A gestação é um
período que requer cuidados especiais com a saúde da mulher e do bebê. De
acordo com o ginecologista e obstetra Dr. Renato Teixeira Souza, membro da
Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia
e Obstetrícia (FEBRASGO), diversos fatores podem contribuir para uma gestação de
maior risco, incluindo doenças pré-existentes e condições que surgem ao longo
da gravidez. “Problemas de saúde como hipertensão, diabetes, doenças
tireoidianas, cardíacas, renais, asma e doenças autoimunes podem interferir
diretamente na evolução da gestação. Por isso, é fundamental que o histórico de
saúde da mulher seja cuidadosamente avaliado ainda no planejamento
gestacional”, explica.
Além das condições
clínicas, hábitos de vida também desempenham papel importante. Tabagismo,
sedentarismo, alimentação inadequada, estresse e sobrecarga física ou emocional
são fatores que podem aumentar o risco gestacional e devem ser identificados e,
sempre que possível, modificados antes mesmo da gravidez.
Entre as principais
doenças associadas à gestação de alto risco estão o diabetes e a hipertensão
arterial. Essas condições provocam alterações no organismo
materno que podem comprometer a circulação placentária (responsável pela
passagem de oxigênio e nutrientes para o bebê) e afetar o ambiente
intrauterino. “Quando não controladas, essas doenças podem desencadear uma
série de complicações, tanto para a mãe quanto para o feto”, alerta o
especialista.
No caso do
diabetes, os riscos incluem pré-eclâmpsia, parto prematuro, crescimento fetal
excessivo (macrossomia), malformações congênitas, especialmente cardíacas, além
de complicações neonatais como hipoglicemia, desconforto respiratório e
necessidade de internação em unidade de terapia intensiva. Já a hipertensão
está associada a complicações como descolamento prematuro da placenta,
restrição de crescimento fetal, baixo peso ao nascer, parto prematuro,
hemorragia pós-parto e aumento do risco de cesariana.
A obesidade
também é considerada um importante fator de risco na gestação. Atualmente, uma
parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva apresenta excesso de
peso, condição que está frequentemente associada a hábitos de vida inadequados
e a doenças metabólicas. Nesses casos, o planejamento da gravidez quando a
saúde está mais equilibrada - aliado a acompanhamento médico, alimentação
adequada e prática de atividade física - é essencial para reduzir possíveis
complicações.
Outro
ponto de atenção são as doenças respiratórias, como a asma. Quando não controlada, a condição pode aumentar o risco de
pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e restrição de crescimento
fetal, além de complicações neonatais. “O controle adequado da asma durante a
gestação é fundamental. A interrupção do tratamento pode trazer mais riscos do que
a sua continuidade, por isso o acompanhamento médico deve ser mantido desde o
início do pré-natal”, orienta o médico.
Nestes casos, o
pré-natal de alto risco torna-se indispensável. O acompanhamento inclui
consultas mais frequentes, exames específicos e, muitas vezes, a atuação de uma
equipe multidisciplinar para garantir o melhor cuidado possível. Medidas como
controle rigoroso da pressão arterial, monitoramento da glicemia e uso de
medicações quando indicadas são fundamentais para reduzir complicações.
Com diagnóstico
precoce, orientação adequada e adesão ao tratamento, é possível conduzir uma
gestação de alto risco de forma mais segura. O cuidado contínuo e
individualizado é o principal aliado para proteger a saúde da mãe e promover o
desenvolvimento saudável do bebê.
“Gestação de Alto Risco: o que o obstetra precisa saber” é tema do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026
#CBGO2026
Data: 27 a
30 de maio de 2026
Local:
Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais
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