Criada ao longo de 5 anos, a peça é inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse e narra a jornada interna do protagonista em busca de si mesmo. Espetáculo comemora 2 anos em cartaz e chega, pela primeira vez, na capital paulista
A vida e a iluminação de Buda são o
ponto de partida para a criação do solo Sidarta, do ator e diretor Angel
Ferreira, que celebra dois anos em cartaz com este trabalho. O espetáculo estreia
em São Paulo no Teatro Estúdio, de 8 de agosto a 27 de setembro.
A peça, ambientada na Índia no período
de vida do Buda histórico, é livremente inspirada no livro homônimo de Hermann
Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, que narra, de forma ficcional,
uma viagem que o próprio autor realizou em sua juventude, abarcando temas de
valor existencial e mergulhos na ambiguidade entre os pólos sagrado-profano,
sucesso-fracasso, prazer-privação, solidão-pertencimento.
Nesta história, acompanhamos Sidarta,
inteligente filho de Brâmane, a deixar a casa dos pais. Seguido por seu melhor
amigo, Govinda, ambos aderem aos samanas, vertente espiritual que busca
a iluminação através da mortificação do corpo. Em seguida, desconfiado e
desiludido com as doutrinas, Sidarta conhece o próprio Buda e dele também se
afasta, determinado a encontrar seu próprio caminho ou a morte.
Estabelece relação com uma cortesã da cidade,
torna-se comerciante, embrenha-se no vício e no materialismo, para novamente
deixar tudo para trás e retornar à simplicidade, junto a um barqueiro que se
revela um mestre e amigo. Continuamente, encontramos ao longo do texto
dramaturgias de aprisionamento e libertação, que descortinam suas ilusões e
aprofundam sua subjetividade.
Sobre essa jornada interior em busca da
essência, Angel Ferreira comenta: “Quando a gente põe em perspectiva o nosso
tempo de vida, a efemeridade de tudo, não faz sentido basear a vida numa busca
distraída por sucesso, bens, poder. Gosto do conforto, e não sou um asceta,
como os samanas da floresta que o Sidarta encontra. Se libertar do materialismo
pra mim não é sobre abdicar e renunciar a vida material, ao mundo dos objetos e
da relação com as coisas, pra mim é sobre aprender a brincar com elas, mas sem
ficar obcecado, sem se viciar nesse jogo. Então, a peça me ensina a pensar e
escolher quais hábitos me centram e me trazem calma. Como o trabalho é bastante
físico, ele me convida a ter uma vida amorosamente disciplinada, com
alongamento, fortalecimento, meditação - e se eu não faço eu me machuco em
cena”.
Angel também destaca a relação da peça
com temas atuais e urgentes, principalmente os ambientais. “Quando eu penso que
nós vivemos num mundo em colapso climático, no qual o negacionismo encontra
força justamente no fato de que deixamos de conviver com as árvores, os bichos,
as águas limpas, fazer uma peça que conta a história de uma pessoa que encontra
a paz se dedicando a ouvir a voz do rio, me encanta! Isso pra mim é urgente de
ser trabalhado nas artes. Uma nova compreensão da centralidade da natureza nas
nossas vidas”, acrescenta.
Preparado ao longo de cinco anos, o
espetáculo narra a jornada do protagonista em busca de si mesmo, em uma
apresentação que mescla narrador, personagens e ator a partir de uma montagem
minimalista, com colaboração na direção de Beth Martins (Intrépida Trupe) e
Renato Livera (Shell 2026 de Melhor Ator). Livera também é responsável pela
iluminação da peça, ao lado de João Gioia, com quem foi indicado ao Prêmio
Shell 2025 na categoria Iluminação.
“‘Sidarta’ é um desses projetos que te
chamam para algo a mais do que a criatividade artística puramente dita. É um
chamado também espiritual. Foi assim que recebi o convite do Angel Ferreira
para estar junto. E como a espiritualidade está ligada a um movimento interno
de conexão que vai para além de nós mesmos, entendemos que o resultado que
tivemos com a iluminação seguiu o princípio desse sopro, dessa troca, da escuta
e da generosidade. É uma luz muito simples, mas ela habita e dá lugar à
imensidão da história contada. Isso foi reconhecido e resultou na indicação, a
qual agradeço imensamente ao Angel, ao João Gioia e à Thatyane Calandrini. Sem
esse coletivo inspirado e inspirador, nada disso teria acontecido”, comenta
Livera.
Ficha Técnica
Direção, Adaptação e Atuação: Angel Ferreira
Direção de Produção: Marcela Casarin
Diretores Colaboradores: Beth Martins e
Renato Livera
Diretora Assistente: Thatyane
Calandrini
Interlocução Dramatúrgica: Walter
Daguerre
Iluminação: João Gioia e Renato Livera
Colaboração Artística: Lavinia Bizzotto
Preparação em Parateatro: João Maia P
Colaboração em Movimento: Alexandre
Maia
Fotografia: Philipp Lavra e Claudio
Pitanga
Produção: Mãe Joana Produções
Agradecimentos: Felipe Habib, Nina
Harper e Ricardo Cabral
Sinopse
Nesta história, acompanhamos Sidarta, inteligente filho de Brâmane, a deixar a casa dos pais. Seguido por seu melhor amigo, Govinda, ambos aderem aos samanas, vertente espiritual que busca a iluminação através da mortificação do corpo. Em seguida, desconfiado e desiludido com as doutrinas, Sidarta conhece o próprio Buda e dele também se afasta, determinado a encontrar seu próprio caminho ou a morte. Estabelece relação com uma cortesã da cidade, torna-se comerciante, embrenha-se no vício e no materialismo, para novamente deixar tudo para trás e retornar à simplicidade, junto a um barqueiro que se revela um mestre e amigo. Continuamente, encontramos ao longo do texto dramaturgias de aprisionamento e libertação, que descortinam suas ilusões e aprofundam sua subjetividade.
Serviço
Sidarta, com Angel Ferreira
Temporada:
8 de agosto a 27 de setembro de
2026
AGOSTO
Sábados
e domingos, às 17h
Segundas, às 20h
Sextas
às 20h
Sábados
e domingos às 17h
*não
teremos sessão no dia 04 de setembro (sexta)
Teatro Estúdio - R. Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos
Ingressos:
R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)
Vendas
online em https://site.bileto.sympla.com.br/teatroestudio/
Bilheteria:
segunda a sábado, a partir das 17h; e
aos domingos, a partir das 15h
Serviço
de Vallet com Estacionamento no local (a partir de 1h30 antes do início do
espetáculo).
Duração:
120 min
Capacidade:
112 lugares
Classificação: 18 anos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade
reduzida
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.

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