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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Projeto de lei amplia teor de cacau no chocolate e acende alerta para consumo de ultraprocessados

Nova lei estabelece mínimo de cacau e muda rotulagem de produtos; especialistas explicam impactos do consumo diante do excesso de ingredientes de baixo valor nutricional
 

Com o aumento do consumo de chocolate às vésperas da Páscoa, cresce a atenção sobre a qualidade dos produtos disponíveis no mercado. Por isso, em meio à oferta de itens com baixa concentração de cacau e altos teores de açúcar e gordura, a Câmara dos Deputados em Brasília aprovou, em 17 de março, um projeto que estabelece critérios mais rigorosos para que esses produtos sejam classificados como chocolate, incluindo a definição de percentuais mínimos de cacau e a obrigatoriedade de informar com maior clareza o teor do ingrediente nas embalagens. 

A nutricionista Polyana Baptista Gomes, do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, explica que produtos com maior teor de cacau tendem a apresentar melhor qualidade nutricional e impacto positivo nas escolhas alimentares. “Os efeitos vão além da prateleira e influenciam diretamente decisões relacionadas à saúde. Isso porque o cacau é o principal responsável pelos potenciais benefícios associados ao chocolate, por concentrar compostos bioativos, como flavonoides, cuja ação antioxidante e moduladora contribui para proteção celular”, afirma. 

Para chocolates intensos, passa a ser exigido mínimo de 35% de cacau, acima dos 25% atualmente previstos pela Anvisa. A decisão também define parâmetros para outras categorias, como chocolate em pó (32% de cacau), ao leite (25% de cacau e 14% de leite) e branco (20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos lácteos), além de detalhar a composição mínima dos chocolates intensos. 

“Quando há maior concentração de cacau, há também menor espaço para adição de açúcares e gorduras, o que impacta diretamente o perfil do produto”, afirma. Ainda assim, ela reforça que o consumo deve ser equilibrado. “O ideal é priorizar opções com maior teor de cacau, como 70% ou mais, e evitar o consumo frequente em grandes quantidades. O equilíbrio é fundamental para que o alimento não deixe de ser um prazer e passe a representar um risco”, completa. 

Segundo ela, a composição do produto está diretamente associada a impactos negativos no organismo. “Dietas com excesso de açúcar e gordura podem contribuir para o ganho de peso, alterações metabólicas e aumento do risco de doenças crônicas ao longo do tempo. No caso de produtos com baixo teor de cacau, o chocolate deixa de oferecer potenciais benefícios e passa a ser predominantemente uma fonte desses ingredientes”, diz.

No caso das crianças, a atenção deve ser redobrada. O alerta aqui é a moderação. A endocrinologista pediátrica Nara Evangelista, do Hospital Samaritano Higienópolis, alerta que o excesso de açúcar pode trazer impactos relevantes à saúde infantil, que vão além do ganho de peso. 

“O consumo exagerado de açúcar na infância está associado a um maior risco de obesidade, alterações metabólicas e até à formação precoce de hábitos alimentares inadequados. Na Páscoa, a orientação não é proibir, mas estabelecer limites e priorizar opções com maior teor de cacau, além de incentivar o consumo consciente e equilibrado”, explica.

A especialista avalia que a medida legislativa contribui para escolhas mais conscientes “Ter mais clareza sobre o que está sendo consumido é fundamental para a saúde, principalmente no caso das crianças, que são mais vulneráveis aos efeitos do excesso de ingredientes de baixo valor nutricional”, afirma. “Entender a composição dos alimentos é um passo importante para evitar o consumo frequente de ultraprocessados e promover hábitos mais equilibrados desde cedo”, finaliza.


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