Pesquisa publicada na
JAMA Internal Medicine e especialistas destacam que a imunização vai além da
proteção respiratória, preservando a saúde cardiovascular e a autonomia dos
idosos
Magnific
No Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, cuidar de quem dedicou
uma vida inteira à família também passa por garantir mais anos de saúde,
autonomia e qualidade de vida. A vacinação contra a Covid-19 pode oferecer um
benefício que vai além da proteção contra infecções e formas graves da doença.
Um estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine revelou que o
imunizante atualizado contra o coronavírus foi associado a uma redução de 37,7%
no risco de eventos cardiovasculares graves relacionados à Covid-19, como
infarto, acidente vascular cerebral (AVC), morte cardiovascular e
hospitalizações por insuficiência cardíaca entre idosos.
A pesquisa analisou dados de 1.039.659 norte-americanos
acompanhados por oito meses. Foram comparados dois grupos: pessoas vacinadas
contra Covid-19 e influenza e pessoas vacinadas apenas contra influenza. Ao
final do acompanhamento, quem recebeu também a vacina contra a Covid-19
apresentou redução de 37,7% nos eventos cardiovasculares graves, 57,9% em
mortes cardiovasculares relacionadas à Covid-19, 38,5% nos infartos e 41,9% de
hospitalizações por insuficiência cardíaca associadas à doença.
A médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra Érica
Abjaudi, comenta que idosos com o esquema vacinal completo e os reforços em dia
têm uma redução de até 80% a 90% no risco de hospitalização e morte em
comparação com pessoas da mesma faixa etária não vacinadas.
“A vacinação transforma uma infecção que poderia ser fatal em um
quadro clínico manejável no ambiente domiciliar. Para o idoso, uma internação prolongada
em UTI ou enfermaria não representa apenas o risco de óbito imediato, mas
também o de perda significativa de autonomia. O período de imobilidade no leito
hospitalar acelera a sarcopenia (perda de massa muscular), o que pode
comprometer a mobilidade, aumentar a dependência funcional e elevar o risco de
quedas após a alta. Ao evitar a hospitalização, a vacina contribui para
preservar a independência e a qualidade de vida do idoso”.
Os resultados foram ainda mais expressivos entre pessoas com 75 anos
ou mais, faixa etária em que a proteção chegou a aproximadamente 50,7% contra
eventos cardiovasculares relacionados à Covid-19. O benefício também foi
superior entre pacientes que convivem com doenças crônicas, como enfermidades
cardiovasculares, diabetes, doença renal crônica e doenças pulmonares.
De acordo com a geriatra, nesses grupos, a infecção pelo
SARS-CoV-2 encontra um terreno fisiológico favorável à replicação viral e ao
desenvolvimento de complicações sistêmicas. Por isso, o benefício da vacina é
ainda maior, pois ela ajuda a mitigar essas vulnerabilidades biológicas.
“A COVID-19 afeta o revestimento dos vasos sanguíneos, aumentando
significativamente o risco de trombose, infarto agudo do miocárdio (IAM) e
acidente vascular cerebral (AVC) nas semanas seguintes à infecção. Como muitos
idosos já apresentam aterosclerose e outras comorbidades cardiovasculares, a
vacinação reduz de forma significativa a incidência desses eventos vasculares
pós-infecciosos”, complementa a especialista da Afya.
Benefícios da vacina contra a
COVID-19
Os dados da pesquisa chegam em um cenário em que a vacinação
permanece como uma das principais ferramentas de saúde pública no enfrentamento
da Covid-19. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 13,6 bilhões
de doses de vacinas contra a doença já foram administradas em todo o mundo
desde o início da campanha global de imunização.
O médico infectologista e professor da Afya São João Del Rei, Dr
Américo Calvazara Neto, explica que a vacinação diminui o risco de pneumonia
grave, insuficiência respiratória, necessidade de ventilação mecânica e
internação em UTI, além de reduzir complicações como inflamação sistêmica,
lesão cardíaca, tromboses, infarto, acidente vascular cerebral, lesão renal,
agravamento de doenças preexistentes, complicações da gestação associadas à
Covid-19 grave e morte.
“Além disso, pode reduzir a probabilidade ou a intensidade da
Covid longa, incluindo fadiga persistente, falta de ar, alterações
cardiovasculares, tromboses, dores musculares, dificuldade de memória e
concentração ("névoa mental"), alterações do sono, perda prolongada
do olfato e do paladar, cefaleia, sintomas de ansiedade e depressão, alterações
metabólicas e redução da qualidade de vida. A Covid longa pode ocorrer mesmo
após quadros leves, mas é mais frequente após doença grave, em pessoas com
comorbidades e entre não vacinados. Cada nova infecção representa uma nova
oportunidade para seu desenvolvimento”.
Atualmente, aproximadamente 70,5% da população mundial recebeu
pelo menos uma dose do imunizante e cerca de 65% completaram o esquema primário
de vacinação, números que refletem um dos maiores esforços de imunização já
realizados na história da medicina. Dr Américo Neto ressalta que a vacina não
apenas reduz o risco de morte, mas também ajuda a preservar a função dos
órgãos, a capacidade funcional e a qualidade de vida, diminuindo o risco de
complicações que podem persistir por meses ou anos.
“Como qualquer medicamento, as vacinas podem causar eventos
adversos, geralmente leves e transitórios. Eventos graves são raros, e as
recomendações devem considerar idade, gestação, imunossupressão, doenças
preexistentes e histórico de reações. Para as pessoas com indicação de
vacinação, especialmente idosos, imunocomprometidos e indivíduos com
comorbidades, os benefícios costumam superar amplamente os riscos conhecidos”,
conclui o infectologista.
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