunicam a mesma coisa,
que é um leve constrangimento com o que acabou de acontecer.
A frase mais comum das quatro merece atenção
separada. "Não precisava" parece humildade e costuma ser dita com
carinho verdadeiro. Só que, ouvida do outro lado, ela informa literalmente que
o gesto não era necessário. Uma criança de oito anos leva isso ao pé da letra.
Um adolescente também, ainda que finja o contrário. E, depois de algumas
repetições, todo mundo naquela casa aprende que aquele tipo de demonstração dá
um trabalho desnecessário ao pai.
Quem chega sem presente está numa situação ainda
mais exposta. Muitos filhos não vão comprar nada neste domingo, por orçamento
apertado, por distância ou porque simplesmente não pensaram nisso. Alguns vão
chegar com uma frase e um abraço, e para uma parte deles dizer aquilo custou
mais do que custaria qualquer objeto. Um suspiro do pai, uma sobrancelha, um
"só isso?" dito em tom de gracejo já basta para precificar o gesto.
No ano seguinte, vem só a mensagem no aplicativo.
O que acontece depois também é lido. O caneco
horroroso que fica na prateleira, o desenho que vai para a parede do escritório,
a carta que continua na gaveta anos depois dizem à criança que aquilo teve
peso. O presente esquecido dentro da sacola atrás do sofá diz outra coisa, e
ela não precisa ser dita em voz alta.
Cinco atitudes ajudam, e nenhuma delas custa
dinheiro. Pare o que estiver fazendo e largue o telefone antes de receber. Não
faça piada nos primeiros dez segundos, porque é ali que o filho decide se
aquilo pode acontecer de novo. Descreva em vez de avaliar, dizendo o que você
viu, como o nome escrito inteiro ou a cor escolhida, em vez de julgar se ficou
bonito. Faça uma pergunta sobre o gesto, do tipo quando foi que você fez isso,
que estende o momento e demonstra interesse real. E risque "não
precisava" do vocabulário deste domingo. Um pai não controla o que vai receber
no dia 9, mas controla inteiramente o que o filho vai encontrar no rosto dele
quando entregar.

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