Especialista da FEBRASGO alerta: Norte
e Nordeste ainda enfrentam carência de mamógrafos e barreiras geográficas
dificultam a prevenção
A possibilidade de
realizar mamografia a partir dos 40 anos sem necessidade de justificativa
médica representa um avanço importante no rastreamento do câncer de mama no
Brasil. A mudança amplia o acesso ao exame, reduz barreiras burocráticas e abre
caminho para uma abordagem mais individualizada, capaz de considerar o risco de
cada mulher. Ainda assim, o benefício não chega da mesma forma a todo o país: a
distribuição desigual de mamógrafos e as dificuldades de acesso em regiões mais
remotas seguem como entraves para o diagnóstico precoce.
Segundo a ginecologista
Dra. Hilka Flavia Barra do Espirito Santo Alves Pereira, vice-presidente
da Região Norte da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia, a
ampliação da faixa etária traz um ganho relevante para a assistência. “A
paciente, ao completar 40 anos, pode fazer a mamografia sem nenhuma
justificativa. No passado, o médico que solicitava o exame precisava justificar
a indicação e isso acabava sendo um fator limitador. Com essa ampliação
conseguimos também personalizar melhor esse atendimento e esse rastreio”,
afirma.
Ela ressalta que
quando as mulheres faziam mamografia apenas a partir dos 50 anos, cerca de 30%
a 40% de tumores eram deixados de ser diagnosticados na faixa etária entre 40 a
50 anos. “Ao revisarmos a mamografia a partir dos 40, poderemos diminuir, ou
pelo menos fazer o diagnóstico mais precoce, em mulheres entre 40 e 50 anos que
ficavam num vácuo, sem o rastreio, apesar de ter um incidência elevada dessa
população, nessa faixa etária”.
A mamografia
segue sendo o padrão-ouro para o rastreamento do câncer de
mama. No entanto, a especialista ressalta que o método não deve ser visto de
forma isolada em todas as situações. Em mulheres com mamas
densas, por exemplo, a ultrassonografia pode ser associada para aumentar a
sensibilidade da avaliação. Em alguns casos, a ressonância magnética também
pode ser indicada, especialmente quando há necessidade de investigação
complementar ou rastreamento diferenciado.
A discussão sobre
rastreamento, porém, esbarra em um problema estrutural: a concentração dos
equipamentos nas regiões Sul e Sudeste. No Norte e no Nordeste, os mamógrafos são menos
numerosos e costumam ficar restritos a áreas estratégicas, o que dificulta o
acesso de muitas pacientes. No Amazonas, por exemplo, a
escassez é ainda mais evidente no interior. A geografia da região agrava esse
cenário, já que grande parte dos deslocamentos depende de rios, e não de
estradas, tornando o rastreamento mais difícil para mulheres que vivem longe
dos centros urbanos. Na avaliação da médica, esse contexto cria um vazio
assistencial para parte da população feminina, justamente em
uma etapa decisiva para o controle da doença.
“O que há de novo
no rastreamento do câncer de mama no Brasil?” será tema de aula da Dra. Hilka
durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e
Obstetrícia, que acontece em maio, em Belo
Horizonte (MG). Na ocasião, ela vai abordar que além de ampliar o acesso ao
exame, é fundamental avançar na personalização do rastreamento.
A proposta é identificar quais mulheres se enquadram em risco habitual e quais
têm alto risco para câncer de mama, permitindo definir frequência e método mais
adequados para cada caso.
Para as pacientes
de alto risco, ela propõe que o acompanhamento deva ser diferenciado e mais
rigoroso. Isso inclui definir não apenas quando iniciar o rastreamento, mas
também quais exames devem ser utilizados e com que periodicidade. A
personalização, segundo a especialista, é um passo importante para tornar a
prevenção mais efetiva e compatível com a realidade clínica de cada mulher.
Outro desafio a
ser discutido é a necessidade de o Brasil avançar de um modelo de rastreamento
oportunístico — quando o exame depende da iniciativa individual ou da consulta
médica eventual — para um modelo organizado. Nesse formato, o próprio
sistema de saúde assume a responsabilidade de convocar as pacientes,
acompanhar resultados, fazer o recall quando necessário e monitorar todo o
processo de rastreamento.
“Precisamos
caminhar para um modelo de rastreamento organizado, em que o Estado assuma a
responsabilidade pelo chamamento, pelo controle e pelo acompanhamento dessas
pacientes. Esse é um passo fundamental para tornar a prevenção mais eficiente e
mais justa”, destaca a Dra. Hilka.
A expectativa, de
acordo com a especialista, é que esse modelo mais estruturado possa se tornar
realidade em breve. Enquanto isso, a ampliação da mamografia a partir dos 40
anos já representa um avanço importante, desde que venha acompanhada de
políticas capazes de reduzir desigualdades regionais e garantir acesso real ao
diagnóstico precoce.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026
#CBGO2026
Data: 27 a
30 de maio de 2026
Local:
Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e
Obstetrícia -FEBRASGO
https://www.febrasgo.org.br/pt/
@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial
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