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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Brasil deve registrar mais de 42 mil novos casos anuais de cânceres da cavidade oral, laringe e tireoide

Magnific
Oncologista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança reforça a importância do diagnóstico precoce durante a campanha Julho Verde


Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e nódulos no pescoço podem indicar câncer de cabeça e pescoço. Embora esses sintomas também possam estar relacionados a condições benignas, quando permanecem por mais de duas semanas devem ser investigados. O alerta ganha destaque durante o Julho Verde, campanha voltada à conscientização sobre a doença e à importância do diagnóstico precoce. 

Segundo o oncologista Dr. Thiago Alcantara do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança, o câncer de cabeça e pescoço reúne diferentes tipos de tumores que podem acometer regiões como boca, faringe, laringe, cavidade nasal, glândulas salivares e tireoide. Apesar das diferenças entre eles, o diagnóstico precoce é determinante para ampliar as chances de sucesso do tratamento. 

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano durante o triênio 2026-2028. Desse total, aproximadamente 518 mil correspondem aos casos estimados, excluídos os tumores de pele não melanoma. 

 

Sintomas e fatores de risco 

Os sinais variam conforme a região afetada, mas merecem atenção principalmente quando não desaparecem com o passar dos dias. Feridas na boca ou na língua que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas, dor ou dificuldade para engolir, sensação de corpo estranho na garganta, alterações persistentes na voz e nódulos no pescoço estão entre as manifestações mais frequentes. 

Entre os principais tipos da doença estão o câncer da cavidade oral, com estimativa de 17.190 novos casos anuais, o câncer de laringe, com previsão de 8.510 diagnósticos por ano, e o câncer de tireoide, que deve registrar 16.450 novos casos anuais. Enquanto a rouquidão persistente é um dos principais sinais do câncer de laringe, o aparecimento ou crescimento de um nódulo na parte anterior do pescoço pode indicar alterações na tireoide, embora nem todo nódulo seja maligno. 

"Nem toda ferida na boca, rouquidão ou nódulo significa câncer. O que merece atenção é a persistência ou a evolução desses sintomas. Quando eles permanecem por duas ou três semanas, a recomendação é procurar avaliação médica para identificar a causa", orienta o especialista. 

Mais de 90% dos tumores malignos que se desenvolvem nas mucosas da boca, da faringe e da laringe estão associados ao tabagismo e ao consumo frequente e excessivo de bebidas alcoólicas. A infecção persistente por alguns tipos do HPV também está relacionada a parte dos tumores da orofaringe. 

"Parar de fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, prevenir a infecção pelo HPV e manter consultas odontológicas regulares são medidas importantes para reduzir o risco da doença. Muitas lesões podem ser identificadas ainda nas fases iniciais durante o exame clínico, antes mesmo de provocarem sintomas mais intensos", explica.
 

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura 

A investigação pode incluir exame clínico da boca e do pescoço, avaliação da garganta e das cordas vocais, exames de imagem e biópsia. Nos casos de nódulos na tireoide, também podem ser indicados ultrassonografia e punção aspirativa. 

Quando o câncer é identificado nas fases iniciais, o tratamento tende a ser menos agressivo e as chances de controle da doença aumentam. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, tumores diagnosticados precocemente podem alcançar até 90% de chance de cura. 

"Além de aumentar as possibilidades de cura, o diagnóstico precoce contribui para preservar funções importantes, como fala, mastigação, deglutição e respiração, reduzindo o impacto do tratamento na qualidade de vida dos pacientes", destaca o oncologista. 

O tratamento varia conforme o tipo, a localização e a extensão do tumor e pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou a combinação dessas abordagens.


  

Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista


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