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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Milhões podem conviver com hepatite sem saber

Magnific
No Julho Amarelo, Afya alerta para os riscos das hepatites B e C, que podem permanecer assintomáticas por décadas; teste rápido gratuito no SUS é a principal estratégia para evitar evolução para cirrose, câncer de fígado e transplante hepático

 

Enquanto muitas doenças dão sinais claros de que algo não vai bem, as hepatites virais B e C costumam seguir um caminho diferente. Silenciosas, podem permanecer décadas sem provocar sintomas, permitindo que a inflamação do fígado avance lentamente até causar complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado¹. 

Em aproximadamente 70% dos casos, a infecção torna-se crônica e, sem diagnóstico e tratamento, entre 15% e 30% dos pacientes podem desenvolver cirrose ao longo de cerca de 20 anos. Além disso, o vírus aumenta significativamente o risco de carcinoma hepatocelular, principal tipo de câncer.² 

Além da testagem dos grupos de risco, alterações em exames laboratoriais que avaliam o funcionamento do fígado também merecem atenção. Mesmo pequenas elevações das enzimas hepáticas não devem ser consideradas normais e precisam ser investigadas, especialmente porque as lesões provocadas pelas hepatites virais podem ser discretas nas fases iniciais. 

"Muitas vezes o paciente apresenta apenas alterações leves nos exames de fígado e, justamente por serem discretas, elas acabam sendo subestimadas. Nenhuma alteração persistente deve ser considerada normal sem investigação, porque esse pode ser o primeiro sinal de uma hepatite viral ou de outra doença hepática que precisa de diagnóstico e tratamento", explica a Dra. Carolina Pimentel, hepatologista e coordenadora da pós-graduação em gastroenterologia da Afya Educação Médica. 

Embora a hepatite C tenha cura em mais de 95% dos casos quando diagnosticada precocemente, o maior desafio continua sendo encontrar as pessoas que convivem com o vírus sem saber. Um estudo publicado no Brazilian Journal of Infectious Diseases³ demonstra que a eliminação da doença no Brasil até 2030 só será possível com a ampliação da testagem, do diagnóstico e do acesso ao tratamento e que, sem essas medidas, o país tende a registrar mais casos de cirrose, câncer hepático e necessidade de transplante, enquanto a identificação precoce dos pacientes reduz complicações e os custos para o sistema de saúde. 

Já a hepatite B é uma doença que pode ser amplamente prevenida por meio da vacinação. Trata-se de uma vacina segura, altamente eficaz e disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de conferir proteção duradoura contra a infecção e suas complicações, como cirrose e câncer de fígado. 

“É fundamental fortalecer continuamente as estratégias de vacinação e conscientizar a população sobre a importância de manter o esquema vacinal em dia, já que essa é a medida mais eficaz para reduzir a circulação do vírus e prevenir novos casos", reforça a Dra. Carolina.


Um exame simples pode mudar o prognóstico

O Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas com 40 anos ou mais realizem o teste para hepatite C pelo menos uma vez na vida, mesmo sem sintomas. Também devem ser testadas pessoas que receberam transfusão de sangue nos últimos 30 anos, passaram por procedimentos cirúrgicos antigos, fizeram tatuagens ou piercings em locais sem condições adequadas de biossegurança ou apresentam outros fatores de risco. O teste rápido é gratuito e está disponível nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Segundo a especialista, essa estratégia permite interromper a evolução silenciosa da doença antes que ocorram danos irreversíveis ao fígado. "O diagnóstico precoce transforma completamente o prognóstico. Hoje dispomos de medicamentos altamente eficazes, com elevadas taxas de cura. Quanto mais cedo o paciente inicia o tratamento, menor a chance de desenvolver cirrose, câncer hepático ou necessitar de transplante", destaca a Dra. Carolina 

As hepatites B e C são transmitidas principalmente pelo contato com sangue contaminado. No caso da hepatite B, também ocorre transmissão sexual e existe vacina disponível gratuitamente pelo SUS. Já para a hepatite C, não há vacina, tornando a testagem uma das principais ferramentas de controle da doença.

Entre os possíveis fatores de exposição estão:

  • Transfusão de sangue realizada antes de 1993;
  • Procedimentos médicos antigos;
  • Tatuagens e piercings realizados sem adequada esterilização;
  • Compartilhamento de objetos perfuro cortantes, como alicates, lâminas de barbear e escovas de dentes;
  • Compartilhamento de seringas e agulhas.

 

Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br

 

Referências

1. Ministério da Saúde. Hepatite C (dados sobre evolução silenciosa, risco de cirrose, tratamento e testagem). Ministério da Saúde – Hepatite C
Link

2. Ministério da Saúde. Recomendação de testagem para pessoas com 40 anos ou mais e grupos de risco. Brasil avança no combate à hepatite C Link

3. The epidemiological scenario of hepatitis C in Brazil in the context of the National Plan for the Elimination of Hepatitis C by 2030 Link


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