No Julho Amarelo, Afya alerta para os
riscos das hepatites B e C, que podem permanecer assintomáticas por décadas;
teste rápido gratuito no SUS é a principal estratégia para evitar evolução para
cirrose, câncer de fígado e transplante hepático
Magnific
Enquanto muitas doenças dão sinais claros de que algo não vai bem,
as hepatites virais B e C costumam seguir um caminho diferente. Silenciosas,
podem permanecer décadas sem provocar sintomas, permitindo que a inflamação do
fígado avance lentamente até causar complicações
graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado¹.
Em aproximadamente 70% dos casos, a infecção torna-se crônica e,
sem diagnóstico e tratamento, entre 15% e 30% dos pacientes podem desenvolver
cirrose ao longo de cerca de 20 anos. Além disso, o vírus aumenta
significativamente o risco de carcinoma hepatocelular, principal tipo de
câncer.²
Além da testagem dos grupos de risco, alterações em exames
laboratoriais que avaliam o funcionamento do fígado também merecem atenção.
Mesmo pequenas elevações das enzimas hepáticas não devem ser consideradas
normais e precisam ser investigadas, especialmente porque as lesões provocadas
pelas hepatites virais podem ser discretas nas fases iniciais.
"Muitas vezes o paciente apresenta apenas alterações leves
nos exames de fígado e, justamente por serem discretas, elas acabam sendo
subestimadas. Nenhuma alteração persistente deve ser considerada normal sem
investigação, porque esse pode ser o primeiro sinal de uma hepatite viral ou de
outra doença hepática que precisa de diagnóstico e tratamento", explica a
Dra. Carolina Pimentel, hepatologista e coordenadora da pós-graduação em
gastroenterologia da Afya Educação Médica.
Embora a hepatite C tenha cura em mais de 95% dos casos quando
diagnosticada precocemente, o maior desafio continua sendo encontrar as pessoas
que convivem com o vírus sem saber. Um estudo publicado no Brazilian Journal
of Infectious Diseases³ demonstra que a eliminação da doença no Brasil até
2030 só será possível com a ampliação da testagem, do diagnóstico e do acesso
ao tratamento e que, sem essas medidas, o país tende a registrar mais casos de
cirrose, câncer hepático e necessidade de transplante, enquanto a identificação
precoce dos pacientes reduz complicações e os custos para o sistema de saúde.
Já a hepatite B é uma doença que pode ser amplamente prevenida por
meio da vacinação. Trata-se de uma vacina segura, altamente eficaz e disponível
gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de conferir proteção
duradoura contra a infecção e suas complicações, como cirrose e câncer de
fígado.
“É fundamental fortalecer continuamente as estratégias de
vacinação e conscientizar a população sobre a importância de manter o esquema
vacinal em dia, já que essa é a medida mais eficaz para reduzir a circulação do
vírus e prevenir novos casos", reforça a Dra. Carolina.
Um exame simples pode mudar o prognóstico
O Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas com 40 anos
ou mais realizem o teste para hepatite C pelo menos uma vez na vida, mesmo sem
sintomas. Também devem ser testadas pessoas que receberam transfusão de sangue
nos últimos 30 anos, passaram por procedimentos cirúrgicos antigos, fizeram
tatuagens ou piercings em locais sem condições adequadas de biossegurança ou
apresentam outros fatores de risco. O teste rápido é gratuito e está disponível
nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a especialista, essa estratégia permite interromper a
evolução silenciosa da doença antes que ocorram danos irreversíveis ao fígado.
"O diagnóstico precoce transforma completamente o prognóstico. Hoje
dispomos de medicamentos altamente eficazes, com elevadas taxas de cura. Quanto
mais cedo o paciente inicia o tratamento, menor a chance de desenvolver
cirrose, câncer hepático ou necessitar de transplante", destaca a Dra.
Carolina
As hepatites B e C são transmitidas principalmente pelo contato com
sangue contaminado. No caso da hepatite B, também ocorre transmissão sexual e
existe vacina disponível gratuitamente pelo SUS. Já para a hepatite C, não há
vacina, tornando a testagem uma das principais ferramentas de controle da
doença.
Entre os possíveis fatores de exposição estão:
- Transfusão de sangue realizada antes de 1993;
- Procedimentos médicos antigos;
- Tatuagens e piercings realizados sem adequada esterilização;
- Compartilhamento de objetos perfuro cortantes, como alicates,
lâminas de barbear e escovas de dentes;
- Compartilhamento de seringas e agulhas.
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Referências
1. Ministério da Saúde. Hepatite C (dados sobre evolução silenciosa, risco de
cirrose, tratamento e testagem). Ministério da Saúde – Hepatite C Link
2. Ministério da Saúde. Recomendação de testagem para
pessoas com 40 anos ou mais e grupos de risco. Brasil avança no combate à
hepatite C Link
3. The epidemiological scenario of hepatitis C in Brazil in the context of the National Plan for the Elimination of Hepatitis C by 2030 Link
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