Semana
Mundial de Erros Inatos da Imunidade 22 a 29 de abril
“O
paciente não pode esperar” é o tema deste ano
Avanços recentes na incorporação de exames para diagnóstico de erros inatos da imunidade (EII)/imunodeficiências primárias pelo Ministério da Saúde representam um marco importante, no entanto, ainda há desafios relevantes, especialmente no acesso à imunoglobulina por via subcutânea no Sistema Único de Saúde (SUS).
De 22 a 29 de
abril acontece a Semana Mundial dos Erros Inatos da Imunidade e este ano o tema
trabalhado é “O paciente não pode esperar - apelo pelo
diagnóstico precoce, Tratamento Oportuno e Apoio às Imunodeficiências
Primárias”.
Embora haja
reconhecimento científico de que a imunoglobulina subcutânea e a venosa
são formas equivalentes de tratamento — diferindo apenas na via de
administração —, a incorporação da modalidade subcutânea ainda enfrenta resistência.
Para a Dra.
Ekaterini Goudouris, coordenadora do Departamento Científico de Erros
Inatos da Imunidade da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
(ASBAI), ampliar esse acesso é essencial para
garantir um cuidado mais adequado aos pacientes. “A imunoglobulina subcutânea
não é um tratamento diferente, mas uma forma de administração que traz
benefícios importantes. Ela permite maior autonomia, melhor tolerabilidade e é
especialmente indicada para crianças, pacientes com perdas proteicas e pessoas
que não conseguem permanecer longos períodos em infusão venosa, como é o caso
de pacientes do espectro autista”, afirma.
Outro ponto de
atenção é a desigualdade no acesso ao tratamento. Enquanto pacientes da rede
privada conseguem, em geral, obter a imunoglobulina subcutânea com maior
facilidade, usuários do SUS ainda enfrentam barreiras. “Não podemos manter um
cenário em que existem duas realidades de acesso à saúde no Brasil. É
fundamental garantir que todos os pacientes tenham acesso às melhores
opções terapêuticas disponíveis”, ressalta a especialista.
Diagnóstico
precoce -Além da questão terapêutica, há
preocupação com o diagnóstico tardio. Por serem pouco conhecidas até mesmo
pela classe médica, estima-se que de 70% a 90% dos pacientes com EII ainda não
foram diagnosticados. Muitos pacientes ainda não são encaminhados
para os imunologistas, especialmente em regiões do interior do país,
sendo direcionados a outras especialidades que nem sempre têm familiaridade com
essas doenças.
Outro ponto que
preocupa os imunologistas é a demora para implementar a Triagem Neonatal
Ampliada, conhecido como Teste do Pezinho Ampliado, para detectar a
imunodeficiência combinada grave (SCID). Em 2021, uma lei ampliou o Programa
Nacional de Triagem Neonatal, abrangendo muitas doenças.
“A contagem
dos TRECs, que permite identificar precocemente a SCID, faz parte da etapa
4 do processo de ampliação, cujo prazo termina este ano. No entanto,
apenas a cidade de São Paulo, o estado de Minas Gerais
e o Distrito Federal contam com essa triagem e não estamos vendo um
movimento nesse sentido em outros estados brasileiros. Além de poder mudar o
curso natural da doença e salvar vidas, a Triagem Neonatal Ampliada é uma
importante ferramenta de economia da saúde, pois evita altos custos com complicações,
internações e tratamentos onerosos”, explica Dra. Fátima Rodrigues Fernandes,
presidente da ASBAI.
“Ainda precisamos
avançar muito no reconhecimento dos sinais de alerta para os erros inatos da
imunidade. O diagnóstico precoce faz toda a diferença na evolução da
doença e na vida desses pacientes”, explica a Dra. Ekaterini, da
ASBAI.
Atenção aos 10 Sinais de Alerta Atualizados
1- História
familiar de erro inato da imunidade ou consanguinidade;
2- Infecções
com frequência aumentada para a faixa etária e/ou de curso prolongado ou não
esperado e/ ou por microrganismos não usuais ou oportunistas;
3 - Diarreia
crônica de início precoce;
4 - Quadros
alérgicos graves;
5- Eventos
adversos não usuais a vacinas atenuadas (BCG, febre amarela, rotavírus, tetra
viral);
6 -Características
sindrômicas;
7- Déficit do
crescimento;
8- Febre
recorrente ou persistente, sem identificação de agente infeccioso ou
malignidade;
9- Manifestações
precoces e/ou combinadas de autoimunidade, em especial citopenias ou
endocrinopatias;
10- Malignidades
precoces, incomuns e/ou recorrentes.
Dra. Ekaterini também destaca que a ampliação do acesso à telemedicina tem ajudado a reduzir barreiras geográficas. “Hoje, já contamos com centros de referência que oferecem suporte remoto, o que amplia o acesso ao especialista e reduz desigualdades regionais”, pontua a coordenadora da ASBAI.
ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
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