Além do estresse cotidiano, a oscilação de hormônios metabólicos e sexuais após os 40 anos mimetiza a fadiga mental. Entenda a importância do alinhamento individualizado entre organismo e mente para recuperar a vitalidade.
Chega a metade do ano e muitas mulheres sentem que a energia
simplesmente desapareceu. O ritmo intenso de trabalho, a rotina familiar, os
estudos, os cuidados com os filhos ou com os pais e a sensação constante de
precisar dar conta de tudo fazem com que o cansaço seja encarado como algo
normal. No entanto, quando a fadiga se torna persistente, vem acompanhada de
desânimo, dificuldade de concentração, perda de massa muscular, ganho de peso e
sensação de baixa disposição mesmo após o descanso, o problema pode ir muito
além da sobrecarga emocional.
A partir dos 40 anos, o organismo feminino passa por uma
série de mudanças hormonais e metabólicas que coincidem justamente com uma das
fases mais exigentes da vida. Nesse período, muitas mulheres ainda estão em
plena ascensão profissional, conciliam múltiplas responsabilidades e,
frequentemente, deixam a alimentação, a atividade física e o próprio sono em
segundo plano. O resultado é um cenário em que fatores comportamentais e alterações
hormonais se somam, tornando difícil identificar a verdadeira origem do
esgotamento.
Segundo o endocrinologista e metabologista Dr. Rafael
Fantin, é comum que essas pacientes procurem atendimento acreditando estar
apenas estressadas. "Na prática, raramente existe uma única causa para
esse cansaço. Geralmente encontramos uma combinação entre excesso de demandas,
privação de sono, deficiência de vitaminas e minerais, alterações metabólicas e
as mudanças hormonais naturais da transição para a menopausa", explica.
Entre essas transformações está a redução gradual da
produção de melatonina, hormônio importante para a qualidade do sono e
recuperação celular, além da diminuição da atividade do eixo GH/IGF-1,
responsável pela regeneração dos tecidos, manutenção da massa muscular e
equilíbrio metabólico. Também podem ocorrer alterações no eixo adrenal, com
elevação do cortisol em resposta ao estresse crônico, comprometendo ainda mais
os níveis de energia.
Paralelamente, inicia-se a chamada perimenopausa, fase que
antecede a menopausa e é marcada por oscilações importantes dos hormônios
sexuais. A queda progressiva do estrogênio favorece o aumento da resistência à
insulina, facilita o acúmulo de gordura abdominal e reduz a capacidade do
organismo de preservar massa muscular. Além disso, com a redução da atividade
ovariana, o organismo passa a gastar menos energia do que durante o período
reprodutivo. Se os hábitos alimentares permanecem os mesmos, a tendência é que
o ganho de peso aconteça de forma gradual.
"Essas alterações aumentam a inflamação do organismo,
especialmente pela maior quantidade de gordura visceral. Esse processo
inflamatório também pode afetar o cérebro, influenciando neurotransmissores
ligados ao humor, à motivação e à disposição", afirma o especialista.
Apesar de frequentes nessa fase da vida, esses sintomas não
são exclusivos da transição hormonal. Depressão, burnout, alterações da
tireoide, deficiência de ferro, vitamina B12, vitamina D, distúrbios do sono e
outras doenças metabólicas podem provocar manifestações muito semelhantes. Por
isso, segundo Rafael, o diagnóstico não deve ser baseado apenas nos sintomas ou
em um único exame hormonal.
"O primeiro passo é uma investigação clínica bastante
detalhada. Precisamos entender quando os sintomas começaram, como evoluíram, se
há irregularidade menstrual, fogachos, alterações do sono, queda da libido e
outros sinais característicos da perimenopausa. Só depois interpretamos os
exames de forma integrada, avaliando como todos os sistemas hormonais estão
funcionando em conjunto. Não analisamos apenas um hormônio isoladamente, porque
alterações no eixo do estresse, da tireoide, do metabolismo ou dos hormônios sexuais
influenciam diretamente umas às outras", destaca.
Essa visão global também orienta o tratamento. Embora a
terapia hormonal possa ser indicada em muitas mulheres, ela representa apenas
uma parte da estratégia. Corrigir deficiências nutricionais, reduzir processos
inflamatórios, melhorar a qualidade do sono, estimular o ganho de massa
muscular, tratar a resistência à insulina e incentivar hábitos saudáveis são
medidas que caminham lado a lado para restaurar o equilíbrio metabólico.
"O organismo funciona como um sistema integrado. Não adianta olhar apenas para os hormônios sexuais se outros eixos continuam desregulados. Quando conseguimos reorganizar toda essa base hormonal e metabólica, a paciente recupera energia, melhora a composição corporal, ganha disposição e volta a ter qualidade de vida de forma consistente", conclui Dr. Rafael Fantin.
Fonte: Dr. Rafael Fantin — Endocrinologista e Metabologista, especialista em saúde integrada, performance metabólica e nutrigenômica.
@dr.rafaelfantin
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