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| Caroços ou ínguas (gânglios inchados) no pescoço estão entre os sintomas mais comuns da doença |
Neste
ano, 12.560 casos de linfoma não Hodgkin deverão ser diagnosticados1.
Trata-se de um câncer do sangue que surge quando um tipo de glóbulo branco se
multiplica de forma desordenada e se acumula nos gânglios linfáticos. É
classificado como agressivo ou indolente, de acordo com a progressão. Os
linfomas indolentes crescem lentamente, muitas vezes sem manifestações clínicas.
Segundo o protocolo, se forem diagnosticados em fases iniciais, devem ser
apenas monitorados. O tratamento ocorrerá caso haja evolução da doença
associada ou não a alguma sintomatologia.
“Os
linfomas não Hodgkin indolentes são muitas vezes incuráveis. Para manter a
qualidade de vida do paciente, são tratados quando se desenvolvem a ponto de
causar obstrução em uma estrutura do organismo, complicações clínicas ou dor. A
terapia visa manter a doença sob controle, proporcionando ao paciente uma longa
sobrevida sem a presença de sintomas”, explica o hematologista Eric Pena, da
Oncologia D’Or.
Os principais sinais da doença são o surgimento de caroços ou ínguas (gânglios inchados) na virilha, no pescoço e nas axilas, febre sem motivo no final do dia, suor noturno, perda de peso maior que 10% sem causa aparente e sensação de cansaço ou fraqueza.
Atualmente, o arsenal terapêutico para a doença é bastante amplo. Os médicos podem prescrever imunoterapias, sobretudo para tratar os linfomas mais comuns como o folicular, o linfocítico e o marginal.
A doença
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o linfoma não Hodgkin ocupa a
11ª posição entre os tumores mais incidentes no Brasil, sem considerar o câncer
de pele não melanoma. A doença afeta o sistema linfático — uma rede de pequenos
vasos e gânglios que integra os sistemas circulatório e imunológico. Sua função
é coletar e filtrar o líquido que se acumula nos tecidos, reconduzindo-o à
corrente sanguínea.
O linfoma não Hodgkin engloba mais de 60 diferentes neoplasias. O
subtipo indolente mais frequente é o folicular, cuja incidência é maior em
adultos na casa dos 50 e 60 anos, e, às vezes, atinge a medula óssea. O segundo
mais comum é o linfocítico, que ocorre principalmente entre os 60 e 70 anos. O terceiro
é o linfoma marginal, subtipo associado às mucosas, podendo acometer órgãos
como olhos, baço e estômago. Incide em adultos a partir dos 50 anos.
Quando paciente sem manifestação de sintomas é diagnosticado com a doença em
estágios iniciais, o protocolo recomenda apenas a observação ativa. “No começo,
a pessoa é submetida mensalmente a exames físicos e de sangue. Na ausência da
progressão do tumor, a realização dos exames é espaçada, podendo ocorrer a cada
trimestre e, posteriormente, duas vezes por ano”, observa o médico Eric Pena.
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| Os linfomas indolentes crescem lentamente. Se forem diagnosticados em fases iniciais, devem ser apenas monitorados. |
Fatores de risco
Segundo o INCA1, os principais fatores de risco incluem
condições que comprometem o sistema imune, como doenças hereditárias,
transplantes de órgãos, uso prolongado de drogas imunossupressoras, doenças
autoimunes ou infecção pelo HIV. Infecções pelo vírus Epstein-Barr e pelo vírus
linfotrópico de células T humanas do tipo 1, assim como pela bactéria Helicobacter
pylori, também estão associadas ao aumento de risco.
Estudos mostram que ter parentes de primeiro grau com linfoma não
Hodgkin aumenta o risco de desenvolver a doença. Os riscos ocupacionais e
ambientais estão associados à exposição a substâncias químicas (pesticidas,
benzeno), radiação ionizante e radiação ultravioleta1.
Não há exames de rastreio específico para esse tipo de câncer. O
acompanhamento médico regular favorece o diagnóstico precoce, porque muitas
vezes esses tumores são descobertos por acaso em exames de rotina ou para
apurar a origem de outras queixas.
Referência
- Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Instituto
Nacional de Câncer (INCA), Rio de Janeiro.


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