Em um mundo cada vez mais acelerado, o estresse se tornou parte da rotina — especialmente entre profissionais de alta performance. Mas até que ponto ele pode ser considerado saudável?
O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário atual: o Brasil registrou, em 2025, mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da última década, com crescimento expressivo dos casos de burnout.
Para o psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação executiva pelo INSPER e FGV e mais de 20 anos de experiência clínica, é fundamental diferenciar o estresse que impulsiona daquele que adoece.
“Existe
um tipo de estresse que é natural e até necessário para o desempenho. O
problema começa quando ele deixa de ser pontual e passa a ser crônico”, explica
o especialista.
Estresse produtivo x estresse que adoece
Segundo
o psiquiatra, o chamado estresse produtivo — ou positivo — está ligado a
momentos de desafio e adaptação.
Ele
pode, inclusive, melhorar o foco, a energia e a capacidade de tomada de
decisão.
“Uma
apresentação importante, um novo projeto ou uma meta desafiadora podem gerar
esse tipo de ativação. É o corpo se preparando para performar melhor”, afirma.
O
problema surge quando esse estado deixa de ser episódico e passa a ser
constante.
“O
organismo não foi feito para viver em alerta permanente. Quando isso acontece,
o estresse deixa de ser funcional e passa a ser tóxico”, alerta.
O
estresse crônico pode evoluir para quadros mais graves, como ansiedade
generalizada, exaustão emocional e burnout.
Entre
os principais sinais de alerta estão:
- Cansaço constante, mesmo após descanso
- Irritabilidade e dificuldade de concentração
- Sensação de sobrecarga permanente
- Alterações no sono
- Queda de desempenho
- Falta de prazer em atividades antes comuns
“Um dos sinais mais importantes é quando a pessoa começa a perder a capacidade de se recuperar. Ela descansa, mas não melhora. Isso indica que o corpo já entrou em um estado de esgotamento”, explica o médico.
Do
ponto de vista neurobiológico, o estresse prolongado afeta diretamente o
funcionamento cerebral.
A
liberação contínua de cortisol — o hormônio do estresse — pode prejudicar áreas
relacionadas à memória, ao foco e à regulação emocional.
“Com
o tempo, o cérebro entra em um modo de sobrevivência. Isso reduz a criatividade,
a clareza mental e a capacidade de tomar decisões estratégicas — justamente o
oposto do que se espera de profissionais de alta performance”, destaca.
Como evitar que o estresse ultrapasse o limite
A
chave está em reconhecer os sinais precocemente e criar estratégias de proteção
mental.
Entre
as principais orientações:
✔️ Diferencie
urgência de excesso
Nem
tudo precisa ser resolvido imediatamente.
✔️ Estabeleça
pausas reais
Intervalos
sem estímulos são essenciais para o cérebro se recuperar.
✔️ Observe seu
corpo
Cansaço
persistente não é normal — é sinal.
✔️ Reavalie limites
Alta
performance não deve significar exaustão constante.
✔️ Procure ajuda
especializada
Intervenção precoce evita quadros mais graves.
“Alta
performance sustentável não é sobre aguentar mais — é sobre saber a hora de
parar, ajustar e se recuperar”, finaliza o Dr. Daniel Sócrates.
Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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