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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Internações por gripe avançam e reforçam alerta para vacinação de idosos

 Com aumento de casos antes do inverno, SBGG reforça a importância da imunização para reduzir complicações e preservar a autonomia

 

O aumento de internações por gripe no Brasil tem acendido um alerta entre os especialistas, especialmente em relação à população idosa, grupo que concentra as maiores taxas de complicações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Com a circulação mais intensa de vírus respiratórios antes mesmo do inverno, a vacinação passa a ser ainda mais urgente. 

É nesse contexto que a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) reforça: “O outono já começou e o inverno se aproxima, por isso é fundamental reforçar a prevenção contra vírus respiratórios”, afirma a geriatra Dra. Maisa Kairalla, presidente da Comissão de Imunização da SBGG. 

Entre as principais ameaças para a população idosa estão COVID-19, Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), infecções pneumocócicas e coqueluche. “O VSR ainda é pouco conhecido entre adultos, mas pode causar quadros graves, principalmente em pessoas idosas com doenças pulmonares ou cardíacas. Precisamos lembrar também da pneumonia bacteriana, que é prevenível por meio de vacina e pode levar à hospitalização e ao óbito”, explica a especialista. 

Segundo a médica, o envelhecimento do sistema imunológico, processo conhecido como imunossenescência, reduz a capacidade de resposta do organismo às infecções. “Isso significa que a pessoa idosa não apenas tem maior risco de adoecer, mas também maior probabilidade de evoluir com complicações. É nessa população, especialmente entre os maiores de 60 anos e aqueles com comorbidades como diabetes, doenças cardiovasculares ou pulmonares, que se instalam os quadros mais graves, com necessidade de UTI, ventilação mecânica e risco de infecções secundárias.” 

O impacto vai além da fase aguda. Uma infecção respiratória pode desencadear um efeito cascata na saúde. “Durante uma internação, o paciente pode ficar acamado, perder massa muscular e funcionalidade. Muitas vezes há descompensação de doenças crônicas já existentes. Em alguns casos é necessária intubação, o que pode gerar outras complicações. Nem sempre a pessoa idosa retorna ao seu nível de autonomia anterior”, ressalta Maisa.
 

Quem convive também precisa se vacinar 

Outro ponto destacado é a importância da chamada proteção indireta. “Cuidadores, familiares e pessoas que convivem com idosos devem manter a carteira vacinal atualizada. Crianças, por exemplo, transmitem muitas infecções aos avós. Quanto maior a cobertura vacinal ao redor da pessoa idosa, menor o risco de exposição”, orienta. 

A Semana de Imunização, celebrada entre os dias 25 de abril e 1º de maio, reforça a importância da vacinação como uma das principais estratégias de saúde pública para prevenção de doenças, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, como a população idosa. 

Apesar da tradição brasileira em campanhas de imunização, a cobertura vacinal tem apresentado queda nos últimos anos. Para a SBGG, resgatar a cultura da prevenção é fundamental para reduzir internações evitáveis, preservar autonomia e contribuir para um envelhecimento com mais qualidade de vida.

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG


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