Especialista
desmistifica o uso de acessórios e técnicas de fortalecimento sem avaliação
prévia, alertando que hipercontrair uma musculatura que já é tensa pode agravar
quadros de dor e disfunção íntima.
Estima-se
que cerca de 30% das mulheres sofram com algum tipo de disfunção no assoalho
pélvico ao longo da vida, o que envolve desde escapes de urina ao tossir até
dores constantes na relação sexual. Na busca por soluções rápidas, muitas
acabam caindo em vídeos de "ginástica íntima" e tutoriais de
pompoarismo que prometem milagres com alguns minutos diários de contração. O
problema é que, sem o diagnóstico correto, essa tentativa de autocuidado pode
virar uma tremenda cilada para a saúde.
"O
maior erro que vejo por aí é a ideia de que todo assoalho pélvico precisa ser
fortalecido a qualquer custo", explica Flaviana Teixeira. A fisioterapeuta
pélvica e palestrante aponta que a região íntima é extremamente complexa.
"Muitas mulheres chegam ao consultório com queixas de dor justamente
porque têm uma musculatura hipertônica, ou seja, tensa demais. Se essa paciente
começa a fazer exercícios repetitivos de contração que viu no Instagram ou no
TikTok, ela só aumenta essa tensão, o que agrava a dor e piora os sintomas."
A
diferença entre a prática popular do pompoarismo e a fisioterapia pélvica está
no ponto de partida: a individualidade. Enquanto os treinos de internet propõem
uma receita única focada apenas na força e no prazer, a abordagem clínica
investiga como cada corpo funciona. Um músculo saudável não precisa apenas ser
forte; ele precisa ser flexível e capaz de relaxar no momento certo.
"Não
dá para tratar a saúde íntima como receita de bolo. Um assoalho pélvico tenso
precisa primeiro aprender a relaxar antes de carregar qualquer peso. Usar acessórios
como as bolinhas de pompoarismo ou fazer repetições exaustivas sem supervisão é
o mesmo que tentar levantar peso na academia com uma contratura grave nas
costas", compara Flaviana.
Além
do cansaço muscular, o uso inadequado de acessórios comprados na internet traz
riscos físicos imediatos. A fricção incorreta de objetos sem a devida indicação
ou higienização pode causar microfissuras na mucosa vaginal, abrindo portas
para infecções urinárias e ginecológicas de repetição.
Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica |
Palestrante
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