De pisos antiderrapantes à organização dos ambientes, medidas simples ajudam a reduzir o risco de quedas em espaço domiciliar.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), utilizadas
também pelo Ministério da Saúde, mostram que cerca de 28% das pessoas idosas
sofrem ao menos uma queda por ano. Entre as pessoas com 80 anos ou mais, esse
percentual pode chegar a 40%. Apesar de frequentes, as quedas não devem ser
encaradas como uma consequência inevitável do envelhecimento e podem ser
prevenidas com adaptações nos ambientes domiciliares.
Para a arquiteta, especialista em acessibilidade e design universal, e
coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniBH, instituição que
integra a Ânima Educação – o maior e mais inovador ecossistema de ensino de
qualidade do Brasil –, Flávia Papini, muitas residências não são planejadas
para atender às necessidades que surgem com o avanço da idade. Segundo a
especialista, pensar em acessibilidade desde a concepção dos projetos é um dos
desafios atuais e uma competência cada vez mais presente na formação dos
futuros profissionais.
Um dos erros mais comuns, por exemplo, é o excesso de móveis, objetos
decorativos e tapetes em áreas de circulação. "Embora muitos desses itens
tenham valor afetivo para as pessoas idosas, é importante priorizar ambientes
livres de obstáculos, favorecendo a mobilidade e a segurança dentro de casa. A
retirada desses objetos pode reduzir significativamente o risco de
acidentes", destaca.
Segundo a especialista, não existe uma idade específica para iniciar essas
adaptações, já que o processo de envelhecimento acontece de forma diferente
para cada pessoa. O ideal é que elas sejam incorporadas de forma preventiva, conforme
as necessidades de cada fase da vida. Embora tenham como foco principal as
pessoas idosas, essas modificações também contribuem para reduzir acidentes
envolvendo bebês e crianças, por exemplo.
A atenção de familiares e cuidadores também deve ser redobrada em ambientes
como banheiros, cozinhas e varandas. Nesses espaços, é comum a utilização de
pisos lisos, como cerâmicas e porcelanatos, que facilitam a limpeza, mas também
aumentam o risco de escorregões. "Hoje, existem soluções simples, como
revestimentos e pisos antiderrapantes que podem ser instalados sobre o piso
existente, tornando o ambiente mais seguro sem a necessidade de grandes
reformas", explica.
Um aspecto fundamental é a iluminação. Com o envelhecimento, ocorre uma redução
gradual da acuidade visual, o que pode dificultar a identificação de desníveis
e obstáculos. "Os idosos podem não perceber um degrau ou um objeto no
caminho. Por isso, é importante investir em ambientes bem iluminados, com luz difusa
e indireta, que proporciona conforto visual e reduz as chances de
acidentes", orienta.
Outra recomendação é manter objetos de uso frequente, como panelas, roupas e
calçados, em locais de fácil acesso. Com isso, é possível evitar movimentos
desnecessários e a necessidade de subir em escadas ou se abaixar excessivamente
durante as atividades do dia a dia.
Para a professora Flávia Papini, cinco medidas são essenciais para tornar uma
residência mais segura para pessoas idosas:
- Retirar tapetes
soltos dos ambientes;
- Manter áreas de
circulação livres de bancos, mesas, vasos e outros obstáculos;
- Instalar pisos
ou revestimentos antiderrapantes em banheiros, cozinhas e varandas;
- Colocar barras
de apoio em locais estratégicos, como banheiros, corredores, próximos à
cama e em áreas que demandem maior suporte;
- Guardar objetos
de uso diário em locais de fácil alcance, evitando a necessidade de subir
em escadas ou se abaixar excessivamente.
"Adaptar a casa não significa abrir mão do conforto ou da estética. Significa investir em segurança, autonomia e qualidade de vida para que a pessoa idosa permaneça independente pelo maior tempo possível", conclui.
Consultoria para adaptação de ambientes
flavia.horta@animaeducacao.com.br

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