No Dia Internacional do Autocuidado (24 de julho), a alta prevalência de distúrbios do sono no Brasil e no mundo reforça o tema como prioridade de saúde pública e bem-estar
A insônia está entre as queixas relacionadas ao sono mais frequentes na população. Entre 30% e 36% dos indivíduos apresentam sintomas noturnos de insônia, embora essa prevalência varie conforme os critérios utilizados para definição e avaliação da condição¹. No Brasil, aproximadamente 72% da população relata algum tipo de alteração relacionada ao sono, como dificuldade para dormir, despertares noturnos ou sono não reparador². O cenário reforça a relevância do tema nas discussões sobre saúde mental, produtividade e bem-estar em uma sociedade marcada pela hiperconexão e pelo estresse crônico.
O
sono é hoje reconhecido como um dos principais pilares da saúde física e mental.
Dormir pouco ou mal impacta o humor, a concentração e o desempenho cognitivo,
além de estar associado a maior risco de transtornos como ansiedade e
depressão¹. Nesse contexto, o conceito de higiene do sono ganha destaque. A
adoção de horários regulares, a redução da exposição a telas no período noturno
e a criação de rotinas de desaceleração estão entre as principais estratégias
recomendadas para melhorar a qualidade do descanso².
O desafio de dormir bem na era da hiperconexão
Em
muitos casos, ajustes de rotina e mudanças comportamentais são suficientes para
melhorar a qualidade do sono. Ainda assim, quando a insônia se torna
persistente, especialistas alertam que parte da população pode precisar de
abordagens adicionais.
Diretrizes clínicas indicam que o manejo da insônia deve seguir uma abordagem escalonada, com prioridade para intervenções comportamentais e uso criterioso de medicamentos em situações específicas.
As diretrizes clínicas recomendam a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) como tratamento de primeira linha, por reunir técnicas voltadas à melhora dos hábitos, comportamentos e fatores que contribuem para a manutenção da insônia. Em situações específicas, o tratamento pode incluir o uso criterioso de medicamentos, sempre de forma individualizada e sob acompanhamento médico.
Nesse
contexto, um consenso recente da Academia Brasileira de Neurologia (ABN),
publicado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria, reforça que o manejo
da insônia deve ser individualizado, priorizando o uso criterioso dos
hipnóticos conhecidos como “drogas Z” e estratégias de redução gradual
(desmame) em tratamentos prolongados. O documento também descreve diferentes
alternativas farmacológicas que podem ser consideradas em casos selecionados,
incluindo trazodona, ramelteona e pregabalina, conforme avaliação do
profissional de saúde3.
A higiene do sono na prática: como organizar uma rotina para dormir melhor
A
qualidade do sono depende menos de soluções imediatas e mais da consistência de
hábitos ao longo do dia e da noite. Entre as principais recomendações de
especialistas em medicina do sono estão²:
- manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive aos
finais de semana;
- reduzir o uso de telas e a exposição à luz intensa pelo menos 1
hora antes de dormir;
- evitar cafeína, álcool e refeições pesadas no período noturno;
- criar um ambiente escuro, silencioso e confortável para dormir;
- associar a cama apenas ao sono, evitando trabalho ou uso prolongado
de celular no local;
- estabelecer rotinas de desaceleração, como leitura leve ou banho
morno;
- praticar atividade física regularmente, preferencialmente durante o
dia.
Essas
medidas são consideradas o ponto de partida para melhorar a qualidade do sono e
fazem parte das recomendações presentes em diretrizes de saúde pública².
Especialistas ressaltam que dificuldades persistentes para dormir devem ser
avaliadas por um profissional de saúde, evitando a automedicação e permitindo a
identificação das causas da insônia e da abordagem terapêutica mais adequada
para cada paciente.
Referências:
- Sleep
Medicine Reviews. Global prevalence of insomnia disorder (~16%).
Disponível em: Link
- Ministério
da Saúde (Brasil). Alterações do sono na população brasileira. Disponível
em: Link
- Academia
Brasileira de Neurologia (ABN). Consensus on Z-drug abuse and dependence,
Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Disponível em: Link
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