Especialista destaca benefícios, limitações e cuidados no uso do CBD no tratamento de doenças neurológicas e psiquiátricas
O canabidiol (CBD), substância derivada
da cannabis, tem sido estudado como alternativa terapêutica para diferentes
condições. Entre as principais indicações está a epilepsia refratária. Estudos
clínicos demonstram redução significativa das crises convulsivas, especialmente
em síndromes como Dravet e Lennox-Gastaut, além de melhora na qualidade de vida
dos pacientes.
Além disso, o CBD apresenta evidências no controle de sintomas da esclerose múltipla, como espasticidade, dor neuropática e distúrbios do sono. Também há resultados promissores no tratamento da dor crônica, sobretudo de origem neuropática, devido à sua ação anti-inflamatória e moduladora no sistema nervoso. Em transtornos de ansiedade e no Transtorno do Espectro Autista (TEA), os estudos também indicam benefícios.
De acordo com o médico e clínica geral, Adam de Lima Alborta, o canabidiol é uma alternativa eficaz e segura, mas o uso indiscriminado da substância pode trazer riscos, como ocorre com qualquer medicação, e deve ser feito com acompanhamento profissional. “O canabidiol atua no sistema endocanabinoide, ajudando a regular funções como dor, sono e resposta emocional. No entanto, é fundamental entender que não se trata de uma cura, mas de uma ferramenta terapêutica que deve ser utilizada com critério”, afirma.
A
seguir, cinco condições em que o canabidiol pode ajudar, de acordo com o Dr.
Adam de Lima Alborta:
Epilepsia
refratária: É o
campo com melhor sustentação científica. Em síndromes como Dravet,
Lennox-Gastaut e esclerose tuberosa, o CBD já demonstrou capacidade de reduzir
a frequência das crises. Na prática, entra como uma ferramenta real quando os
anticonvulsivantes tradicionais não conseguem oferecer controle adequado. Não
se trata de uma substituição imediata, mas, muitas vezes, permite a
estabilização do quadro e a redução da carga medicamentosa ao longo do tempo.
Aqui, o uso é menos controverso e mais consolidado.
Ansiedade:
O CBD atua modulando a hiperatividade
mental e a resposta ao estresse. Na prática, o que mais se observa é o paciente
deixando de viver em estado de alerta constante. Não é sedação, mas
reorganização. Isso impacta o sono, a tomada de decisão e até as relações
pessoais. Em alguns casos, começa como coadjuvante, mas pode ganhar
protagonismo conforme o paciente se estabiliza. Ainda assim, é fundamental
diferenciar ansiedade de outros quadros psiquiátricos antes da indicação.
Dor
crônica: A dor crônica
raramente é apenas física. Envolve sono prejudicado, ansiedade, memória da dor
e sensibilização do sistema nervoso. O CBD atua justamente nesses pontos.
Quando bem indicado, pode mudar a forma como o paciente percebe e responde à
dor. Em alguns casos, a associação com pequenas doses de THC potencializa
significativamente o efeito analgésico, mas isso exige ajuste fino. Observa-se
com frequência a redução da necessidade de analgésicos mais potentes quando o
tratamento é bem conduzido.
Transtorno
do espectro autista (TEA): Aqui,
é essencial ter maturidade clínica. O CBD não trata o autismo, mas pode
auxiliar significativamente nos sintomas associados. Irritabilidade, agitação,
distúrbios do sono e crises comportamentais tendem a melhorar, impactando
diretamente a qualidade de vida da criança e da família. É um dos cenários em
que o tratamento precisa ser altamente individualizado e acompanhado de perto,
já que pequenas variações de dose podem alterar bastante a resposta.
Insônia
associada à ansiedade ou dor: O
CBD não deve ser encarado como um indutor de sono clássico. Atua melhor quando
o problema está na dificuldade de “desligar”. Pacientes com mente acelerada,
tensão corporal ou dor noturna costumam responder bem. O principal ganho não é
apenas dormir, mas acordar com mais qualidade. Em alguns casos, a associação
com THC em baixa dose pode auxiliar na indução do sono, mas o equilíbrio entre
relaxamento e clareza mental é o ponto central do tratamento.
Para
completar, o especialista ressalta que o CBD não substitui tratamentos
convencionais e não deve ser visto como uma cura. “O canabidiol entra como uma
terapia complementar e auxiliar. Ele não substitui os demais tratamentos para
essas condições. Antes de iniciar o uso, é importante passar por uma avaliação
criteriosa para verificar se ele é indicado para cada caso”, finaliza Alborta.
Instagram (@cbdsaudeonline)
www.dradamalborta.com.br

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