Campanha alerta
para sintomas persistentes e reforça que o diagnóstico precoce aumenta as
chances de cura
IA Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de
Cabeça e Pescoço é celebrado em 27 de julho
Uma ferida na boca que não cicatriza, um caroço no pescoço,
dificuldade para engolir ou até uma rouquidão persistente costumam ser sintomas
facilmente ignorados. Muitas pessoas acreditam que se trata de uma afta, de uma
inflamação ou de um resfriado prolongado. No entanto, em alguns casos, esses
sinais podem indicar um câncer de cabeça e pescoço.
Durante o Julho Verde, campanha nacional de
conscientização sobre esses tumores, especialistas reforçam a importância de
observar alterações persistentes e buscar avaliação médica sempre que os
sintomas permanecerem por mais de duas semanas.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer
(INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 39 mil novos casos anuais de câncer
de cabeça e pescoço, considerando tumores de cavidade oral, laringe, tireoide e
outras estruturas da região. A maior parte dos diagnósticos ainda ocorre em
estágios avançados, o que torna o tratamento mais complexo e reduz as chances
de cura.
Para a Oncologista e Cirurgiã de Cabeça e Pescoço
do IOP – Instituto de Oncologia do Paraná, Dra. Paola Pedruzzi, um
dos principais desafios continua sendo a demora na procura por atendimento.
"Muitas pessoas convivem durante semanas ou meses com sintomas que parecem
simples, como uma ferida que não cicatriza ou mancha na boca, dificuldade para
engolir, um caroço no pescoço ou rouquidão persistente. Quando esses sinais
permanecem por mais de duas semanas, eles precisam ser investigados. O
diagnóstico precoce aumenta significativamente as possibilidades de tratamento
com melhores resultados e menor impacto na qualidade de vida", afirma.
Tabagismo, álcool e HPV estão
entre os principais fatores de risco
Os tumores de cabeça e pescoço estão fortemente associados
ao consumo de tabaco e bebidas alcoólicas, principalmente quando esses fatores
estão combinados. Nos últimos anos, outro fator ganhou destaque: a infecção
pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente nos casos de câncer de
orofaringe, região que compreende as amígdalas e a base da língua. "O
tabagismo continua sendo um dos principais fatores de risco, mas também
observamos um aumento dos tumores relacionados ao HPV, principalmente em
pacientes mais jovens. Por isso, além de abandonar o cigarro, investir na
vacinação contra o HPV e adotar práticas sexuais seguras são medidas
importantes de prevenção", explica a oncologista.
Atenção aos sinais
Os principais sintomas que merecem investigação quando persistem por mais de duas semanas incluem:
- feridas na boca que não cicatrizam;
- caroço no pescoço;
- dificuldade ou dor para engolir;
- dor persistente na garganta;
- sangramentos na boca ou na garganta;
- rouquidão persistente;
- dor de ouvido, especialmente quando não há
infecção aparente.
Embora esses sintomas nem sempre indiquem câncer,
sua persistência deve ser motivo para avaliação médica. "O maior erro é
esperar que os sintomas desapareçam sozinhos. Quanto mais cedo conseguimos
identificar a doença, maiores são as chances de tratamentos menos agressivos e
de preservar funções importantes, como fala, mastigação, deglutição e
respiração", destaca Dra. Paola.
Cuidar da saúde também passa
pela prevenção
Além de evitar o tabagismo e reduzir o consumo de
bebidas alcoólicas, manter uma boa higiene bucal, utilizar preservativos nas
relações sexuais, aderir à vacinação contra o HPV e realizar consultas
odontológicas periódicas são medidas que contribuem para a prevenção e permitem
identificar alterações ainda nas fases iniciais da doença.
Mais do que uma campanha de conscientização, o
Julho Verde convida a população a observar atentamente sinais que muitas vezes
passam despercebidos. Em oncologia, reconhecer essas alterações precocemente e
procurar atendimento médico pode fazer toda a diferença nas chances de cura, na
qualidade de vida e na preservação das funções do paciente.
https://iop.com.br
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