Pesquisar no Blog

terça-feira, 14 de abril de 2026

Nem todo estresse é ruim — mas pode virar adoecimento e já bate recorde de afastamentos por saúde mental no Brasil


Em um mundo cada vez mais acelerado, o estresse se tornou parte da rotina — especialmente entre profissionais de alta performance. Mas até que ponto ele pode ser considerado saudável? 

O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário atual: o Brasil registrou, em 2025, mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da última década, com crescimento expressivo dos casos de burnout. 

Para o psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação executiva pelo INSPER e FGV e mais de 20 anos de experiência clínica, é fundamental diferenciar o estresse que impulsiona daquele que adoece. 

“Existe um tipo de estresse que é natural e até necessário para o desempenho. O problema começa quando ele deixa de ser pontual e passa a ser crônico”, explica o especialista.

 

Estresse produtivo x estresse que adoece 

Segundo o psiquiatra, o chamado estresse produtivo — ou positivo — está ligado a momentos de desafio e adaptação.

Ele pode, inclusive, melhorar o foco, a energia e a capacidade de tomada de decisão.

“Uma apresentação importante, um novo projeto ou uma meta desafiadora podem gerar esse tipo de ativação. É o corpo se preparando para performar melhor”, afirma.

O problema surge quando esse estado deixa de ser episódico e passa a ser constante.

“O organismo não foi feito para viver em alerta permanente. Quando isso acontece, o estresse deixa de ser funcional e passa a ser tóxico”, alerta.

O estresse crônico pode evoluir para quadros mais graves, como ansiedade generalizada, exaustão emocional e burnout.

 

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Cansaço constante, mesmo após descanso
  • Irritabilidade e dificuldade de concentração
  • Sensação de sobrecarga permanente
  • Alterações no sono
  • Queda de desempenho
  • Falta de prazer em atividades antes comuns 

“Um dos sinais mais importantes é quando a pessoa começa a perder a capacidade de se recuperar. Ela descansa, mas não melhora. Isso indica que o corpo já entrou em um estado de esgotamento”, explica o médico. 

Do ponto de vista neurobiológico, o estresse prolongado afeta diretamente o funcionamento cerebral.

A liberação contínua de cortisol — o hormônio do estresse — pode prejudicar áreas relacionadas à memória, ao foco e à regulação emocional.

“Com o tempo, o cérebro entra em um modo de sobrevivência. Isso reduz a criatividade, a clareza mental e a capacidade de tomar decisões estratégicas — justamente o oposto do que se espera de profissionais de alta performance”, destaca.

 

Como evitar que o estresse ultrapasse o limite

A chave está em reconhecer os sinais precocemente e criar estratégias de proteção mental.

Entre as principais orientações:

️ Diferencie urgência de excesso

Nem tudo precisa ser resolvido imediatamente.

️ Estabeleça pausas reais

Intervalos sem estímulos são essenciais para o cérebro se recuperar.

️ Observe seu corpo

Cansaço persistente não é normal — é sinal.

️ Reavalie limites

Alta performance não deve significar exaustão constante.

️ Procure ajuda especializada

Intervenção precoce evita quadros mais graves. 

“Alta performance sustentável não é sobre aguentar mais — é sobre saber a hora de parar, ajustar e se recuperar”, finaliza o Dr. Daniel Sócrates.

 


Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
Link


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados