Usada diariamente em salas de aula, reuniões, áudios e interações digitais, a
voz costuma ser tratada como automática - até começar a falhar. Com o gancho do
Dia Mundial da Voz, celebrado em 16 de abril, especialistas chamam atenção para
sinais comuns que muita gente ignora, mas que podem indicar problemas mais
sérios.
De acordo com
estudos publicados na plataforma SciELO, mais de 50% dos professores relatam
episódios de rouquidão. Sintomas como cansaço ao falar (53,9%) e garganta seca
(cerca de 30%) também são frequentes, reforçando o impacto do uso inadequado da
voz.
Segundo Isabela
Poli, professora de Fonoaudiologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), o
problema pode evoluir de forma silenciosa:
“O uso inadequado
da voz gera microtraumas repetitivos nas pregas vocais, levando a um processo
inflamatório progressivo. Alguns sinais podem ser percebidos, como, falhas na
voz, excesso de pigarro e uma rouquidão que vai piorando, que significa que
algo está acontecendo. Com o tempo, podem surgir alterações nas pregas vocais,
como espessamentos, nódulos ou algo mais difícil de ser tratado, e que podem
dificultar uma recuperação espontânea.
Os sinais de
alerta para problemas na voz
1. Rouquidão persistente, que dura mais que alguns
dias ou piora ao longo do tempo;
2. Cansaço ao falar no fim do dia ou da semana, e
sensação de que precisa fazer esforço para a voz sair com boa qualidade;
3. Garganta seca, tosse ou pigarros frequentes,
principalmente depois de atividade vocal intensa;
4. Ardência, dor ao falar ou sensação de corpo
estranho na garganta;
5. Falhas na voz sem motivo aparente durante a fala;
6. Mudanças na qualidade da voz, como voz mais grave,
fraca ou instável sem motivo aparente;
7. Perda total da voz, que pode acontecer depois de
um grito forte ou abalos emocionais.
Impactos que
vão além do incômodo
As chamadas
disfonias ou alterações vocais, embora geralmente reversíveis, podem afetar
diretamente a rotina profissional - especialmente de quem depende da fala, como
professores, atendentes, cantores e até criadores de conteúdo.
Além do uso
inadequado, outros fatores podem agravar o quadro, como estresse, refluxo
gastroesofágico e exposição a ambientes secos ou poluídos.
Quando
procurar ajuda?
A recomendação é
clara: sintomas como rouquidão, dor ao falar ou alterações vocais que persistem
por mais de uma semana devem ser avaliados por um especialista: O
otorrinolaringologista fará uma avaliação das condições da laringe e pregas
vocais e poderá indicar medicamentos para melhorar a origem do problema e o
fonoaudiólogo será indicado para tratar as alterações vocais e para melhorar o
comportamento vocal profissional ou no dia a dia.

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