Pesquisa aponta
que maioria dos empreendedores já utiliza plataformas digitais como canal
central de comercialização
Instagram, whatsapp e marketplaces se consolidaram,
ao longo de 2024 e início de 2025, como principais canais de vendas para
pequenos negócios no Brasil, impulsionados pela digitalização do consumo, pelo
uso massivo de smartphones e pela busca por canais diretos de relacionamento. O
movimento ocorre em todo o país e reflete uma mudança estrutural na forma como
micro e pequenas empresas geram receita, atendem clientes e escalam
operações.
Para a educadora e empreendedora digital Sabrina Nunes, especialista em comércio
eletrônico e fundadora da marca de acessórios Francisca Joias, a
consolidação das redes como canal principal não é apenas resultado de
tendência, mas de adaptação estratégica. “O pequeno negócio percebeu que vender
pelas redes reduz custo fixo, aproxima o cliente e encurta o caminho entre
interesse e pagamento. Hoje, a rede social não é vitrine, é ponto de venda”,
afirma.
O avanço é acompanhado pelo comportamento dos
próprios empresários, na edição mais recente da pesquisa pulso dos pequenos
negócios, realizada pelo Sebrae, 72% dos pequenos empreendedores afirmaram
utilizar redes sociais como principal ferramenta de divulgação e vendas. O
levantamento mostra ainda que instagram e whatsApp lideram como canais de
relacionamento com clientes, superando, em muitos casos, o site próprio como
meio inicial de contato comercial.
Do lado do consumidor, a compra dentro das
plataformas já é prática recorrente. Na edição mais recente da pesquisa Social
Commerce, realizada pela Opinion Box em parceria com a All iN, 74% dos
consumidores brasileiros afirmaram já ter realizado compras diretamente pelas
redes sociais. O Instagram aparece como a plataforma mais utilizada para esse
tipo de transação, seguido por Facebook e WhatsApp.
A especialista avalia que a confiança construída
por meio de conteúdo e interação direta tem peso decisivo. “O cliente acompanha
a rotina da marca, vê avaliações, tira dúvidas no direct e decide ali mesmo.
Isso cria uma jornada mais curta e mais personalizada”, diz.
A integração entre redes sociais e comércio
eletrônico também reforça essa dinâmica, a conexão entre conteúdos nas redes e
links de pagamento ou marketplaces tem facilitado a conversão. “Muitos pequenos
negócios usam a rede para gerar demanda e direcionam para checkout
simplificado. A venda acontece dentro ou fora da plataforma, mas começa quase
sempre ali”, afirma Sabrina.
O alcance contínuo das plataformas amplia ainda o
potencial de fidelização. A recorrência de acesso favorece estratégias de
recompra e relacionamento direto. “Quem mantém presença consistente nas redes
transforma seguidores em clientes recorrentes. O canal deixa de ser apenas
aquisição e passa a ser retenção”, conclui a especialista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário