Levantamento
mostra desafios desde a realização de exames preventivos até o acompanhamento
pós-cirúrgico das pacientes, revelando necessidade de aprimoramento nas redes
pública e privada de saúde do País
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Levantamento nacional, realizado pelo Instituto
Ipsos a pedido da Novartis, revela que a demora no agendamento de consultas ou
na realização de exames estão entre os grandes desafios enfrentados pelas
mulheres na prevenção do câncer de mama no Brasil. “Os dados apresentados são
de extrema relevância, ainda mais quando consideramos que o diagnóstico precoce
aumenta as chances de cura da doença e responde por melhor qualidade de vida
das pacientes”, afirma o mastologista Guilherme Novita, presidente da Sociedade
Brasileira de Mastologia (SBM).
A pesquisa inédita Ipsos/Novartis ouviu 400
mulheres acima de 35 anos das classes A, B e C. O levantamento mostra que 63%
consideram a demora para agendar consultas ou realizar exames como principais
desafios na jornada de prevenção do câncer de mama. No Sistema Único de Saúde
(SUS), o gargalo se apresenta ainda maior: 77%.
No ano passado, o Ministério da Saúde passou a
recomendar o rastreamento regular do câncer de mama a partir dos 40 anos de
idade. Essa indicação, que se alia aos esforços das principais associações
médicas brasileiras, entre elas a SBM, visa ao enfrentamento da doença em todo
o território nacional. No entanto, esse direito ainda não se converte em
cuidado efetivo. Conforme a pesquisa, entre mulheres de 41 anos ou mais, uma em
cada três entrevistadas relata não realizar a mamografia regularmente; 12%
afirmam nunca ter feito o exame.
O levantamento também mostra que a desinformação é
questão preocupante no enfrentamento da doença. Entre as mulheres ouvidas, 36%
indicaram uma idade incorreta para iniciar a mamografia regularmente. Além
disso, 15% receberam solicitação médica para realizar o exame, mas não chegaram
a fazê-lo.
Entre as pacientes que nunca realizaram a
mamografia, 18% afirmaram ter dificuldade para agendar o exame e citam também
falta de orientação médica. “Neste ponto, especificamente, nos deparamos com
barreiras estruturais e também com a necessidade de aprimoramento de
comunicação e orientação às pacientes”, destaca Novita.
Os dados da pesquisa demonstram, ainda, que na
percepção das mulheres a jornada de tratamento do câncer de mama não termina na
cirurgia. Para 63%, é importante ter acompanhamento e tratamento mesmo após a
intervenção cirúrgica, o que reforça a necessidade de ampliação do debate sobre
acesso e estratégias de prevenção de recidiva. Entre as entrevistadas, 35%
demonstraram medo de a doença voltar.
“Os resultados da pesquisa mostram que muitas
mulheres reconhecem a importância do acompanhamento contínuo, mas ainda
enfrentam obstáculos concretos para transformar esse cuidado em realidade. Isso
nos convida a refletir sobre a necessidade de jornadas mais coordenadas, com
menos interrupções e maior apoio às pacientes ao longo do tempo. É nesse ponto
que o debate público e o diálogo com especialistas e sociedades médicas ganham
ainda mais relevância, para aproximar políticas e práticas clínicas da
realidade das mulheres”, ressalta Bianca Cormanich, diretora de Oncologia da
Novartis Brasil.
Para o presidente da SBM, o câncer de mama não se
encerra com a cirurgia. “A ausência de acompanhamento contínuo pode comprometer
desfechos ao longo do tempo, especialmente no sistema público de saúde”,
enfatiza Guilherme Novita. “Os esforços das sociedades médicas brasileiras para
contribuir com políticas públicas de prevenção e tratamento do câncer de mama,
condizentes com a realidade das mulheres brasileiras, precisam ser permanentes
e acompanhados sempre de atuações efetivas que beneficiem a população como um
todo.”
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