Com texto de Rafael Cristiano e direção de Cleydson Catarina, espetáculo ressalta a importância dessa manifestação popular para a população negra
Repleta de símbolos, música e
espiritualidade, a Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens
Pretos da Penha é uma das mais significativas celebrações afro-brasileiras em
São Paulo - embora ainda seja desconhecida por muita gente. E a peça Rei
Menino, com texto de Rafael Cristiano e direção de Cleydson
Catarina, nasce justamente para destacar a importância dessa manifestação
popular. No elenco, além do próprio autor, estão Lucas Laureno, Gabriel
Coupe e Rafael Fazzion.
O espetáculo faz novas apresentações
gratuitas em agosto: no dia 7 no CEU Heliópolis, às 14h
e às 16h; no dia 14 na Fábrica de Cultura Jardim São Luís,
às 10h30 e às 14h30; e no dia 28 no CEU Paraisópolis,
às 14h30 e às 16h30.
E em setembro: no dia 04 no
CEU São Miguel, às 10h e às 14h; no dia 11 na EMEI
Nenê do Amanhã, às 10h e às 14h; e no dia 18 no CEU
Pq. Anhanguera, às 10h e às 14h.
A proposta do trabalho nasce do
encontro entre arte, memória e educação, tendo como foco as infâncias negras e
periféricas da cidade de São Paulo. O projeto parte de uma realidade marcada
pela escassez de referências positivas à cultura afro-brasileira nos currículos
escolares e nos espaços públicos acessados por crianças negras.
A trama narra a história de Pepê, um
menino morador da Zona Leste de São Paulo, que pede a seu pai, Jonas, para
levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha.
Juntos, eles embarcam em uma jornada de descoberta sobre a realeza negra no
Brasil, em meio à tradicional congada que celebra e honra esses ícones
culturais.
A coroação, que une espiritualidade e
ancestralidade, ganha novos significados quando é levada ao palco e
compartilhada, garantindo que essa tradição seja conhecida, reconhecida,
homenageada e admirada de variadas maneiras. É um gesto de respeito à
ancestralidade, à memória, à identidade e um convite para que as novas gerações
se interessem por essa festa, celebrando a cultura afro-brasileira com orgulho
e encantamento.
“Levar essa festa ao teatro infantil é
uma forma de fazer com que as crianças experimentem, de maneira encantadora, um
patrimônio vivo onde a realeza negra se manifesta, não em castelos distantes,
mas em seus próprios territórios, em suas comunidades, em sua história. Ao
encenar essa festa no teatro, a peça reforça a importância de contar histórias
que ampliam a visão de mundo das crianças, promovendo um olhar sensível sobre o
papel da cultura afro-brasileira na construção do país”, explica a diretora de
produção Ingrid Alecrim.
Sobre a Coroação
A Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos é uma celebração vibrante, na qual a fé e a cultura afro-brasileira se entrelaçam. Em São Paulo, acontece na Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha - um espaço de segurança e de reinvidicação de direitos básicos do povo negro.
Construída em 16 de junho de 1802, em
pleno regime escravocrata, a igreja atuava com irmandades negras que tinham
como funções oferecer um enterro e velório dignos a seus irmãos, promover
oportunidades de convívio e interação em festas, proporcionar a compra
comunitária de alforrias, entre outras ações.
Mais do que um rito religioso, a festa
é, portanto, um símbolo de pertencimento, resistência, dignidade e memória
coletiva. Desde 2002, a coroação pôde deixar de ser propositadamente esquecida
e festejada como um território importante para a história da cidadania de
pessoas negras da cidade e um ponto de confluência dos saberes africanos difundidos
no que chamamos de “cultura popular brasileira”.
Durante a festa anual, reis, rainhas,
príncipes e princesas negros são reverenciados em um cerimonial que mistura o
sagrado e o festivo. A cerimônia recebe pastorais, irmandades tradicionais da
igreja, e mais de 20 grupos ligados à tradição, entre congadas, moçambiques,
marujadas, maracatus, sambas de bumbo e jongo. A cerimônia reafirma nossa vasta
realeza afrodescendente, em um país onde há uma contínua tentativa de apagar e
marginalizar a própria história negra.
Ela se inicia com o evento de
levantamento do mastro no Largo do Rosário, no bairro da Penha, e é composta
por uma programação artístico-cultural que tem duração média de um mês. Um dos
momentos mais especiais é o da coroação do rei e da rainha de festa, que são
escolhidos anualmente, após a celebração de uma missa afro-inculturada (ou
seja, uma celebração católica, feita por um padre e normalmente acompanhada por
um bispo, que integra em sua estrutura a musicalidade e alguns signos das religiosidades
africanas no Brasil).
No momento da coroação, as congadas
entram para saudar a realeza e uma delas carrega a coroa. Segundo as pessoas
que continuam seu legado, a Comunidade do Rosário da Penha, a festa realiza um
movimento que sempre circunda os que vieram antes, os que lá estão e os que
ainda virão, fruto de uma espiral simbólica que representa a abrangência das
ancestralidades que traçaram os múltiplos caminhos de ser negro.
Ficha técnica
Dramaturgo e designer: Rafael
Cristiano
Diretor: Cleydson Catarina
Assistente de diretor: João
Filho
Diretor musical: Fernando Alabê
Compositor musical geral: Uberê Guelé
Compositor das músicas "Valsa do
Rei" e "Funk Chamego do Meu Pai": Gabriel Coupe
Elenco: Gabriel Coupe, Lucas Laureno,
Rafael Cristiano e Rafael Fazzion
Preparador corporal e cenógrafo: Guinho
Nascimento
Bonequeiro e Aderecista: Rager Luan
Assistente de Cenógrafo: Alafim
Figurinista: Patricia Freire
Técnica de som: Helena Menezes
Iluminadora: Tati Santos
Consultora de acessibilidade e audionarradora:
Cintia Alves
Intérprete de Libras: Ricieri Palha
Diretora de produção: Ingrid Alecrim
Produtor executivo: Miguel Estevão
Divulgação: Catucá Comunicação
Fotógrafa: Duda Viana
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Assessoria de Comunicação
Consultora de dramaturgia: Kiusam de
Oliveira
Sinopse
A peça narra a história de Pepê, um menino morador da Zona Leste de São Paulo, que pede a seu pai, Jonas, para levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha. Juntos, eles embarcam em uma jornada de descoberta sobre a realeza negra no Brasil, em meio à tradicional congada que celebra e honra esses ícones culturais.
Serviço
Rei Menino, de Rafael Cristiano
Classificação: Livre
Duração: 60 minutos
Ingressos: Grátis (sem necessidade de retirada)
07/08,
às 14h e às 16h
CEU Heliópolis – Estrada das Lágrimas, 2.385 – São João Clímaco, São Paulo
14/08,
às 10h30 e às 14h30
Fábrica de Cultura Jardim São Luís – Rua Antônio Ramos Rosa, 651 – Jardim
São Luís, São Paulo
28/08,
às 14h30 e às 16h30
CEU Paraisópolis – Rua Dr. José Augusto de Souza e Silva, s/n –
Paraisópolis, São Paulo
04/09
às 10h e às 14h
CEU São Miguel- R. José Ferreira Crespo, 475 - Jardim São Vicente, São
Paulo
Libras nas 02 sessões
11/09 às 10h e às 14h
EMEI Nenê do Amanhã - R. Alvinópolis, 1360 - Vila Beatriz, São Paulo
18/09 às 10h e às 14h
CEU Pq. Anhanguera - R. Pedro José de Lima, 1020 - Anhanguera, São Paulo Libras
e audiodescrição às 10h

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