Entrou em vigor no dia 1º de abril de 2026 a
Lei Complementar nº 224/2025, que traz mudanças relevantes na política de
incentivos fiscais no Brasil e impacta diretamente a rotina tributária das
empresas. A medida faz parte de um movimento do governo federal para revisar
benefícios fiscais e ampliar a arrecadação, atingindo especialmente tributos
como PIS e Cofins.
De forma geral, a legislação não extingue os
incentivos existentes, mas reduz significativamente sua efetividade. A nova
regra estabelece uma diminuição linear de 10% sobre benefícios como isenções,
alíquotas zero, reduções de base de cálculo e créditos presumidos. Na prática,
isso resulta em aumento da carga tributária para empresas que operavam com
algum tipo de vantagem fiscal.
Mudanças
no dia a dia das empresas
Os efeitos da nova lei já começam a ser
percebidos nas operações cotidianas, especialmente na apuração de PIS e Cofins.
Operações que antes estavam sujeitas à alíquota zero passam a ter incidência
tributária parcial, sem direito a crédito, o que tende a elevar custos e
alterar a dinâmica de diversos setores. Cadeias produtivas inteiras tendem a
ser impactadas, já que insumos e produtos antes desonerados passam a contribuir,
acarretando o aumento em cada elo da cadeia pela impossibilidade de
creditamento.
Além disso, a redução de benefícios como
créditos e isenções diminui a capacidade de compensação tributária ao longo da
cadeia, o que pressiona margens e exige maior controle fiscal. Segundo Ítalo
Bandeira, especialista em planejamento tributário e sócio da ABAX
Consultoria, essa mudança exige uma revisão imediata dos
processos internos, já que a simples manutenção dos modelos atuais pode levar a
distorções na apuração de tributos e aumento inesperado de custos.
Outro ponto de atenção está no planejamento
tributário. A nova configuração torna necessária uma reavaliação dos regimes
adotados pelas empresas, incluindo o lucro presumido, que pode perder parte de
sua atratividade em determinados cenários. “Embora os benefícios não tenham
sido eliminados, houve uma redução concreta do seu impacto econômico, o que
altera a lógica de escolha do regime tributário”, avalia Ítalo.
Reflexos
financeiros e operacionais
Com a elevação da carga tributária efetiva,
empresas devem sentir impacto direto no fluxo de caixa. O aumento de custos
pode levar à revisão de preços, com possível repasse ao consumidor final,
dependendo do setor e do nível de competitividade do mercado.
A adaptação ao novo cenário também passa por
ajustes operacionais. Sistemas de gestão fiscal precisam ser atualizados,
rotinas contábeis revisadas e equipes capacitadas para lidar com as novas
regras. “O maior desafio está na adaptação operacional, já que as mudanças exigem
ajustes rápidos e detalhados para garantir conformidade e evitar riscos
fiscais”, destaca o especialista em planejamento tributário da ABAX
Consultoria.
Novo
cenário exige estratégia
“Com a entrada em vigor da Lei Complementar nº 224/2025, o ambiente tributário brasileiro se torna mais complexo e desafiador. A necessidade de revisão constante das estratégias fiscais e financeiras passa a ser essencial para manter a competitividade e evitar impactos negativos no desempenho das empresas", explica Ítalo Bandeira, especialista em planejamento tributário e sócio da ABAX Consultoria.
A nova legislação reforça a importância de uma gestão tributária mais estratégica, baseada em análise contínua e capacidade de adaptação, diante de um cenário em que os benefícios fiscais passam a ter menor peso na composição dos resultados empresariais.
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