Com a moeda
americana em baixa, aporte exigido para vistos de investimento fica mais barato
em reais e antecipa decisões de quem planeja morar fora
A recente desvalorização do dólar frente ao real
abriu uma janela de oportunidade para brasileiros que planejam investir e morar
nos Estados Unidos. A queda da moeda americana reduz, na prática, o custo de
entrada em programas como o visto EB-5, voltado a investidores estrangeiros, e
tem levado parte desse público a antecipar decisões que antes eram adiadas pelo
câmbio.
O impacto é direto no bolso. O programa EB-5 exige
um investimento mínimo de US$ 800 mil em áreas prioritárias da economia
americana ou cerca de US$ 1,05 milhão em outras regiões, além da geração de
pelo menos dez empregos. Com a variação cambial, a diferença pode chegar a
centenas de milhares de reais no custo final do projeto.
Na prática, um investimento de US$ 800 mil, que em
um cenário de dólar a R$ 6 representaria cerca de R$ 4,8 milhões, passa a
custar aproximadamente R$ 4 milhões com a moeda na casa dos R$ 5. A diferença
de quase R$ 800 mil tem sido determinante para acelerar decisões.
Para Daniel
Toledo, advogado especializado em Direito Internacional e fundador da Toledo e Advogados Associados, o
movimento cambial funciona como gatilho estratégico. “O câmbio impacta
diretamente a tomada de decisão. Quando o dólar recua, o investidor brasileiro
ganha poder de compra internacional e isso pode antecipar planos de imigração
que estavam sendo postergados”, afirma.
O interesse por esse tipo de visto também acompanha
uma tendência global. Em 2023, o programa EB-5 registrou mais de 5 mil vistos
emitidos apenas na primeira metade do ano fiscal, um crescimento de 64% na
comparação anual. Para 2024, a expectativa é de mais de 22 mil vistos
disponíveis, impulsionados por ajustes regulatórios recentes.
Movimento acompanha busca por dolarização
A procura por investimentos no exterior não está
dissociada do cenário macroeconômico. Em momentos de volatilidade global,
ativos dolarizados tendem a ganhar protagonismo nas estratégias de
diversificação patrimonial. Ainda que o dólar apresente oscilações no curto
prazo, a moeda mantém histórico de valorização no longo prazo, especialmente em
períodos de incerteza.
Nesse contexto, investir nos Estados Unidos deixa
de ser apenas uma decisão de imigração e passa a ser também uma estratégia financeira.
Setores como mercado imobiliário, infraestrutura e agronegócio têm concentrado
parte relevante desses aportes, principalmente por sua capacidade de geração de
receita e empregos, exigência central do programa.
“O investidor precisa olhar para o projeto como um
negócio, não apenas como um meio de obter o Green Card. É fundamental que o
investimento seja sustentável, gere empregos e tenha viabilidade econômica”,
diz Toledo.
Segundo ele, fatores como localização, demanda e
estabilidade operacional são decisivos. No caso do agronegócio, por exemplo,
regiões com clima favorável ao longo de todo o ano tendem a oferecer menor
risco e maior previsibilidade de receita.
Janela pode ser curta
Apesar do momento favorável, especialistas alertam
que o cenário cambial é volátil e pode mudar rapidamente, dependendo de fatores
como política monetária dos Estados Unidos, juros globais e fluxo de capital
internacional.
Isso significa que a atual queda do dólar pode
representar uma oportunidade pontual, e não uma tendência estrutural. Para quem
já considerava investir fora do país, o timing passa a ser um elemento
relevante na equação.
“O câmbio ajuda, mas não deve ser o único fator. O
investidor precisa de planejamento, estrutura jurídica adequada e uma análise
criteriosa do projeto. Quando esses elementos estão alinhados, a variação
cambial se torna um diferencial competitivo importante”, afirma Toledo.
Com a combinação entre dólar mais barato, aumento na oferta de vistos e maior interesse por diversificação internacional, o investimento nos Estados Unidos tende a seguir no radar de brasileiros que buscam não apenas retorno financeiro, mas também mobilidade global e segurança patrimonial.
Daniel Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC. Toledo também possui um canal no YouTube com mais de 1 milhão de seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB Santos, professor honorário da Universidade Oxford - Reino Unido, consultor em protocolos diplomáticos do Instituto Americano de Diplomacia e Direitos Humanos USIDHR.
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