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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Bronquiolite em bebês: Confira 9 orientações

 A bronquiolite é a principal causa de internações por problemas respiratórios em crianças menores de um ano no Brasil

 

A bronquiolite é uma das doenças respiratórias mais comuns em bebês e crianças pequenas e em períodos de surto. Em períodos de maior circulação viral, é natural que surjam dúvidas: O que é bronquiolite? Como ela se transmite? Quando procurar atendimento?

Para ajudar, o pediatra Luís Roberto de Castro Martins Bonilha, do dr.consulta, explica sobre a rotina de cuidado, o que significa, sinais de alerta e quando buscar atendimento. Confira:



1 - O que é bronquiolite?

A bronquiolite é uma infecção viral que inflama os bronquíolos, os canais de ar mais finos do pulmão. Essa inflamação estreita as vias aéreas, aumenta a produção de secreção e dificulta a passagem do ar, o que explica a tosse, o chiado e o esforço para respirar. A doença afeta principalmente bebês e crianças de até 2 anos.

Em bebês muito pequenos, a atenção deve ser redobrada: a reserva respiratória é menor e a desidratação pode ocorrer rapidamente por causa da dificuldade de mamar. Na maioria dos casos, a bronquiolite é autolimitada ou seja, melhora sozinha com os cuidados corretos. Mas o acompanhamento adequado faz toda a diferença, especialmente em grupos de risco.



2 - Bronquiolite viral aguda: o que significa?

A bronquiolite viral aguda é a forma mais comum da doença. O principal agente causador é o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), responsável pela maioria dos casos especialmente no outono e inverno, quando as condições climáticas favorecem a circulação do vírus. Outros vírus respiratórios também podem causar bronquiolite, mas o VSR é o mais associado aos surtos sazonais.



3 - Por que acontecem surtos de bronquiolite?

Os surtos ocorrem quando as condições favorecem a transmissão ao mesmo tempo: clima frio, ambientes fechados, menor ventilação e maior convivência em creches. Essa combinação permite que o vírus circule rapidamente entre contatos próximos, ampliando o número de casos em pouco tempo.



4 - Como o vírus se transmite?

A transmissão acontece por gotículas respiratórias (ao falar, tossir ou espirrar) e por contato com superfícies contaminadas. Mãos, brinquedos, chupetas e maçanetas podem servir de ponte entre uma pessoa infectada e outra suscetível.



Quem tem mais risco de complicações?

- Bebês com menos de 6 meses;
- Prematuros;
-Crianças com cardiopatias ou doenças pulmonares crônicas;
- Crianças imunossuprimidas.

Nesses grupos, a avaliação médica precoce é recomendada mesmo diante de sintomas leves.



4 - Quais são os sintomas da bronquiolite?

A bronquiolite começa como um resfriado comum: coriza e febre baixa. Em 1 a 3 dias, os sintomas podem evoluir para:

- Tosse mais intensa;
- Chiado no peito;
- Esforço para respirar;
- Queda no apetite;
- Sono fragmentado.

A evolução varia de criança para criança. Por isso, observar o padrão de respiração e a hidratação do bebê é essencial.



5 - Sinais de alerta: quando ir ao pronto-socorro

Alguns sinais indicam dificuldade respiratória grave ou risco de desidratação. Não espere: vá ao pronto-atendimento se o bebê apresentar:

- Respiração acelerada e trabalhosa;
- Batimento de asa do nariz;
- Retrações entre as costelas ao respirar;
- Lábios ou pontas dos dedos arroxeados;
- Gemência ou choro fraco com muito cansaço;
- Sonolência incomum ou apatia;
- Recusa alimentar importante ou dificuldade para mamar;
- Pausas respiratórias (em lactentes pequenos);
- Vômitos repetidos;
- Redução importante de urina



6 - O que fazer em casa durante a bronquiolite

Para casos leves, o cuidado em casa foca em conforto e hidratação:

- Ofereça líquidos com mais frequência, respeitando pausas quando o bebê se cansar;
- Higienize o nariz com solução salina conforme orientação médica;
- Mantenha o ambiente arejado e livre de fumaça;
- Deixe o bebê dormir com o tronco levemente elevado para melhorar o conforto respiratório;
- Evite automedicação — antibióticos não funcionam para bronquiolite, pois a causa é viral



7 - Bronquiolite obliterante: o que é?

A bronquiolite obliterante é uma forma rara e grave da doença, em que o tecido cicatricial obstrui permanentemente os bronquíolos. Diferente da bronquiolite viral aguda comum, ela pode deixar sequelas respiratórias duradouras e exige acompanhamento especializado com pneumologista pediátrico.



8 - Como prevenir a bronquiolite durante o surto?

- Lave as mãos com frequência e use álcool gel quando não houver pia;
- Limpe brinquedos, chupetas e superfícies de uso compartilhado;
- Evite levar o bebê a ambientes fechados e cheios de gente em períodos de surto;
- Se um cuidador estiver resfriado, use máscara durante os cuidados de proximidade;
- Mantenha o ambiente arejado e livre de fumaça de cigarro;
- Converse com o pediatra sobre a decisão de manter ou afastar o bebê da creche.



9 - Vacinas

A vacinação materna contra o Vírus Sincicial Respiratório durante a gestação pode proteger o bebê nos primeiros meses de vida. Seguir o calendário vacinal (como influenza) ajuda a reduzir infecções respiratórias associadas.

Para grupos de risco, existem anticorpos monoclonais:

- Palivizumabe, indicado para prematuros e cardiopatas;
- Nirsevimabe, proteção mais prolongada e já utilizado em alguns países e em expansão.

Essas estratégias não tratam a doença, mas ajudam a prevenir formas graves.


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