Doença crônica que atinge o tecido adiposo das pernas ganha novos protocolos em 2026; especialista detalha como a combinação de medicação anti-inflamatória e dieta específica reduz o edema e a gordura resistente característica da condição.
O lipedema, condição crônica que afeta principalmente mulheres e se manifesta pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas, afeta cerca de 11% das mulheres em todo o mundo, segundo dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Em 2026, novas abordagens clínicas começam a ganhar força ao ir além da balança, integrando medicamentos de ação metabólica e estratégias nutricionais específicas para controlar dor, inflamação e progressão da doença, fatores que impactam diretamente a qualidade de vida das pacientes.
Diferente da obesidade comum, o lipedema envolve um processo inflamatório persistente no tecido adiposo, associado a sensibilidade ao toque, inchaço e dificuldade de resposta a dietas convencionais. Nesse cenário, o uso de medicamentos como o Mounjaro (tirzepatida), inicialmente indicado para controle glicêmico, passa a ser observado também pelo seu potencial anti-inflamatório e regulador metabólico, abrindo novas possibilidades terapêuticas.
“O tratamento não pode ser limitado à perda de peso. O lipedema exige uma abordagem que considere inflamação, retenção de líquido e resistência metabólica. Quando conseguimos atuar nesses três pilares, o resultado vai muito além da estética”, explica o médico nutrólogo Dr. Lailson Ambrósio. Segundo ele, a tirzepatida contribui não apenas para a redução de gordura, mas também para a modulação de marcadores inflamatórios que estão diretamente ligados à dor relatada pelas pacientes.
A estratégia nutricional, nesse contexto, deixa de ser coadjuvante e passa a ter papel central. Protocolos alimentares com perfil anti-inflamatório, ricos em compostos bioativos e antioxidantes, alinhados a bom controle de carboidratos refinados e foco em gorduras de boa qualidade, ajudam a reduzir o edema e melhorar a sensibilidade dos tecidos. “Quando ajustamos a alimentação de forma personalizada, conseguimos diminuir o inchaço e melhorar a resposta ao tratamento medicamentoso. É uma construção conjunta”, afirma.
Outro ponto relevante é a individualização do cuidado. O especialista destaca que nem todas as pacientes respondem da mesma forma, e que fatores hormonais, histórico clínico e grau do lipedema influenciam diretamente na escolha do protocolo. “Não existe fórmula pronta. O que existe é acompanhamento próximo, ajuste contínuo e entendimento do corpo daquela paciente. Isso muda completamente a evolução do quadro”, diz.
Com a combinação entre medicação e nutrição direcionada, pacientes têm apresentado melhora significativa não apenas na redução do volume das pernas, mas principalmente na diminuição da dor, um dos sintomas mais incapacitantes da doença. A tendência para os próximos anos é que esses protocolos se tornem cada vez mais refinados, trazendo uma abordagem mais completa e menos frustrante para quem convive com o lipedema.
Fonte: Dr Lailson Ambrósio - Médico Nutrólogo
@drlailsonambrosio | https://drlailsonambrosio.com.br/
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