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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Mulheres vivem mais, mas ainda colocam a própria saúde em segundo plano

Ginecologista alerta: consciência feminina sobre saúde avançou, mas desafios como câncer de mama, doenças cardiovasculares e esgotamento mental seguem em alta entre elas 

 

No Dia Nacional da Mulher, comemorado em 30 de abril, os dados falam por si: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as brasileiras vivem, em média, 79,9 anos - 6,6 anos a mais do que os homens, cuja expectativa de vida é de 73,3 anos. Essa diferença, consolidada ao longo de décadas, não é apenas biológica, ela reflete, em grande parte, o comportamento mais preventivo e cuidadoso da mulher em relação à própria saúde. 

Para o Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, a data é um convite à reflexão e à ação. "A mulher brasileira avançou muito em consciência sobre saúde ao longo das últimas décadas. Ela busca mais o médico, adere melhor ao tratamento e se preocupa com prevenção. Mas ainda há um paradoxo: ela cuida de todos ao redor e, frequentemente, deixa de ser prioridade na correria do dia a dia."

 

O paradoxo do autocuidado 

Historicamente, as mulheres são as maiores usuárias dos serviços de saúde e as principais responsáveis pela saúde das famílias. Essa postura mais ativa contribui diretamente para a maior longevidade feminina. Segundo projeções do IBGE, em 2025 a expectativa de vida das mulheres deve chegar a 80,1 anos, enquanto a dos homens ficará em 73,5 anos. A diferença entre eles tende a diminuir gradualmente nas próximas décadas, mas segue expressiva. 

Mesmo sendo mais cuidadosas que os homens, muitas mulheres adiam consultas, ignoram sintomas e colocam as próprias necessidades em segundo plano, especialmente após a maternidade ou em fases de maior sobrecarga profissional e familiar. 

"Muitas pacientes chegam ao consultório tardiamente, não por descuido, mas por excesso de responsabilidades. A mulher contemporânea acumula papéis: mãe, profissional, cuidadora. Quando algo a incomoda, ela adia porque acha que não pode parar. Esse adiamento tem um custo para a saúde", afirma o Dr. Alexandre Rossi.

 

Consultas preventivas: o pilar da longevidade feminina 

O acompanhamento ginecológico regular é um dos principais pilares da saúde da mulher ao longo de toda a vida. Especialistas recomendam consultas anuais a partir do início da vida sexual, incluindo exames como o Papanicolau, que é essencial para a detecção precoce do câncer de colo do útero, ultrassom pélvico, avaliação hormonal e, a partir dos 40 anos, a mamografia. 

O Dr. Alexandre Rossi reforça que a ausência de sintomas não significa ausência de problemas. "Diversas condições que afetam a saúde da mulher, como miomas, endometriose, alterações hormonais e lesões precursoras de câncer, evoluem silenciosamente por anos. A consulta regular não é um luxo, é o que permite identificar e tratar essas condições antes que se tornem um problema sério."

 

Novos desafios da saúde feminina 

Se por um lado a mulher avança em longevidade, por outro enfrenta desafios crescentes que exigem atenção médica e políticas públicas mais robustas. O câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 73.610 novos casos em 2025, o equivalente a mais de 200 diagnósticos por dia. A doença responde por aproximadamente 30% de todos os novos casos de câncer feminino diagnosticados anualmente. A boa notícia é que, detectado precocemente, a taxa de sobrevida em 5 anos pode chegar a 93% a 100%.

 

Saúde mental em colapso 

Em 2024, o Brasil registrou mais de 400 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número já registrado na história, com aumento de 68% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Previdência Social. As mulheres representam 64% dos afastamentos. Ansiedade e depressão lideram os diagnósticos.

 

Cuidar de si não é egoísmo 

O Dr. Alexandre Rossi destaca uma mensagem direta às mulheres: "Cuidar de si mesma não é egoísmo, é responsabilidade. A mulher que se mantém saudável cuida melhor de todos ao seu redor. No Dia Nacional da Mulher, o presente mais valioso que ela pode dar a si mesma é manter as consultas periódicas em dia."


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