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terça-feira, 28 de abril de 2026

Do roxo ao cinza: conheça a inteligência por trás das cores dos tubos de exame de sangue


Para quem precisa encarar a agulha em um laboratório de medicina diagnóstica, a cena é rotineira: o profissional de saúde organiza uma série de pequenos tubos com tampas de cores diferentes: roxo, vermelho, amarelo, cinza e azul. Longe de ser uma escolha estética ou aleatória, essa paleta de tons esconde uma engenharia química rigorosa, essencial para a precisão do diagnóstico. 

De acordo com a dra. Maria Helane Gurgel, endocrinologista e diretora médica dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, cada cor de tampa indica um aditivo específico dentro do tubo, preparado para preservar o sangue da maneira exigida pelo teste. 

“O sangue é como um tecido vivo e supersensível. Assim que sai do corpo, ele começa a mudar quimicamente. Para medir a glicose com exatidão, usamos aditivos que impedem as células de ‘consumir’ o açúcar. Já para o hemograma (exame das células do sangue), evitamos que ele coagule. Esses aditivos previnem erros na coleta, que causam 60%-70% dos problemas em exames laboratoriais (dados do CLSI). As cores das tampas formam um código simples e universal, garantindo que o reagente certo chegue à amostra certa, sem erros ou complicações”, explica a médica. 

Cada tonalidade é um guia rápido para a equipe técnica. Sheila Argolo, gerente do Núcleo Técnico-Operacional (NTO) da Dasa no Rio de Janeiro, detalha as funções mais comuns:

  • Tampa roxa – contém EDTA, um anticoagulante que preserva a forma das células, ideal para o hemograma.
     
  • Tampa vermelha ou amarela – possui ativadores de coágulo para separar o soro; é usada em testes de sorologia e bioquímica.
     
  • Tampa azul – contém citrato de sódio, essencial para testes de coagulação.
     
  • Tampa cinza – possui fluoreto de sódio, que “conserva” o nível de açúcar para exames de glicemia.

“A precisão começa antes mesmo da análise nas máquinas. Se o sangue for colhido no tubo errado, a reação química é comprometida, e o resultado pode ser alterado. Por isso, a padronização visual é uma das etapas mais importantes da segurança do paciente”, afirma Sheila Argolo. 

De acordo com a 10ª edição do Panorama da Saúde Suplementar¹, publicada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no final do ano passado, o setor atingiu a marca histórica de 53,2 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares. 

Os exames laboratoriais e de imagem continuam a ser a porta de entrada e o principal volume do setor, representando cerca de 60% de todos os procedimentos realizados na saúde suplementar. Só em 2024, segundo a 7ª edição do Painel Abramed², foram realizados mais de 970 milhões de exames de análises clínicas, um crescimento 17,3%. 

Esse aumento na demanda reforça a importância da eficiência operacional nos laboratórios. “Com mais de 53 milhões de pessoas utilizando o sistema suplementar, a precisão na coleta e no processamento dessas amostras, simbolizada pelas cores dos nossos tubos, é o que garante a sustentabilidade, a segurança operacional e a confiança em todo o ciclo de cuidado”, finaliza Maria Helane Gurgel.

 

Referências

¹10ª edição do Panorama da Saúde Suplementar. Disponível em: Link

² 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico. Disponível em: Link

 

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