Com o desemprego no menor nível da série histórica do IBGE, candidatos qualificados saem do mercado mais rápido. Para a diretora de Pessoas & Cultura da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o atraso na contratação costuma estar dentro de casa, não fora
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do
IBGE, o número de pessoas buscando emprego há dois anos ou mais caiu 21,7% no
primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, o menor
contingente da série histórica iniciada em 2012. Em um mercado assim, mais
aquecido e com menos profissionais disponíveis por mais tempo, demorar para
decidir tem um custo real: o candidato qualificado simplesmente segue para a
próxima oportunidade.
“Quando uma vaga estratégica fica meses em aberto, a primeira pergunta
que a empresa deveria se fazer não é se falta gente qualificada no mercado, é
se o próprio processo interno está represando a contratação. Na maioria das
vezes que vejo uma vaga demorar demais, o problema não está na escassez de
candidatos, está em etapas internas que poderiam ser mais rápidas”, afirma
Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.
O primeiro ponto de atenção, segundo a executiva, é a falta de
alinhamento entre RH e gestor da área antes mesmo da vaga ser publicada.
“Muitas vagas abrem sem que o perfil esteja alinhado e claramente definido para
quem pede a vaga e quem vai recrutar. Isso gera retrabalho: o RH apresenta
candidatos, o gestor rejeita por critérios que não foram combinados, gerando
inefiência no processo”, explica.
Outro gargalo comum está no número de etapas do processo seletivo.
“Processos com quatro, cinco entrevistas, as agendas passam a ser um ofensor no
tempo de fechamento das vagas, sendo um dos maiores motivos de desistência de
candidatos no meio do caminho. Vale revisar quantas etapas são realmente
necessárias e quais podem ser combinadas, sem abrir mão da qualidade da
avaliação”, recomenda Patricia.
A demora para dar retorno ao candidato também aparece como ponto crítico. “Silêncio prolongado depois de uma entrevista é um dos principais motivos pelos quais um bom candidato aceita outra proposta no meio do processo. Um feedback rápido, mesmo que seja para dizer que o processo ainda está em andamento, mantém o candidato engajado e reduz a chance de perdê-lo para a concorrência”, pondera a executiva.
Por fim, Patricia chama atenção para vagas com requisitos pouco realistas para o orçamento disponível. “Exigir um perfil de mercado muito específico, mas oferecer uma remuneração abaixo do praticado, é receita certa para vaga aberta por muito tempo. Vale revisar a expectativa salarial junto ao mercado antes de publicar a vaga, não depois de meses sem retorno”, completa.

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