Cooperativismo de crédito reúne milhões de brasileiros e está em expansão no Brasil
Cooperativa de crédito não é banco. Embora ofereça
serviços semelhantes – como conta, cartão, crédito e investimentos – o
funcionamento é diferente. A principal distinção está no papel de quem utiliza
a instituição. Nos bancos, a pessoa é cliente. Nas cooperativas de crédito, é
cooperado. Isso significa que, além de usar os serviços, também participa como
dono do negócio com direito a votar nas decisões e a participar dos resultados.
No Brasil, esse modelo tem crescido de forma acelerada. As
cooperativas de crédito já reúnem mais de 20 milhões de cooperados, segundo o
Anuário Coop 2025, publicado pelo Sistema OCB, entidade que representa as
cooperativas brasileiras. Outro ponto importante é que as cooperativas seguem
princípios próprios, entre eles o interesse pela comunidade, que prevê o
compromisso com o desenvolvimento econômico e social das regiões onde atuam.
“Nenhuma outra forma de organização humana é tão eficiente
em pensar coletivamente e, ao mesmo tempo, valorizar o indivíduo como o
cooperativismo”, afirma Marcelo Vieira Martins, diretor executivo da Unicred
União e autor de livros sobre o tema. “É um modelo que gera prosperidade
coletiva, distribui os resultados de forma justa e garante a cada um a
liberdade de participar ou não”, acrescenta.
A seguir, três pontos que ajudam a entender como o modelo
funciona:
1. Distribuição de resultados
Nos bancos, o lucro é destinado aos acionistas. Nas
cooperativas, o resultado é distribuído aos cooperados. Esse valor é chamado de
sobras. A divisão costuma levar em conta a participação de cada cooperado no
uso de produtos e serviços ao longo do ano. Quem utiliza mais a cooperativa
tende a receber uma parcela maior.
2. Taxas e custos financeiros
Cooperativas operam sem objetivo de lucro para acionistas
ou investidores externos. Isso influencia a definição de taxas e tarifas. Um
estudo de 2024 do Banco Central indica que o custo do crédito nas cooperativas,
na média, é 6% menor do que em bancos tradicionais. Essa diferença é o chamado
custo indireto: o cooperado economiza ao pagar menos juros ou tarifas ao longo
do tempo. A redução dos custos financeiros explica boa parte do sucesso das
cooperativas.
3. Recursos fortalecem a economia local
As cooperativas seguem princípios universais válidos em
todo o mundo. Entre eles está o interesse pela comunidade, que orienta o
reinvestimento dos recursos nas regiões onde a cooperativa atua. Na prática,
isso significa que os valores captados tendem a retornar para a própria
comunidade, por meio de crédito para pessoas e empresas locais. Esse fluxo
ajuda a manter o dinheiro circulando na economia regional, contribuindo para a
geração de empregos e o desenvolvimento local.
Unicred União

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