Especialista destaca que organizar as finanças reduz o estresse, melhora a qualidade de vida e contribui até para um melhor desempenho no ambiente de trabalho
Quando se fala em autocuidado, é comum pensar em alimentação
equilibrada, prática de atividades físicas ou momentos de descanso. Mas, além
desses fatores importantes, existe um aspecto que, muitas vezes, acaba ficando
de lado e tem impacto direto na saúde física, emocional e até profissional: a
saúde financeira.
Celebrado em 24 de julho, o Dia
Internacional do Autocuidado convida a refletir sobre hábitos
que promovem mais qualidade de vida. Nesse contexto, manter as finanças
organizadas também deve fazer parte da rotina. Afinal, a preocupação constante
com dinheiro pode aumentar os níveis de ansiedade, prejudicar o sono,
dificultar a concentração e comprometer a rotina no trabalho.
O impacto desse cenário já é percebido dentro das empresas. Uma
pesquisa realizada pela Serasa em parceria com a Opinion Box e a Fully
Ecosystem mostrou que 30% dos trabalhadores se sentem desmotivados por causa da
situação financeira. Além disso, metade dos brasileiros afirma trabalhar
pensando nas contas que precisa pagar. O estudo também aponta que 46% dos
profissionais percebem preconceito em relação aos problemas de saúde mental no
ambiente corporativo.
"Como profissional de Gente & Gestão e por atuar em uma
instituição financeira, vejo diariamente como a vida financeira influencia o
bem-estar das pessoas. Quando alguém está constantemente preocupado com dívidas
ou sem clareza sobre sua situação financeira, essa preocupação não fica do lado
de fora da empresa. Ela pode acompanhar o colaborador ao longo do dia, impactar
sua concentração, sua motivação e até seus relacionamentos na vida pessoal e no
trabalho. E por isso cuidar das finanças também é uma forma de
autocuidado",
afirma Paula Vieira, CHRO do Banco Digio, banco digital do Bradesco.
Segundo a executiva, construir uma relação mais saudável com o
dinheiro não significa, necessariamente, ganhar mais, mas desenvolver hábitos
que tragam previsibilidade e segurança para o dia a dia.
"Autocuidado também passa por criar uma relação mais
equilibrada com o dinheiro. Pequenas mudanças de comportamento ajudam a reduzir
a sensação de descontrole e proporcionam mais tranquilidade para tomar decisões
importantes, tanto na vida pessoal quanto na profissional."
Para quem deseja começar ou até mesmo melhorar esse processo,
Paula reúne quatro práticas que podem fazer diferença na construção de uma
rotina financeira mais saudável.
1. Conheça sua realidade financeira
"O primeiro passo é saber exatamente quanto entra e quanto
sai todos os meses. Muitas pessoas evitam olhar para as próprias finanças por
receio, mas ter clareza sobre a situação é justamente o que permite encontrar
soluções e recuperar o controle."
2. É preciso ter espaço para o planejamento
Paula explica que, mesmo com uma rotina intensa, reservar alguns
minutos por semana para acompanhar despesas, revisar gastos e definir
prioridades evita decisões impulsivas e reduz a ansiedade causada pela sensação
de desorganização financeira.
3. Estabeleça metas possíveis e comemore pequenas conquistas
"Nem toda mudança acontece de uma vez. Quitar uma dívida,
formar uma reserva de emergência ou simplesmente conseguir fechar o mês sem
novos atrasos já são avanços importantes. Valorizar esse processo ajuda a
manter a disciplina e cria uma relação mais positiva com o dinheiro."
4. Lembre-se de que pedir orientação também faz parte do
autocuidado
Buscar informações confiáveis, utilizar ferramentas de educação financeira ou conversar com especialistas pode tornar o planejamento mais simples e ajudar a desenvolver hábitos financeiros mais sustentáveis ao longo do tempo.
"Assim como cuidamos da alimentação, do sono ou da saúde física, também precisamos cuidar da nossa saúde financeira. O dinheiro, por si só, não determina felicidade, mas a falta de organização financeira costuma gerar preocupações que afetam diferentes áreas da vida. Quanto antes esse cuidado começa, maiores são as chances de construir uma rotina mais leve, saudável e equilibrada", conclui Paula.
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