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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Festa Junina 2026 fica mais cara, mas inflação não atinge todos os itens do arraial

 

Análise de preço médio por kg das principais categorias de produtos consumidos em festas juninas - dados de supermercados e atacarejos (mai/2025 a mai/2026) 

 

O São João chega mais salgado para o bolso do consumidor em 2026. Uma análise dos preços médios das principais categorias de produtos típicos das festas juninas feita com exclusividade pela Neogrid, empresa que conecta indústria, varejo e distribuidores para transformar dados em decisões na cadeia de consumo com dados coletados em supermercados, hipermercados e atacarejos brasileiros - revela um cenário misto: enquanto os doces de amendoim subiram quase 29% em doze meses, itens como vinhos e cachaças chegaram a ficar levemente mais baratos. No balanço geral, quem vai montar a mesa de arraial terá de desembolsar mais do que no ano passado, mas algumas boas notícias ajudam a suavizar o impacto.


Doces Juninos: queda do pingo de leite não compensa alta dos doces de amendoim

Os doces típicos das festas juninas apresentaram o quadro mais heterogêneo da análise. O destaque negativo fica com o doce de amendoim, cujo preço médio por kg saltou de R$ 43,56 para R$ 56,11 – uma alta de 28,8%, puxado pela valorização do amendoim in natura. O pé de moça também encareceu significativamente, +13,0%, chegando a R$ 86,29/kg.

Já a paçoca (+5,2%) e o pé de moleque (+3,6%) subiram de forma mais comportada, enquanto o pingo de leite se destaca como o maior recuo da categoria, caindo 15,1% e encerrando maio/2026 a R$ 65,61/kg. A cocada em barra (-2,5%), o doce de leite em barra (-1,3%) e a rapadura (praticamente estável, -0,2%) também proporcionam algum alívio, sendo que a rapadura continua sendo um dos itens mais acessíveis da mesa junina a R$ 24,50/kg.


Amendoim, Pipoca e Milho: grão mais caro pressiona toda a cadeia

O amendoim in natura acumulou alta de 11,9% em doze meses, reflexo de pressões climáticas e de demanda que se espalharam pela cadeia produtiva. A pipoca de micro-ondas seguiu a mesma tendência, registrando +12,1% e encerrando a R$ 48,31/kg. Já o milho para pipoca, produto mais popular nas brincadeiras de arraial, praticamente não variou (+0,8%), mantendo-se como uma das opções mais econômicas da festa a R$ 11,57/kg.

O milho verde fresco ficou 6,7% mais caro, enquanto o milho em conserva (enlatado) permaneceu estável, com queda simbólica de 0,02% - chegando a R$ 22,74/kg, praticamente o mesmo preço de um ano atrás.


Quentão e vinho quente: cachaça estável e vinho mais barato facilitam a receita

Quem vai preparar o tradicional quentão ou o vinho quente neste São João encontrará um cenário favorável nos ingredientes principais. Os vinhos - peça central do vinho quente - ficaram mais baratos: o vinho fino nacional recuou 3,8%, de R$ 48,42 para R$ 46,59/kg, enquanto o vinho importado caiu 3,9%, para R$ 59,30/kg. A queda pode ser atribuída à combinação de câmbio mais favorável e ao aumento da oferta de rótulos nacionais.

As cachaças - base do quentão clássico - tiveram comportamento estável. A cachaça branca subiu apenas 1,1%, mantendo-se como a opção mais acessível da categoria a R$ 17,10/kg. A amarela ficou 0,7% mais barata e a artesanal praticamente não se alterou (+0,3%), ainda que pese R$ 72,09/kg.

Entre as especiarias, o cenário é misto, mas sem grandes sustos. Canela (+0,3%) e cravo da índia (-0,1%) chegaram a maio/2026 praticamente no mesmo patamar de um ano atrás — a canela a R$ 282,77/kg e o cravo a R$ 521,39/kg. A noz-moscada registrou queda de 2,3%, encerrando a R$ 616,58/kg. O gengibre, contudo, surpreende: alta de 12,9%, chegando a R$ 303,71/kg — o que pode impactar versões mais elaboradas do quentão que levam o ingrediente em maior quantidade.


Neogrid


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