Ginecologista alerta: consciência feminina sobre saúde avançou, mas desafios como câncer de mama, doenças cardiovasculares e esgotamento mental seguem em alta entre elas
No Dia Nacional da Mulher, comemorado em 30 de abril, os dados falam por si: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as brasileiras vivem, em média, 79,9 anos - 6,6 anos a mais do que os homens, cuja expectativa de vida é de 73,3 anos. Essa diferença, consolidada ao longo de décadas, não é apenas biológica, ela reflete, em grande parte, o comportamento mais preventivo e cuidadoso da mulher em relação à própria saúde.
Para o
Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia
Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, a data é
um convite à reflexão e à ação. "A mulher brasileira avançou muito em
consciência sobre saúde ao longo das últimas décadas. Ela busca mais o médico,
adere melhor ao tratamento e se preocupa com prevenção. Mas ainda há um
paradoxo: ela cuida de todos ao redor e, frequentemente, deixa de ser
prioridade na correria do dia a dia."
O paradoxo do autocuidado
Historicamente, as mulheres são as maiores usuárias dos serviços de saúde e as principais responsáveis pela saúde das famílias. Essa postura mais ativa contribui diretamente para a maior longevidade feminina. Segundo projeções do IBGE, em 2025 a expectativa de vida das mulheres deve chegar a 80,1 anos, enquanto a dos homens ficará em 73,5 anos. A diferença entre eles tende a diminuir gradualmente nas próximas décadas, mas segue expressiva.
Mesmo sendo mais cuidadosas que os homens, muitas mulheres adiam consultas, ignoram sintomas e colocam as próprias necessidades em segundo plano, especialmente após a maternidade ou em fases de maior sobrecarga profissional e familiar.
"Muitas
pacientes chegam ao consultório tardiamente, não por descuido, mas por excesso
de responsabilidades. A mulher contemporânea acumula papéis: mãe, profissional,
cuidadora. Quando algo a incomoda, ela adia porque acha que não pode parar.
Esse adiamento tem um custo para a saúde", afirma o Dr. Alexandre Rossi.
Consultas preventivas: o pilar da longevidade feminina
O acompanhamento ginecológico regular é um dos principais pilares da saúde da mulher ao longo de toda a vida. Especialistas recomendam consultas anuais a partir do início da vida sexual, incluindo exames como o Papanicolau, que é essencial para a detecção precoce do câncer de colo do útero, ultrassom pélvico, avaliação hormonal e, a partir dos 40 anos, a mamografia.
O Dr.
Alexandre Rossi reforça que a ausência de sintomas não significa ausência de
problemas. "Diversas condições que afetam a saúde da mulher, como miomas,
endometriose, alterações hormonais e lesões precursoras de câncer, evoluem
silenciosamente por anos. A consulta regular não é um luxo, é o que permite
identificar e tratar essas condições antes que se tornem um problema
sério."
Novos desafios da saúde feminina
Se por
um lado a mulher avança em longevidade, por outro enfrenta desafios crescentes
que exigem atenção médica e políticas públicas mais robustas. O câncer de mama
é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil. Segundo o
Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 73.610
novos casos em 2025, o equivalente a mais de 200 diagnósticos por dia. A doença
responde por aproximadamente 30% de todos os novos casos de câncer feminino
diagnosticados anualmente. A boa notícia é que, detectado precocemente, a taxa
de sobrevida em 5 anos pode chegar a 93% a 100%.
Saúde mental em colapso
Em
2024, o Brasil registrou mais de 400 mil afastamentos do trabalho por
transtornos mentais, o maior número já registrado na história, com aumento de
68% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Previdência Social. As
mulheres representam 64% dos afastamentos. Ansiedade e depressão lideram os
diagnósticos.
Cuidar de si não é egoísmo
O Dr.
Alexandre Rossi destaca uma mensagem direta às mulheres: "Cuidar de si mesma
não é egoísmo, é responsabilidade. A mulher que se mantém saudável cuida melhor
de todos ao seu redor. No Dia Nacional da Mulher, o presente mais valioso que
ela pode dar a si mesma é manter as consultas periódicas em dia."
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