Presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular explica que longos períodos sentado, desidratação e imobilidade aumentam o risco de tromboembolismo venoso e orienta medidas simples para viajar com mais segurança
As férias de julho costumam ser sinônimo de aeroportos lotados,
longas viagens de carro e horas dentro de ônibus ou aviões. O que muitos
viajantes desconhecem é que permanecer sentado por muito tempo pode favorecer o
desenvolvimento do tromboembolismo venoso (TEV), condição que engloba a
trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar, considerada uma das
principais causas de morte cardiovascular evitável no mundo.
Embora qualquer pessoa possa desenvolver trombose, o risco é maior
entre idosos, gestantes, pessoas com obesidade, câncer, histórico familiar da
doença, usuários de terapias hormonais e pacientes que passaram por cirurgias
recentes. Durante as viagens, a combinação entre pouca movimentação e baixa
ingestão de líquidos pode favorecer a formação de coágulos nas veias,
principalmente nas pernas. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de
Angiologia e Cirurgia Vascular, Dr. Edwaldo Joviliano, algumas medidas simples
fazem diferença na prevenção.
"Viajar deve ser uma experiência prazerosa, mas é importante
lembrar que longos períodos de imobilidade aumentam o risco de trombose,
especialmente em pessoas que já possuem fatores predisponentes. A boa notícia é
que a maioria das medidas preventivas são simples e podem ser incorporadas
facilmente durante a viage", afirma Joviliano.
1.
Evite permanecer muitas horas sem se movimentar
Sempre que possível, levante-se a cada uma ou duas horas para
caminhar por alguns minutos. Em viagens de carro, programe paradas regulares. Já
em aviões ou ônibus, aproveite momentos seguros para caminhar pelo corredor.
"A contração da musculatura da panturrilha funciona como uma bomba que
ajuda o sangue a retornar ao coração. Quando ficamos muito tempo parados, essa
circulação fica mais lenta", explica Joviliano.
2.
Mantenha-se hidratado
Beber água regularmente ajuda na circulação sanguínea e evita a
desidratação, condição que pode contribuir para o aumento da viscosidade do
sangue. O especialista recomenda reduzir o consumo de bebidas alcoólicas
durante o trajeto, já que elas favorecem a perda de líquidos.
3.
Faça exercícios simples mesmo sentado
Movimentar os pés e tornozelos, alternando flexão e extensão, além
de girar os pés e contrair a panturrilha por alguns segundos, são exercícios
que estimulam a circulação durante a viagem. "Pequenos movimentos
repetidos ao longo do percurso já ajudam a manter o fluxo sanguíneo e reduzem o
tempo de estase venosa", orienta o presidente da SBACV.
4.
Use roupas confortáveis
Roupas muito apertadas podem dificultar o retorno venoso,
principalmente na região da cintura e das pernas. A recomendação é optar por
peças leves e confortáveis durante viagens prolongadas. Para pessoas com
indicação médica, o uso de meias elásticas de compressão também pode ser uma
importante medida preventiva.
5.
Quem faz parte do grupo de risco deve procurar orientação médica antes de
viajar
Pacientes com histórico de trombose, câncer, gravidez, cirurgias
recentes ou outras condições que aumentem o risco de formação de coágulos devem
conversar com o médico antes da viagem. Em alguns casos, pode ser necessária
uma estratégia específica de prevenção. "Cada paciente deve ser avaliado
individualmente. Para quem apresenta fatores de risco importantes, a prevenção
pode incluir desde o uso de meias de compressão até medicamentos
anticoagulantes, sempre sob orientação médica", destaca Joviliano.
Atenção
aos sinais
Dor, inchaço, vermelhidão e sensação de calor em uma das pernas podem indicar trombose venosa profunda. Já falta de ar súbita, dor no peito e dificuldade para respirar podem ser sinais de embolia pulmonar, uma complicação grave que exige atendimento médico imediato.
"A informação continua sendo uma das principais ferramentas
de prevenção. Com medidas simples e atenção aos fatores de risco, é possível
aproveitar as férias com muito mais segurança e tranquilidade", conclui
Dr. Edwaldo Joviliano.

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